Paraná
Inédito: Paranaguá será ponto de partida de cruzeiros e receberá os turistas
De dezembro a março, o Litoral do Paraná vai estrear como ponto de embarque fixo na temporada de cruzeiros com rota pela América do Sul durante o verão. A previsão é que os navios levem 40 mil turistas à região, injetando mais de R$ 20 milhões na economia local.
Serão 16 paradas de dois navios no Porto de Paranaguá entre 1º de dezembro de 2023 e 8 de março de 2024. O navio MSC Lirica, com capacidade para 2,6 mil passageiros, passará 15 vezes pelo litoral paranaense. Em todas elas, turistas poderão começar a viagem na cidade e seguir para Itajaí, em Santa Catarina, Punta de Leste, no Uruguai, e Buenos Aires, Argentina. Além disso, o porto vai receber uma parada do navio MSC Musica, com mais de 3,3 mil passageiros.
Em outras temporadas, os navios de cruzeiro que passaram por Paranaguá não ofereciam a possibilidade para embarque ou desembarque. A novidade dá conforto aos paranaenses interessados nas viagens e atrai turistas para o Litoral do Estado.
“Antigamente, era necessário ir até Santos ou outro porto brasileiro para fazer uma viagem de cruzeiro. Agora, são os turistas de outras localidades que virão até o Paraná, às vezes alguns dias antes do embarque, e vão movimentar a rede hoteleira, os restaurantes e serviços dos municípios da região”, afirmou o diretor-presidente da Viaje Paraná, Irapuan Cortes.
Em cada parada do MSC Lirica, cerca de 400 passageiros poderão embarcar em Paranaguá. Outras 2 mil vagas estão reservadas para embarques em outras atracações da rota.
Entre os 40 mil passageiros que devem passar pelo Litoral em todas as paradas programadas, mais da metade deve ser composta por estrangeiros, e o ticket médio de gasto com turismo de cada pessoa é estimado em mais de R$ 500.
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DESTINO CONSOLIDADO – Além de movimentar a economia durante a temporada, a entrada do litoral paranaense na rota de cruzeiros também fomenta o turismo na região no médio e longo prazo. “A companhia que opera estes cruzeiros estima que 87% dos turistas voltam às cidades onde os navios fazem parada. Isso é importante porque não serão visitantes esporádicos, mas potenciais turistas que vão voltar ao nosso Estado”, explicou o diretor da Viaje Paraná.
Além do roteiro do verão de 2023/2024, a MSC já confirmou que Paranaguá estará na rota de cruzeiros do ano seguinte. Além disso, há a possibilidade de outras companhias incluírem o litoral paranaense no itinerário.
Segundo o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o porto se tornou uma escala permanente de navios de cruzeiro após vários testes com navios de menor porte.
“Faz parte do plano estratégico do governador Ratinho Júnior incentivar e fomentar o turismo no litoral paranaense. Recebemos essa missão e pensamos em soluções que pudessem contribuir neste sentido, por meio do porto de Paranaguá, e incluir a cidade na rota dos cruzeiros foi a medida mais eficaz e atrativa que encontramos”.
Após excelentes resultados com embarcações menores, realizamos um teste com um navio de grande porte em novembro de 2022, o MSC Armonia. Foi um grande sucesso e assim pudemos implementar o sistema de maneira permanente em Paranaguá”, disse Garcia.
LITORAL PREPARADO – Para receber bem os passageiros, o Governo do Estado, a Portos do Paraná e a Prefeitura de Paranaguá estão preparando uma estrutura para atender os turistas e apresentar a eles opções de passeio e lazer.
Um espaço, ao lado do Santuário de Nossa Senhora do Rio, vai funcionar como receptivo dos passageiros que vão embarcar ou desembarcar dos navios. Também será possível partir do local para passeios de barco Bela baía de Paranaguá.
Outro ponto será instalado na Praça de Eventos Mário Roque, no Centro Histórico, onde haverá tendas para comercialização de produtos típicos dos municípios da região e um palco para apresentações culturais.
De acordo com a secretária de Turismo de Paranaguá, Maria Plahtyn, a cidade está fazendo uma força-tarefa para capacitar a rede hoteleira e restaurantes que receberão os passageiros dos navios.
“Fizemos treinamentos com prestadores de serviço e capacitamos a mão de obra gratuitamente. Foram feitas também adaptações, como cardápios trilíngues, para recepcionar melhor turistas de outros países”, disse.
