Agro
Dólar recua com julgamento de Bolsonaro e expectativa por dados econômicos dos EUA
O dólar iniciou a quarta-feira (3) em queda frente ao real, em meio à atenção dos investidores para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e para a divulgação de indicadores econômicos nos Estados Unidos. Além disso, o mercado acompanha de perto os impactos das novas tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump e a divulgação dos resultados da produção industrial no Brasil.
Dólar abre em queda após sessão volátil
Às 9h04, o dólar à vista caía 0,27%, cotado a R$ 5,4601. Pouco depois, por volta das 9h40, a moeda americana ampliava as perdas e recuava 0,39%, negociada a R$ 5,452. Já o contrato futuro de primeiro vencimento, na B3, registrava baixa de 0,23%, a R$ 5,4930.
Na véspera, a divisa norte-americana havia subido 0,66%, encerrando o pregão a R$ 5,4748. No acumulado da semana e do mês, o dólar avança 0,96%, mas ainda acumula queda de 11,42% em 2025.
O Banco Central anunciou para esta sessão um leilão de até 40 mil contratos de swap cambial tradicional, com vencimento em 1º de outubro de 2025, para fins de rolagem.
STF retoma julgamento de Bolsonaro
No cenário doméstico, o mercado repercute o segundo dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete acusados no STF, por tentativa de golpe de Estado em 2022.
Investidores avaliam possíveis impactos políticos e diplomáticos, sobretudo no relacionamento com os Estados Unidos. Ontem, cresceu a preocupação de que uma eventual condenação leve o governo Trump a adotar novas sanções contra o Brasil, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky, que permite medidas contra indivíduos e instituições acusados de violações de direitos humanos e corrupção.
Esse temor pressionou o setor bancário na sessão anterior, com queda generalizada dos papéis. Entre as principais instituições, o Banco do Brasil recuou 3,18%, o Itaú caiu 1,70%, o Bradesco teve baixa de 1,16% e o Santander recuou 0,39%. A única exceção foi o BTG Pactual, que avançou 0,18%.
Ibovespa abre sob cautela
Na terça-feira (2), o Ibovespa caiu 0,67%, aos 140.335 pontos. O índice acumula queda de 0,77% na semana e no mês, mas ainda sustenta alta de 16,67% em 2025.
Segundo analistas, a volatilidade no câmbio e no mercado acionário tende a se intensificar durante o julgamento de Bolsonaro, diante da possibilidade de sanções adicionais dos EUA.
Economia dos EUA no radar do mercado
No cenário externo, os investidores aguardam a divulgação do relatório Jolts, que detalha o número de vagas abertas, contratações e desligamentos nos Estados Unidos em julho. O indicador pode reforçar expectativas em relação à política monetária do Federal Reserve.
Além disso, nesta semana, uma missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) participa de negociações em Washington para tratar das tarifas de 50% aplicadas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros desde agosto.
Produção industrial no Brasil recua em julho
No campo doméstico, o IBGE divulgou que a produção industrial brasileira caiu 0,2% em julho, após alta no segundo trimestre. O resultado ficou dentro das expectativas de analistas consultados pela Reuters, que projetavam retração de 0,2% no mês e avanço de 0,3% na comparação anual.
Frente a julho de 2024, houve crescimento de 0,2%. Ainda assim, o setor permanece 15,3% abaixo do pico histórico registrado em maio de 2011.
O desempenho segue prejudicado pelo juro básico elevado, com a Selic em 15%, e pela guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos, que já afeta setores exportadores.
Bolsas globais em movimento misto
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street encerraram a terça-feira em queda, refletindo incertezas sobre as tarifas comerciais. O Dow Jones recuou 0,55%, o S&P 500 caiu 0,71% e o Nasdaq perdeu 0,82%.
Na Europa, as bolsas operam em alta nesta quarta-feira, revertendo perdas da sessão anterior. O DAX da Alemanha sobe 0,80%, o FTSE 100 do Reino Unido avança 0,57% e o CAC 40 da França valoriza 0,97%.
Já na Ásia, os mercados tiveram desempenho misto: Xangai recuou 1,16%, o Hang Seng caiu 0,60% e o Nikkei perdeu 0,88%. Em contrapartida, Seul (+0,38%) e Taiwan (+0,35%) fecharam em alta.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Projeto de R$ 20 bi da Ferrogrão ganha sinal verde para ligar Sinop a Miritituba
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos impasses mais arrastados da infraestrutura nacional ao declarar a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, norma que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão (EF-170). Por um placar de 9 votos a 1, o veredito joga por terra o principal obstáculo jurídico que mantinha congelado o projeto de 933 quilômetros de trilhos, planejado para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.
A decisão foi recebida pelo agronegócio como um marco regulatório essencial para atrair os R$ 20 bilhões em investimentos privados necessários para tirar a obra do papel. Sob a perspectiva macroeconômica, a Ferrogrão é vista como o eixo de ruptura da dependência crônica do modal rodoviário na BR-163, com potencial para reduzir em até 20% o custo do frete de commodities agrícolas, como soja e milho, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que atuou no processo, aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram atualmente cerca de 70% da produção nacional de grãos, mas os portos do Arco Norte escoam apenas 34% desse volume. A consolidação da ferrovia deve acelerar o redirecionamento desse fluxo, aliviando o gargalo logístico dos portos das regiões Sul e Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).
O julgamento foi balizado pelo voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou os argumentos de descumprimento de salvaguardas ambientais apresentados na ação original do PSOL. Moraes argumentou que o texto legal previu a devida compensação ecológica pela redução da unidade de conservação e destacou que o traçado ferroviário não intercepta terras indígenas homologadas, situando-se a quatro quilômetros da reserva mais próxima, a Terra Indígena Praia do Mangue.
O julgamento, que havia sido interrompido no ano passado, foi concluído com o voto do ministro Flávio Dino. Ao acompanhar o relator, Dino propôs condicionantes para a execução do projeto, determinando que qualquer alteração futura no perímetro da ferrovia não poderá afetar áreas indígenas em um raio de 250 quilômetros, além de defender que as comunidades tradicionais sejam ressarcidas ou tenham participação nos lucros caso sejam registrados impactos socioambientais imprevistos.
O único voto divergente foi do ministro Edson Fachin, que considerou inconstitucional a alteração de reservas ambientais por meio de Medida Provisória, rito utilizado na origem do projeto durante o governo de Michel Temer.
Com o desfecho na Suprema Corte, o projeto da Ferrogrão sai da arena jurídica e ingressa na fase de viabilidade técnica. O Ministério dos Transportes informou que aguarda a conclusão da análise de modelagem de concessão e matriz de riscos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar o edital de leilão.
Lideranças do setor produtivo, como a Aprosoja Brasil, avaliam que a segurança jurídica conferida pelo STF deve acelerar o crivo da Corte de Contas, posicionando a ferrovia como um dos principais ativos de infraestrutura para captação de capital estrangeiro na América Latina nos próximos anos.
Fonte: Pensar Agro
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