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Agro

Frango e ovos iniciam maio em alta com demanda aquecida e reação nos preços, aponta Cepea

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O mercado avícola brasileiro começou a mostrar sinais mais consistentes de recuperação nos preços no encerramento de abril e neste início de maio. Levantamentos do Cepea apontam que tanto o setor de carne de frango quanto o mercado de ovos registraram valorização, sustentados principalmente pelo aquecimento da demanda doméstica e pela movimentação típica de abastecimento do varejo no começo do mês.

Após um primeiro trimestre marcado por sucessivas quedas, o mercado de frango encerrou abril com alta nas cotações em todos os segmentos da cadeia produtiva. Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento foi influenciado pela retomada do consumo interno e pelo avanço dos custos logísticos, especialmente após reajustes nos combustíveis que elevaram o valor dos fretes.

Na Grande São Paulo, o frango inteiro congelado fechou abril cotado, em média, a R$ 7,16 por quilo, representando avanço de 7,4% em relação a março. Apesar da recuperação mensal, os preços ainda permanecem abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado.

O Cepea destaca que o movimento de valorização ganhou força principalmente na segunda metade da primeira quinzena de abril, período tradicionalmente favorecido pelo maior fluxo de consumo após o pagamento de salários. O aumento da circulação de renda impulsionou as compras da proteína no varejo e contribuiu para a reação das cotações.

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Por outro lado, o ritmo de comercialização perdeu força na segunda quinzena do mês devido à ocorrência dos feriados nacionais de Tiradentes e do Dia do Trabalho, que reduziram temporariamente a demanda no mercado interno e provocaram ajustes pontuais nos preços.

Mercado de ovos acelera neste início de maio

O setor de ovos também iniciou maio em trajetória de alta. De acordo com o Cepea, a demanda pela proteína vem aumentando gradualmente nos últimos dias, permitindo reajustes mais expressivos nos preços negociados entre produtores e compradores.

Nas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas, a valorização dos ovos chegou a atingir 10% recentemente. Entre os fatores que contribuíram para esse avanço estão os descontos aplicados no fim de abril, que ajudaram a reduzir os estoques acumulados nas granjas e distribuidores.

Além disso, o início do mês tradicionalmente favorece o aumento do poder de compra da população, ampliando o consumo doméstico. Outro fator relevante para a recuperação das cotações é a intensificação das compras por parte das redes atacadistas e varejistas para atender à demanda do Dia das Mães, uma das datas mais importantes para o comércio alimentar no primeiro semestre.

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Com estoques mais ajustados e maior procura no mercado interno, produtores passaram a ter maior espaço para negociar preços em patamares mais elevados, fortalecendo o cenário de recuperação para a cadeia avícola brasileira neste começo de maio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Bioinsumos ganham protagonismo diante da dependência de fertilizantes importados e reforçam soberania do agro brasileiro

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A elevada dependência do Brasil de fertilizantes importados voltou ao centro das discussões sobre a competitividade e a segurança do agronegócio nacional. Em um cenário marcado pela alta dos preços internacionais, restrições logísticas e instabilidade geopolítica, os bioinsumos ganham espaço como uma alternativa estratégica para aumentar a eficiência das lavouras e reduzir a vulnerabilidade do setor.

Atualmente, cerca de 88% dos fertilizantes utilizados no país são importados, sobretudo de regiões sujeitas a conflitos e oscilações no comércio internacional. Diante desse contexto, a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) defende a ampliação do uso de tecnologias biológicas como complemento à adubação mineral e instrumento para fortalecer a soberania produtiva brasileira.

Crise logística pressiona custos dos fertilizantes

A preocupação do setor aumentou após as recentes restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de fertilizantes. O corredor concentra aproximadamente um terço do fluxo mundial desses insumos e passou a enfrentar novas dificuldades logísticas, agravando um cenário que já vinha sendo impactado pelos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Mesmo com expectativa de normalização gradual das operações, especialistas avaliam que os efeitos sobre preços, oferta e fretes deverão continuar influenciando o mercado nos próximos meses.

Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que, entre fevereiro e abril de 2026, o Brasil importou 4% menos fertilizantes, mas desembolsou 16% a mais pelo volume adquirido. No mesmo período, o fertilizante fosfatado MAP acumulou valorização de 20%.

Bioinsumos aumentam eficiência sem substituir fertilizantes minerais

Segundo o presidente da ANPII Bio, Thiago Delgado, os bioinsumos não eliminam a necessidade dos fertilizantes convencionais, mas desempenham papel importante ao elevar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo e reduzir parte da dependência externa.

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“O Brasil possui elevada dependência de nitrogênio, fósforo e potássio importados. Os bioinsumos contribuem para aumentar a eficiência nutricional das plantas, oferecendo maior estabilidade de custos e fortalecendo a segurança agrícola”, afirma.

Para a entidade, enquanto projetos destinados à ampliação da produção nacional de fertilizantes minerais exigem investimentos elevados e longo prazo para maturação, as tecnologias biológicas já estão disponíveis comercialmente e podem ser adotadas imediatamente pelos produtores.

Mercado brasileiro lidera desenvolvimento de tecnologias biológicas

O Brasil ocupa posição de destaque no mercado mundial de bioinsumos. De acordo com a ANPII Bio, o setor movimenta mais de R$ 7 bilhões por safra, concentra aproximadamente metade do mercado latino-americano e figura entre os três maiores mercados globais da atividade.

Além disso, cerca de 85% dos bioinsumos comercializados no país são produzidos pela própria indústria nacional, consolidando o Brasil como uma das principais referências internacionais no desenvolvimento de soluções biológicas voltadas ao agronegócio tropical.

O segmento reúne atualmente mais de 200 empresas registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e contabiliza mais de 1.500 produtos registrados, apresentando crescimento superior a 50% entre 2022 e 2025.

Fixação biológica de nitrogênio é exemplo de sucesso no campo

Entre as principais aplicações dos bioinsumos estão a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a solubilização de fósforo e potássio, o estímulo ao desenvolvimento radicular e o aumento da absorção de água e nutrientes pelas plantas.

O caso mais consolidado é o da soja brasileira. Segundo a Embrapa, a utilização de bactérias do gênero Bradyrhizobium permite suprir biologicamente a necessidade de nitrogênio da cultura, reduzindo drasticamente os custos com fertilização.

Enquanto a adubação nitrogenada convencional pode atingir cerca de R$ 906 por hectare, a inoculação biológica apresenta custo próximo de R$ 8 por hectare, mantendo elevada eficiência produtiva.

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Hoje, aproximadamente 90% das áreas cultivadas com soja no Brasil utilizam essa tecnologia, gerando economia estimada entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões por ano aos produtores.

Outro microrganismo amplamente empregado é o Azospirillum brasilense, associado ao fortalecimento do sistema radicular, maior absorção de nutrientes e aumento da tolerância das plantas aos estresses climáticos.

Reconhecimento internacional fortalece pesquisa brasileira

O avanço da pesquisa nacional em bioinsumos ganhou destaque internacional em 2025, quando a pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”, pelo desenvolvimento de tecnologias ligadas à fixação biológica de nitrogênio.

Para a ANPII Bio, o reconhecimento reforça o protagonismo do Brasil na construção de soluções capazes de aumentar a produtividade agrícola com menor dependência de fertilizantes minerais importados.

Marco legal impulsiona expansão do setor

Outro fator considerado decisivo para o crescimento do segmento é a Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024), que estabelece um marco regulatório para estimular a inovação, ampliar a produção nacional e acelerar a adoção dessas tecnologias no campo.

Segundo a entidade, a regulamentação da legislação deverá fortalecer ainda mais a competitividade da indústria brasileira de bioinsumos, criando condições favoráveis para novos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e produção.

Na avaliação da ANPII Bio, os bioinsumos não devem ser vistos como substitutos dos fertilizantes minerais, mas como ferramentas complementares para tornar os sistemas produtivos mais eficientes, resilientes e menos vulneráveis às oscilações do mercado internacional, contribuindo para a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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