MSC LIRICA E MSC MUSICA – As paradas do MSC Lirica vão acontecer todas as sextas-feiras a partir de 1º de dezembro. Os turistas poderão embarcar nos dias 1º, 8, 15, 22 e 29 de dezembro, 5, 12, 19, e 26 de janeiro, 2, 9, 16 e 22 de fevereiro e 1º e 8 de março. As duas primeiras passagens do navio por Paranaguá, no entanto, já estão com as vagas esgotadas.
O navio tem capacidade para 2.648 passageiros e conta com 721 tripulantes. São 988 cabines no total. A embarcação pesa 65 mil toneladas, com 274,9 metros de comprimento, 28,8 metros de largura e 54 metros de altura.
O MSC Musica, que vai passar pelo litoral paranaense no dia 23 de dezembro, tem capacidade para 3,2 mil passageiros, em 1.275 cabines, e conta com 1.014 tripulantes. O navio tem 293,8 metros de comprimento, 32 metros de largura e 59 metros de altura.
Fonte: Governo PR
Paraná
Nova atualização do Monitor de Secas aponta para continuidade da estiagem no Paraná
As regiões Oeste e Noroeste do Paraná estão em situação de seca fraca, de acordo com o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas, divulgado nesta quinta-feira (16). O estudo é realizado em parceria com vários institutos, entre eles o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. Agora todas as regiões paranaenses registram algum tipo de seca no mapa referente a março.
Nas cidades de divisa com São Paulo, de Sengés à Jacarezinho, houve um recuo da seca grave para moderada. Além destas cidades, a seca moderada também atinge o Vale do Ribeira, as cidades mais ao norte do Litoral, do Sul até a cidade de Pinhão e parte mais ao sul do Sudoeste paranaense. Nas outras regiões, há registro de seca fraca.
No norte da Região Metropolitana de Curitiba, nos Campos Gerais e no Norte Pioneiro, a seca já está estabelecida há mais de um ano. Os impactos são de curto e longo prazo no Norte do Paraná, ou seja, podem prejudicar a agricultura e o abastecimento de água; e de curto prazo nas demais áreas, ou seja, prejudicando apenas a agricultura.
CHUVAS RECENTES – A irregularidade das chuvas nos últimos meses foi o principal fator para o avanço da seca, que já era observada no Centro-Leste e Centro-Norte do Paraná, para a faixa oeste. Janeiro, fevereiro e março são os meses com maior volume de chuva no Estado, porém o verão registrou chuvas com má distribuição.
A situação ficou mais crítica em março. Entre as 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de seis anos de operação, apenas oito atingiram o volume histórico de chuva para o mês de março de 2026. Algumas delas registraram menos de 25 mm de chuva durante o mês inteiro, como é o caso de Cascavel, Curitiba, Irati, Loanda, Pato Branco e Santo Antônio da Platina.
“Essa precipitação abaixo da média histórica foi influenciada pela atuação de massas de ar seco que predominaram ao longo do mês. A ausência de movimento de umidade da região amazônica para o estado do Paraná também justifica a ocorrência de vários dias consecutivos com pouca ou nenhuma chuva, principalmente nos municípios das regiões Oeste e Sudoeste”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
O déficit de precipitação no Oeste, Noroeste e Sudoeste favoreceu para que a seca fraca se estabelecesse. “A seca fraca está relacionada à ausência de precipitação e alguns indicadores, como o crescimento baixo de algumas culturas, afetando a agricultura. Além disso, no Sudoeste especificamente, a seca se agravou um pouco mais, evoluindo de fraca intensidade para moderada. Ou seja, também há impactos em alguns riachos, rios da região. Isso pode ocasionar desabastecimento, ou alguma cultura poderá ser mais atingida que outras”, diz Kneib.
As informações da plataforma de inteligência agroclimática do Simepar, o Simeagro, apontam que os eventos pontuais de precipitação identificados nas imagens de chuva espacializada foram insuficientes para recompor o déficit hídrico acumulado. Esse comportamento se reflete em anomalias negativas moderadas no índice de vegetação, indicando redução do vigor das culturas, especialmente em áreas de soja em final de ciclo e milho segunda safra em fase inicial de desenvolvimento.
Já na região Noroeste, segundo o Simeagro, o cenário é mais crítico, com maior persistência de falta de chuva ao longo do mês de março e aumento expressivo do risco de incêndio, evidenciando condições de estresse hídrico mais severo. Nesse contexto, os impactos sobre as lavouras tendem a ser mais acentuados, com comprometimento do desenvolvimento vegetativo, maior risco de falhas no estabelecimento do milho safrinha e redução do potencial produtivo.
