Agro
FMC conclui projeto piloto de stewardship em Sinop (MT) e alcança mais de 220 mil hectares
A FMC, empresa global de ciências para agricultura, em parceria com a Bettini Consultoria, finalizou um projeto piloto de stewardship na região de Sinop (MT). A iniciativa buscou incentivar o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, levando atualização técnica a produtores e aplicadores que se preparam para a próxima safra.
Capacitação técnica com impacto no campo
O projeto envolveu 73 participantes em treinamentos teóricos e práticos, alcançando uma área superior a 220 mil hectares. Entre os principais temas abordados estiveram:
- boas práticas agrícolas;
- influência das condições climáticas;
- escolha do tipo de pulverização;
- preparo dos operadores e equipes técnicas;
- manutenção de máquinas.
Além disso, os encontros destacaram fatores determinantes para a eficiência das aplicações, como o momento ideal da pulverização, o impacto da umidade e do pH da calda, e a seleção adequada de adjuvantes.
Produtores destacam benefícios do treinamento
Gabriel Canozo, diretor executivo da Fazenda Boa Esperança, em Cláudia (MT), ressaltou a relevância da capacitação oferecida pela FMC e pela Bettini Consultoria.
“Desde a regulagem das máquinas (bicos, pressão e velocidade) até os fatores externos, como horário, umidade e incidência solar, todos os ensinamentos foram fundamentais para melhorar nosso trabalho. Isso contribui diretamente para uma lavoura mais saudável e produtiva”, afirmou.
Stewardship como diferencial competitivo
Segundo Renato Guimarães, presidente da FMC no Brasil, o projeto piloto tem como objetivo agregar valor aos clientes por meio de suporte técnico e fortalecimento da imagem da empresa.
“Entregamos diariamente produtos de alta tecnologia, mas também queremos assegurar que sejam utilizados de forma correta. Com esse projeto, promovemos aplicações mais eficientes, seguras e sustentáveis, conectando inovação, responsabilidade e produtividade no campo”, destacou.
Expansão para outras regiões
Diante dos resultados positivos, a FMC avalia levar o projeto para novas áreas estratégicas do país. Para Fernanda Pelegrinotti, líder de Stewardship da FMC para a América Latina, a ação fortalece a relação com os produtores.
“Acreditamos que o stewardship favorece a fidelização dos clientes e amplia a adoção das boas práticas agrícolas, consolidando a FMC como referência em tecnologia de aplicação e manejo responsável”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil bate recorde de registros de defensivos agrícolas e avanço asiático transforma mercado de agroquímicos
O mercado brasileiro de defensivos agrícolas e bioinsumos vive uma profunda transformação regulatória e comercial. O país registrou em 2025 o maior número de aprovações de pesticidas da história, enquanto cresce a presença de fabricantes asiáticos no setor nacional de agroquímicos.
O cenário será um dos principais focos da Brasil AgrochemShow 2026, marcada para os dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo. O encontro deve reunir mais de 1.500 participantes, incluindo empresas, distribuidores, consultorias regulatórias, especialistas, importadores, indústrias químicas e representantes do agronegócio.
Brasil registra recorde histórico de aprovações de defensivos
Levantamento da AllierBrasil aponta que o Brasil aprovou 912 registros de pesticidas em 2025, o maior volume já registrado no país.
Do total liberado:
- 323 foram produtos técnicos
- 427 produtos formulados químicos
- 162 produtos biológicos
O volume representa crescimento de 37,5% em relação ao ano anterior.
A expansão também impressiona no longo prazo. Entre 2006 e 2015, o Brasil aprovou 1.454 registros. Já no período entre 2016 e 2025, o número saltou para 5.442 aprovações, avanço de 274,3%.
Somente nos últimos cinco anos, foram liberados 3.344 registros, alta de 59,4% frente ao período anterior.
Especialistas alertam para morosidade regulatória
Apesar do crescimento expressivo no número de aprovações, especialistas afirmam que o sistema regulatório brasileiro continua lento, burocrático e altamente complexo.
Segundo Flávio Hirata, engenheiro agrônomo, especialista em registro de pesticidas e sócio da AllierBrasil, o aumento das liberações não significa necessariamente maior eficiência regulatória.
