Política Nacional
‘Confio no papel decisivo da Câmara e do Senado’, diz Guedes sobre reforma da Previdência
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira (27) que confia no “papel decisivo” da Câmara e do Senado na reforma da Previdência.
Guedes deu a declaração após se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), na residência oficial do parlamentar.
Há duas semanas, o ministro criticou mudanças no texto da reformafeitas na comissão especial da Câmara que analisa o tema. As críticas estremeceram a relação entre Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
“Estamos todos muito construtivos, eu confio nessa capacidade de articulação política, no papel decisivo tanto da Câmara dos Deputados, quanto do Senado”, disse Guedes a jornalistas, ao lado de Alcolumbre .
Guedes foi questionado sobre as mudanças no texto da reforma. Desta vez, o ministro disse que “cada um tem seu papel”, em referência ao trabalho de deputados e senadores que analisam o tema.
“Sobre o relatório, vocês sabem, cada um tem o seu papel. O papel do Ministério da Economia era mandar a proposta. E a proposta ia até R$ 1,2 trilhão. Quando sai o relatório, o parecer, é natural que eu dissesse. O BPC eu achei apreciável, eu achei também muito interessante a retirada do rural, achei que a retirada dos servidores públicos não era tão interessante, porque podia atingir a potência fiscal do pacote, e me ressenti também a retirada dos estados e municípios”, declarou.
O ministro disse ainda que um dos itens retirados do texto que ele gostaria que voltassem para a reforma é a inclusão de estados e municípios nas novas regras previdenciárias.
“É importante para as finanças deles [estados e municípios] também. Porque senão, lá na frente, eles estão fragilizados com as finanças deles, e em vez de usar os recursos do Pré-Sal e esse Novo Pacto Federativo para crescerem vão usar para pagar contas”, disse.
Governadores
Após a reunião, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pediu participação dos governadores para que estados e municípios voltem para a reforma.
“É preciso que os governadores digam que apoiam a reforma da Previdência, que querem a inclusão dos estados e municípios, mas é preciso que eles reúnam as suas bancadas para pedir para as suas bancadas para apoiarem a reforma”, afirmou.
Segundo Alcolumbre, os governadores se comprometeram a tentar buscar uma saída para devolver os estados e municípios para a reforma.
“A gente sabe da importância dessa reforma para equilibrar as contas públicas e, muito mais do que isso, da segurança para muitos investidores vierem para o Brasil, investirem no Brasil, fazer a economia girar, para gerar os empregos que os brasileiros esperam da política, do Congresso e do governo”, disse.
Por Laís Lis, G1 — Brasília
Política Nacional
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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