EM ABRIL – A tendência é de que a situação de seca continue ao longo do mês de abril. Neste mês, historicamente, as chuvas são mais volumosas em poucos episódios: são muitos dias sem chuva, e quando chove, os acumulados são mais altos. A previsão climática do Simepar indica que o Litoral terá volumes acumulados de chuva dentro ou muito próximo da média histórica para abril, e o resto do Estado registrará acumulados abaixo da média – principalmente a Região Metropolitana de Curitiba e os Campos Gerais, onde já choveu pouco em março.
A Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cedec) acompanha o avanço da estiagem e auxilia as prefeituras de acordo com a demanda. Atualmente estão vigentes 20 decretos de situação de emergência homologados pelo Estado nos municípios de Boa Vista da Aparecida, Nova Tebas, Planalto, Realeza, Capitão Leônidas Marques, Coronel Domingos Soares, Espigão Alto do Iguaçu, Laranjal, Prudentópolis, Quedas do Iguaçu, Missal, Santa Helena, Iretama, Salto do Lontra, Roncador, Nova Prata do Iguaçu, Capanema, Santa Mariana, Borrazópolis e Antonina.
Nestes casos, o Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) pode direcionar recursos para ações de prevenção e recuperação, como detalha o coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil. “Ao todo destinamos já R$ 324 mil para as prefeituras de Nova Prata do Iguaçu, Roncador e Antonina que solicitaram ajuda à Cedec. O dinheiro está sendo investido na compra de caixas d’água e combustível usado nos veículos pesados para obras de emergência para a captação de água”, completa.
Em 2025 e 2026 foram doados 57 reservatórios flexíveis, com capacidade de 6 mil litros de água, para 35 municípios. Os equipamentos permanecem instalados nos locais com maior demanda e podem ser reabastecidos. Este ano foram enviadas ainda 1.440 cestas básicas para os municípios de Antonina, Quedas do Iguaçu, Boa Vista da Aparecida, Roncador, Iretama e Espigão Alto do Iguaçu.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, explica que a Companhia mantém um sistema de monitoramento constante do volume dos mananciais e acompanha a evolução do quadro de estiagem em todas as regiões do Paraná.
“Graças ao sistema Infohidro, ferramenta desenvolvida em parceria com o Simepar e o IAT, podemos realizar a gestão de riscos e estamos trabalhando ininterruptamente para garantir a regularidade do abastecimento. No entanto, água é um bem finito e sua disponibilidade depende de um esforço coletivo. Por isso, a Sanepar reforça a necessidade do uso consciente e racional da água, evitando o desperdício”, recomenda Bley.
MONITOR – O Monitor de Secas iniciou em 2014 focado no semiárido, que sofria desde 2012 com a seca mais grave dos últimos 100 anos. Desde 2017 a ANA articula o projeto entre as instituições envolvidas e coordena o processo de elaboração dos mapas.
O Simepar todos os meses faz a análise das regiões Sul e Sudeste, utilizando dados como precipitação, temperatura do ar, índice de vegetação, níveis dos reservatórios e dados de evapotranspiração (a relação entre a temperatura e a evaporação da água). A cada três meses, o Simepar ainda coordena a elaboração do mapa completo.
No Brasil, no mapa divulgado nesta quinta-feira (16), a seca grave, assim como no Paraná, recuou para moderada em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. A área de seca extrema também reduziu, ficando restrita agora a cidades do Ceará e do Rio Grande do Norte. No país, a única região que ainda tem registro de seca grave é o Nordeste.
A seca moderada atinge, além do Paraná, maior parte de São Paulo; cidades ao sul e noroeste de Minas Gerais; uma pequena área a noroeste do Mato Grosso do Sul; cidades ao sul e nordeste de Goiás; a maior parte da região Nordeste, com exceção do Maranhão; e algumas cidades ao leste do Piauí, no Norte.
A seca fraca aparece em quase toda a região Sul, em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Piauí e Amazonas, e em pequenas áreas do Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Amapá e Pará. Os únicos estados brasileiros sem qualquer registro de seca neste mapa do Monitor de Secas são o Acre e o Espírito Santo.
O Monitor de Secas explica que, apesar dos episódios de chuva intensa registrados em Minas Gerais nos últimos meses, a condição de seca infelizmente permanece. “Esse aparente contraste se explica pela má distribuição das chuvas no tempo e no espaço, muitas vezes concentradas em poucos dias e em áreas isoladas, o que limita a recuperação das reservas hídricas. Assim, eventos de cheias podem coexistir com escassez hídrica, em razão do déficit acumulado e do início desfavorável da estação chuvosa 2025/2026”, detalha o estudo.
Fonte: Governo PR
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