Connect with us


Política Nacional

Girão aponta ‘exposição’ de ministros do STF e critica Fábio Faria no ‘escândalo do radiolão’

Publicado em

Em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (15), o senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou a participação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na inauguração do SBT News e associou o episódio a um padrão de exposição dos magistrados na mídia. O parlamentar afirmou que esse tipo de comportamento não condiz com a função constitucional exercida pela Corte.

— É completamente incompatível com a função constitucional de ministro da mais alta Corte da Justiça esse nível de ativismo, com constantes aparições públicas, concedendo entrevista como se fosse um “pop star”. Está tudo errado. Vem preponderando a vaidade exacerbada. Você não vê isso em nenhum país; você vê discrição nas Cortes Supremas internacionais — afirmou.

Ao comentar o lançamento do SBT News, Girão também criticou o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, um dos gestores do novo canal e casado com Patrícia Abravanel, herdeiras do grupo de comunicação. No discurso, o senador lembrou o caso que ficou conhecido como “radiolão”, envolvendo o então ministro do governo de Jair Bolsonaro. O parlamentar se referiu ao episódio em que Fábio Faria denunciou um suposto boicote na veiculação de propagandas eleitorais e, posteriormente, recuou para, segundo o senador, amenizar a responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à época presidido por Moraes. Para Girão, com isso o ex-ministro prejudicou o então candidato Bolsonaro durante as eleições de 2022.

Leia mais:  Projeto que proíbe uso de telessaúde para orientação sobre aborto passa na CDH

— O caso foi tão grave que realizamos uma audiência pública no Senado que durou quase 12 horas, ouvindo os perseguidos políticos do Brasil. Na época, Fábio Faria inicialmente foi quem apresentou todas as planilhas de controle que mostravam a não veiculação de milhares de inserções (dizem até que foi 1 milhão de inserções) de propaganda eleitoral do Bolsonaro nas rádios do Norte e Nordeste do país, beneficiando apenas o Lula, desequilibrando o pleito. Porém, surpreendentemente, alguns dias depois, Fábio volta atrás, chegando a culpar a falta de fiscalização do partido, aliviando a responsabilidade do TSE — declarou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Comentários Facebook

Política Nacional

Especialistas defendem modernização das contas públicas e do Orçamento em evento da OCDE

Published

on

O desafio de tornar as contas públicas e o Orçamento da União mais modernos e transparentes — utilizando, inclusive, a inteligência artificial — está no centro dos debates do evento internacional que o Senado sedia a partir desta quinta-feira (11): a 2ª Reunião Anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de Autoridades Parlamentares de Orçamento da América Latina.

O encontro reúne especialistas, consultores legislativos e representantes de instituições fiscais independentes de diversos países. Também serão discutidos temas como governança fiscal, transparência orçamentária e comunicação pública.

Ao abrir o evento, o senador Efraim Filho (PL-PB) afirmou que a responsabilidade fiscal voltou ao centro do debate público na América Latina. Efraim, que é o presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional, ressaltou que análises independentes, estimativas de impacto e avaliações de políticas públicas fortalecem o processo decisório e contribuem para qualificar o debate democrático.

Ele também disse que os países latino-americanos precisam recuperar a capacidade de investimento e estimular a atividade econômica, e ao mesmo tempo preservar as políticas sociais e manter a confiança nas instituições e nas regras fiscais.

Ao tratar especificamente do Brasil, o senador defendeu um ambiente econômico mais simples, previsível e seguro para quem empreende, investe e gera emprego. Para isso, argumenta ele, o país precisa avançar nos processos de planejamento e fiscalização dos gastos públicos, na simplificação orçamentária, na responsabilidade fiscal e na transparência. 

— O tripé nefasto do custo Brasil, formado por complexidade tributária, burocracia excessiva e insegurança jurídica, não será vencido em uma tacada só. É uma luta permanente, feita no dia a dia, (…) em busca de um país que tenha liberdade econômica e valorize quem empreende.

Reforma orçamentária

A conferência magna do evento contou com a participação do professor Nelson Machado, que já foi ministro de duas pastas: Planejamento e Previdência.

Machado defendeu a modernização do modelo orçamentário brasileiro — que, segundo ele, dificulta a execução eficiente das políticas públicas. O professor afirmou que é necessária uma atualização que viabilize simultaneamente planejamento, sustentabilidade fiscal e entrega de resultados à população.