“O registro continua sendo burocrático, oneroso e sujeito a constantes mudanças de interpretação e exigências regulatórias”, afirma.
De acordo com a consultoria, o tempo médio de aprovação em 2025 foi de:
- 63,4 meses para produtos formulados químicos
- 67,4 meses para produtos técnicos equivalentes
Na prática, muitos processos levam mais de cinco anos para serem concluídos.
“O maior desestímulo ao investimento no setor é justamente o tempo necessário para acessar o mercado. Em alguns casos, quando o registro é aprovado, parte da eficácia agronômica já foi comprometida ou o ingrediente ativo se aproxima de restrições regulatórias”, explica Hirata.
Judicialização cresce no mercado de defensivos agrícolas
A lentidão nas análises regulatórias também impulsionou o aumento da judicialização no setor.
Atualmente, cerca de 2.830 processos de registros de produtos formulados químicos aguardam avaliação no Brasil.
Segundo a AllierBrasil:
- 397 processos estão parados há sete anos ou mais
- 94 registros aguardam análise há mais de dez anos
Entre 2019 e 2025, os deferimentos obtidos via ações judiciais cresceram:
- 395% contra a Anvisa
- 2.666% contra o Ibama
Somente até 22 de abril de 2026, 47 avaliações toxicológicas foram aprovadas por meio de decisões judiciais.
“O uso da judicialização deixou de ser exceção e passou a integrar a estratégia regulatória das empresas para acelerar o acesso ao mercado”, destaca Hirata.
Avanço da China e da Índia redefine mercado global de agroquímicos
Outro tema central do AgrochemShow será o avanço das empresas asiáticas no mercado brasileiro de defensivos agrícolas.
Segundo especialistas, a chamada “invasão asiática” representa uma reestruturação global da cadeia de produção de pesticidas.
“A China se consolidou como centro mundial de produção de defensivos agrícolas, enquanto o Brasil permanece como um dos maiores mercados consumidores do planeta”, afirma Hirata.
Nos últimos 15 anos, o mercado brasileiro registrou:
- Crescimento de produtos pós-patente
- Expansão de fabricantes chineses e indianos
- Aumento de empresas nacionais com produção terceirizada na Ásia
- Maior concorrência no setor de distribuição
Atualmente, a China domina grande parte da produção global de ingredientes ativos utilizados nos defensivos agrícolas, enquanto a Índia amplia rapidamente sua participação.
Concorrência reduz custos, mas aumenta debate sobre segurança e rastreabilidade
O avanço asiático trouxe impactos diretos sobre preços, margens e competitividade no mercado brasileiro.
Entre os principais efeitos observados estão:
- Redução nos preços de moléculas tradicionais
- Pressão sobre margens das distribuidoras
- Maior concorrência comercial
- Crescimento da agricultura digital
- Expansão dos bioinsumos e biossoluções
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação do setor com:
- Rastreabilidade dos produtos
- Pureza dos ingredientes ativos
- Equivalência técnica
- Dependência externa
- Segurança regulatória e logística
No Brasil, os defensivos agrícolas precisam passar por aprovação de três órgãos:
- Anvisa
- Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
- Ibama
“Existe uma preocupação crescente sobre segurança de abastecimento e dependência externa. Por outro lado, a maior concorrência também ajudou a reduzir custos para o produtor rural e acelerou a modernização do setor”, avalia Hirata.
AgrochemShow 2026 reunirá indústria, distribuidores e especialistas
Além dos debates regulatórios, o Brasil AgrochemShow 2026 reunirá representantes da indústria química, empresas de biológicos, distribuidores, consultorias, importadores, revendas e fornecedores internacionais.
O evento terá foco em:
- Inovação no mercado agrícola
- Estratégias regulatórias
- Tendências globais
- Logística
- Agricultura digital
- Bioinsumos
- Parcerias técnico-comerciais
As inscrições para participação estão abertas no portal oficial do evento, mediante doação de cestas básicas destinadas à ONG Crê-Ser, de São Paulo.
Na edição de 2025, a iniciativa arrecadou cerca de 14 toneladas de alimentos, reforçando o caráter social do encontro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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