Política Nacional
Empréstimo de US$ 100 milhões do BID para a União vai ao Plenário
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (11) autorização para a União contratar empréstimo de até US$ 100 milhões (cerca de R$ 510 milhões) com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os recursos vão financiar programa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) voltado à melhoria do ambiente de negócios e ao aumento da competitividade do país. A matéria segue para análise do Plenário.
A Mensagem 10/2026 recebeu parecer favorável do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), lido pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). A comissão também aprovou requerimento de urgência para a votação da matéria no Plenário. O programa tem como objetivos reduzir custos de transação, ampliar a inclusão produtiva, melhorar a qualidade da regulação, simplificar procedimentos administrativos e modernizar serviços públicos.
Programa
As ações estão organizadas em três frentes: fortalecimento da capacidade institucional em política regulatória; promoção de ambiente de negócios favorável à inovação, à inclusão e à sustentabilidade; e facilitação do comércio exterior. Entre as metas estão elevar de 16,7% para 30% o Índice de Capacidade Institucional para Regulação, reduzir de R$ 65,6 bilhões para R$ 60 bilhões o custo relacionado à eficácia da regulação, medido pela metodologia do custo Brasil, e ampliar de 11.413 para 13.500 o número de micro, pequenas e médias empresas exportadoras.
O programa também prevê medidas de digitalização, avaliação de custos regulatórios, inovação, financiamento, sustentabilidade e inclusão no ambiente de negócios. O setor produtivo em geral é apontado como beneficiário, com atenção a micro e pequenos empreendedores e empresas lideradas por mulheres. O BID prestará assistência técnica, inclusive no desenvolvimento de ferramentas digitais para estimar custos regulatórios e fornecer informações a empreendedores e grupos sociais e econômicos vulneráveis.
Financiamento
O empréstimo não terá contrapartida financeira da União. A liberação dos recursos dependerá da comprovação, pelo MDIC ao BID, da implementação das medidas previstas para cada etapa do programa. Caso alguma medida não seja comprovada no prazo, o desembolso correspondente ficará suspenso até a regularização.
O contrato prevê dois desembolsos e prazo de até dois anos para a liberação dos recursos. Segundo informações encaminhadas pelo governo ao Tesouro Nacional, foi acordado com o BID o desembolso integral dos US$ 100 milhões (cerca de R$ 514 milhões) em 2026. O financiamento terá carência de 66 meses e prazo de amortização de 20 anos, com pagamentos semestrais. Os juros serão calculados pela taxa SOFR, referência para empréstimos em dólares garantidos por títulos do Tesouro dos Estados Unidos, acrescida de margem variável definida pelo BID. Poderá haver ainda comissão de compromisso de até 0,75% ao ano sobre o saldo não desembolsado, sem cobrança de comissão de abertura.
A Secretaria do Tesouro Nacional estimou custo de 5% ao ano para a operação, ante 6,65% ao ano para uma captação do Tesouro no mercado internacional com prazo equivalente. Segundo a secretaria, o custo do empréstimo é aceitável.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
CAE aprova transição de três anos para novo piso de médicos e dentistas
O novo piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas será implantado gradualmente ao longo de três anos, conforme proposta aprovada nesta terça-feira (11) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O piso, já aprovado anteriormente pelo Senado, será de R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais. A proposta segue para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
O PL 1.365/2022, da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), já havia sido aprovado em votação final pela CAS. Mas um recurso levou a proposta ao Plenário, onde foram apresentadas quatro emendas. Como as mudanças têm impacto econômico e financeiro, as emendas foram encaminhadas à CAE, que aprovou o novo texto que estabelece a implantação gradual do novo piso.
Pela emenda aprovada, o piso será implantado em três etapas: 40% do valor no primeiro exercício financeiro após a publicação da lei, 70% no segundo e 100% no terceiro. Segundo o relatório do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a transição dará tempo para que empregadores públicos e privados se adaptem ao aumento e poderá reduzir impactos sobre o mercado de trabalho, sem alterar o valor final do piso.
O texto também prevê reajuste anual do piso pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na rede privada e eleva para 50% os adicionais pelo trabalho noturno e pelas horas extras. O piso atual é de R$ 3.636 para jornada de 20 horas semanais.
Emendas
O parecer de Nelsinho acolheu apenas uma das quatro emendas apresentadas em Plenário. Duas retiravam servidores públicos do alcance do piso ou do reajuste anual. Segundo o relator, não deve haver diferença de remuneração entre profissionais que exercem a mesma atividade apenas em razão do vínculo de trabalho.
A terceira tornava facultativa a compensação da União a estados, Distrito Federal e municípios pelo aumento das despesas com pessoal. Com a rejeição, foi mantida a previsão de compensação integral pela União, por meio do Fundo Nacional de Saúde (FNS).
A senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR), que é cirurgiã-dentista, defendeu a implantação gradual.
— Tão importante quanto garantir um novo piso é garantir que ele seja viável e possa, de fato, ser cumprido. Por isso, considero importante a implementação gradual, que permite a adaptação sem renunciar ao valor integral do piso — afirmou.
A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) destacou a importância de preservar o poder aquisitivo dos profissionais.
— Não adianta a gente votar esse piso e não ter algo que possa garantir que haja uma forma de evitar a perda desse poder aquisitivo — disse.
Também favorável à proposta, o senador Izalci Lucas (PL-DF) destacou as dificuldades para manter profissionais nos serviços de saúde diante das condições de contratação.
— É fundamental a gente aprovar esse piso dos médicos e dentistas, para que a gente possa, de fato, ter esses profissionais atuando com dignidade — afirmou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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