Entre os problemas a serem resolvidos, Machado apontou a complexidade do sistema orçamentário, a baixa integração entre os instrumentos de planejamento, a rigidez das despesas, a fragmentação do orçamento e a ausência de uma visão de médio e longo prazo. O ex-ministro também criticou os frequentes contingenciamentos de recursos e as regras fiscais que, segundo ele, operam de forma desarticulada entre si.

Leia mais:  Confúcio Moura defende investimento em educação para reduzir violência

— É inimaginável que um gestor que está lá na ponta, no dia a dia, tendo que entregar serviços para a população (como escola funcionando, posto de saúde atendendo, estradas conservadas), tenha que se amarrar a um orçamento que é liberado numa regra de execução e que, no meio do caminho, muda. É o que eu chamo de efeito sanfona.

Para Machado, a recente reforma tributária é um exemplo que pode servir de inspiração para uma futura reforma orçamentária, já que o processo de elaboração do novo sistema tributário foi baseado no diálogo entre governo, Congresso, sociedade civil e setor produtivo.

Ele acrescentou que o país já compreendeu a importância de se arrecadar de forma eficiente, mas precisa avançar na melhoria da qualidade do gasto público.

Governança

Chefe da Divisão de Gestão Pública e Orçamento da OCDE, Jón Blöndal destacou que muitos países hoje enfrentam desafios semelhantes: envelhecimento da população, pressões sobre os sistemas de saúde e aumento das despesas públicas. 

Segundo ele, a solução passa por uma reavaliação permanente dos programas governamentais e seus respectivos gastos, para verificar se programas criados em outros contextos continuam respondendo às necessidades atuais da sociedade.

— Antigamente nossas sociedades eram diferentes, os desafios eram diferentes, nós precisamos olhar para esses programas e avaliar quão relevantes eles ainda são. E isso não é um exercício técnico; é um exercício político. E, para que as políticas se alinhem, é necessário um entendimento público geral. 

Blöndal defendeu o fortalecimento da transparência, da supervisão e da responsabilidade fiscal. Também enfatizou a importância de escritórios parlamentares de orçamento e conselhos fiscais independentes para a melhoria da governança pública.

Leia mais:  Projeto que proíbe uso de telessaúde para orientação sobre aborto passa na CDH

Inteligência artificial

O presidente do Grupo de Trabalho de Orçamento da OCDE, Mark Hadley, observou que a inteligência artificial (IA) já está transformando o modo como instituições fiscais e orçamentárias avaliam grandes volumes de dados e produzem análises.

Ele contou que redes de especialistas ligadas à OCDE vêm explorando formas de utilizar as ferramentas de IA em estudos, projeções e processos decisórios.

Para Efraim Filho, a IA representa uma nova fronteira para a gestão pública e para o ambiente econômico.

— A inteligência artificial pode ajudar instituições a analisar grandes volumes de dados, identificar riscos, comparar cenários e liberar equipes técnicas para atividades com maior valor estratégico. Mas a sua adoção deve vir acompanhada de transparência, responsabilidade e controle humano. 

Cooperação internacional

O consultor-geral de Orçamento do Senado, Flávio Diogo Luz, destacou a importância da cooperação internacional para o aperfeiçoamento das instituições responsáveis pela análise e pela fiscalização das contas públicas.

Ele lembrou que o encontro reúne profissionais de países que enfrentam desafios semelhantes, o que cria um ambiente propício para a troca de experiências e boas práticas.

— Ao compartilhar experiências, boas práticas e dificuldades, fortalecemos a capacidade de nossas instituições de oferecer análises independentes, qualificadas e úteis para o processo decisório — argumentou.

Mark Hadley, da OCDE, frisou que a cooperação entre os países permite aperfeiçoar instrumentos de supervisão fiscal e fortalecer a atuação dos parlamentos na fiscalização das contas públicas.

Evento internacional

O evento segue com debates temáticos até esta sexta-feira (12). Entre os países representados no evento estão Brasil, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Peru e Portugal, entre outros.

Também participam do encontro consultores legislativos do Senado e da Câmara dos Deputados, além de integrantes da Instituição Fiscal Independente (IFI). 

Outros temas a serem abordados nas reuniões são: recuperação das finanças públicas, supervisão orçamentária, atualizações legislativas comprometidas com a transparência, desafios da comunicação clara e eficaz para instituições de fiscalização e controle, entre outros.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262