Agro
Congresso do Agronegócio discutirá crédito e comércio exterior
Os efeitos da instabilidade internacional sobre o comércio agrícola, as dificuldades de financiamento e as prioridades do setor para o próximo governo estarão entre os principais temas do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio. O encontro será realizado em 10 de agosto, no Sheraton São Paulo WTC Hotel, na capital paulista.
Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) em parceria com a B3, o congresso terá como tema “Agro & Indústria — integrando e transformando o Brasil”. A programação concentra discussões com impacto direto sobre a atividade rural, como acesso ao crédito, seguro, infraestrutura, novas tecnologias, acordos comerciais e segurança jurídica.
A primeira mesa-redonda tratará da posição do agronegócio brasileiro diante das mudanças geopolíticas. O debate deverá abordar o avanço do protecionismo, os conflitos internacionais, a reorganização das cadeias de abastecimento e as exigências ambientais impostas aos produtos agropecuários.
Para o produtor, esses movimentos podem interferir nos preços recebidos, no custo dos fertilizantes e de outros insumos importados, no câmbio e no acesso a mercados. A discussão ganhou importância diante do aumento das disputas comerciais e da utilização de tarifas como instrumento de pressão entre países.
O painel terá a participação do embaixador Alexandre Parola e do diplomata Braz Baracuhy, com mediação do jornalista William Waack.
Outra parte da programação será dedicada às tecnologias desenvolvidas pela indústria para o campo. Automação, conectividade, biotecnologia, bioenergia e novas fontes de energia estarão entre os assuntos previstos.
A proposta é discutir como essas soluções podem elevar a produtividade e reduzir custos, mas também os obstáculos à adoção no meio rural. Entre eles estão a falta de conectividade, o custo inicial dos equipamentos e a dificuldade de acesso ao crédito para investimentos de longo prazo.
Participarão desse painel representantes da Solinftec, da Inpasa e da Bosch América Latina. O congresso também terá apresentações curtas sobre infraestrutura digital, verticalização da produção e tecnologias ambientais aplicadas ao agronegócio.
O crédito rural será tratado em um painel específico sobre investimentos e financiamento em períodos de volatilidade. A programação inclui discussões sobre seguro rural, gestão de risco, mercado de capitais e alternativas ao financiamento bancário tradicional.
O assunto chega ao congresso em um momento de margens mais estreitas em diferentes cadeias produtivas, aumento dos custos financeiros e maior dificuldade para renegociar compromissos. Também cresce a procura por instrumentos privados, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), fundos de investimento e operações estruturadas por meio do mercado de capitais.
Representantes da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), da B3, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e da agência de classificação de risco S&P Global Ratings participarão da discussão.
A agenda política também terá espaço. A mesa “Novo Governo: Prioridades e Compromissos” deverá apresentar propostas do setor para o próximo mandato presidencial. Infraestrutura, ambiente regulatório, comércio exterior, inovação e integração entre produção rural e indústria estão entre os pontos previstos.
Segundo a organização, os candidatos à Presidência da República deverão receber um documento com demandas elaboradas pela Abag. A programação publicada até o momento, porém, não informa quais candidatos participarão presencialmente do encontro.
A mesa terá o pesquisador Alberto Pfeifer, do Insper Agro Global, o economista Sérgio Vale e Luiz Carlos Corrêa Carvalho, do conselho estratégico da Abag. O encerramento está previsto para ser feito pelo ex-presidente Michel Temer, em palestra sobre perspectivas políticas e econômicas.
O evento também entregará o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade à pesquisadora Iêda de Carvalho Mendes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ela participou do desenvolvimento da Bioanálise de Solo (BioAS), metodologia usada para avaliar a atividade biológica dos solos agrícolas.
O Prêmio Ney Bittencourt de Araújo, destinado a personalidades do agronegócio, será entregue a Luiz Carlos Corrêa Carvalho, sócio-diretor da consultoria Canaplan.
Realizado desde 2002, o Congresso Brasileiro do Agronegócio chega à 25ª edição. No ano passado, reuniu mais de 800 participantes presenciais e registrou aproximadamente 3 mil acessos à transmissão pela internet, conforme os organizadores.
Serviço
Evento: 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio
Data: 10 de agosto de 2026
Horário: credenciamento às 8h; programação das 9h às 18h
Local: Sheraton São Paulo WTC Hotel — Avenida das Nações Unidas, 12.559, Brooklin, São Paulo (SP)
Inscrição presencial: R$ 1.420, com almoço e intervalos incluídos
Transmissão on-line: gratuita, mediante cadastramento prévio
Inscrições e programação: congressoabag.com.br
Fonte: Pensar Agro
Agro
Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões
O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.
Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.
A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.
A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.
A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.
Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.
A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.
Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.
A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.
Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.
A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.
O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.
A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.
O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.
As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.
No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.
Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.
Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.
O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.
Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.
Fonte: Pensar Agro
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