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Agro

E32 deve impulsionar demanda por etanol e fortalecer liderança do Brasil em bioenergia

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A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) deve representar um novo avanço estratégico para o Brasil, com impactos relevantes sobre a demanda por biocombustíveis, a segurança energética e o compromisso ambiental. A medida deve ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no início de maio, segundo o Ministério de Minas e Energia.

A expectativa do setor é de um efeito imediato no mercado. A ampliação da mistura pode gerar um aumento de aproximadamente 850 milhões de litros por ano na demanda por etanol anidro, além de contribuir para a redução das importações de gasolina.

Medida chega em momento estratégico para o setor

O avanço do E32 ocorre em um período considerado crucial, marcado pela renovação dos contratos de fornecimento de etanol anidro para a nova safra. A definição traz maior previsibilidade ao mercado e contribui para o equilíbrio entre oferta e demanda.

Com a expectativa de crescimento na produção, especialmente impulsionada pela cana-de-açúcar e pelo etanol de milho, o setor projeta um acréscimo superior a 4 bilhões de litros na safra atual. Nesse contexto, o aumento da mistura surge como mecanismo importante para absorver esse volume adicional.

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Impacto direto na competitividade dos combustíveis

Outro efeito relevante da medida está na relação de competitividade entre os combustíveis. Com maior participação do etanol anidro na gasolina, há uma mudança na dinâmica de consumo, favorecendo também o etanol hidratado.

Esse movimento amplia a paridade econômica entre os combustíveis, que tende a superar a referência tradicional de 70%, tornando o etanol ainda mais atrativo ao consumidor final.

Avanço na agenda de descarbonização

Além dos efeitos econômicos, o E32 reforça o protagonismo do Brasil na transição energética global. O país já é referência internacional pelo elevado uso de biocombustíveis, tanto pela mistura obrigatória quanto pela ampla adoção de veículos flex fuel.

A proposta está alinhada às diretrizes do programa Combustível do Futuro, que prevê o aumento gradual da mistura de etanol na gasolina, podendo chegar a 35% (E35) nos próximos anos.

Mercado mais estável e novos investimentos

Com maior oferta de matéria-prima e aumento da demanda, a tendência é de um mercado mais equilibrado ao longo do ciclo produtivo. A expectativa inclui redução da volatilidade de preços, melhores condições ao consumidor e estímulo a novos investimentos no setor.

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O avanço também abre espaço para novas oportunidades na bioenergia, incluindo o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis como o SAF (combustível sustentável de aviação) e o bio bunker, ampliando ainda mais o papel estratégico do Brasil no cenário energético global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões

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O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.

Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.

A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.

A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.

A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.

Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.

A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.

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Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.

A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.

Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.

A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.

O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.

A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.

O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.

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As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.

No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.

Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.

Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.

O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.

Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.

Fonte: Pensar Agro

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