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Conab fortalece Mecaniza+ para ampliar mecanização e produtividade na agricultura familiar

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Mecaniza+ ganha destaque em feira nacional do setor

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou os avanços do programa Mecaniza+ durante a Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para a Agricultura Familiar, realizada nesta terça-feira (17), no Expo Dom Pedro, em Campinas (SP). A iniciativa foi destacada como estratégica para ampliar o uso de tecnologias no campo e promover a modernização da agricultura familiar brasileira.

Baixa mecanização ainda limita a produtividade rural

Segundo o diretor-executivo de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas da Conab, Lenildo Morais, um dos principais entraves da produção agrícola no país é a limitação da produtividade, frequentemente associada à escassez de mão de obra e ao baixo nível de mecanização.

Nesse cenário, o Mecaniza+ surge como uma alternativa estruturante, desenvolvida em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), com foco na ampliação da capacidade produtiva de cooperativas e associações da agricultura familiar.

Programa atua de forma integrada em toda a cadeia produtiva

O Mecaniza+ vai além da simples disponibilização de máquinas agrícolas. O projeto foi concebido para atender diferentes etapas da cadeia produtiva, promovendo uma atuação integrada no campo.

Entre as principais frentes estão:

  • Mecanização das atividades agrícolas;
  • Aquisição de equipamentos para processamento;
  • Implantação de estruturas de armazenamento, como pequenos silos;
  • Fortalecimento de agroindústrias familiares;
  • Uso de energia solar;
  • Estímulo à comercialização por meio de redes locais.

A proposta também inclui a criação de parcerias com pequenos estabelecimentos comerciais urbanos, como mercadinhos e quitandas, ampliando o acesso de produtos da agricultura familiar ao consumidor final. Para isso, o programa prevê apoio com infraestrutura, incluindo freezers, balcões e câmaras frias.

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Agroindústria familiar amplia acesso a proteínas nas compras públicas

Durante a apresentação, Morais destacou que a participação de proteínas animais — como peixe, frango e ovos — nas compras institucionais ainda enfrenta limitações, principalmente pela ausência de certificações sanitárias adequadas.

Para superar esse desafio, o Mecaniza+ prevê investimentos no fortalecimento e na implantação de agroindústrias familiares, ampliando a capacidade de processamento e agregação de valor. A iniciativa contempla tanto produtos de origem vegetal quanto animal, facilitando a inserção desses itens em programas públicos de aquisição de alimentos.

Projeto piloto já distribuiu kits de máquinas em vários estados

O programa está atualmente em fase de validação, com a distribuição de 150 kits de máquinas em diferentes estados. Os equipamentos são utilizados de forma compartilhada por cooperativas e associações.

Com tecnologia de monitoramento e rastreamento, é possível acompanhar o desempenho das máquinas e os resultados obtidos em campo. A expectativa é de aumento de até 30% na produtividade, além de ganhos operacionais e redução do esforço físico dos trabalhadores rurais.

Estratégia inclui captação de recursos para expansão nacional

A Conab também trabalha na ampliação do programa em nível nacional. A estratégia envolve a busca por recursos internacionais, com negociações em andamento junto a instituições financeiras globais.

O objetivo é garantir investimentos robustos que permitam a expansão do Mecaniza+ e sua consolidação como política pública de alcance nacional.

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Capacitação técnica é pilar para uso eficiente da tecnologia

A qualificação dos produtores rurais é considerada essencial para o sucesso do programa. Durante o evento, foi reforçada a importância da capacitação técnica como complemento ao acesso às máquinas.

O IFRN será responsável pela oferta de cursos específicos, com conteúdos voltados à operação, manutenção preventiva e corretiva, além de segurança no uso dos equipamentos. O material será disponibilizado em plataforma digital.

O programa também prevê a capacitação de equipes regionais da Conab, fortalecendo a integração com outras ações voltadas ao desenvolvimento da agricultura familiar.

Parcerias com empresas garantem soluções adaptadas ao produtor

O Mecaniza+ conta ainda com a participação de empresas parceiras no desenvolvimento de tecnologias voltadas à realidade do campo.

De acordo com o diretor técnico da LiveFarm, Joelcio Carvalho, a proposta é disponibilizar equipamentos mais acessíveis, ergonômicos e funcionais, que aumentem a autonomia do agricultor. Ele ressalta que a capacitação é fundamental para evitar a subutilização das ferramentas e garantir melhor desempenho no campo.

Programa aposta na modernização para fortalecer a agricultura familiar

Com uma abordagem integrada, que abrange desde a produção até a comercialização, o Mecaniza+ se consolida como uma iniciativa estratégica para o fortalecimento da agricultura familiar.

A expectativa é de que o programa contribua para elevar a produtividade, ampliar a geração de renda e promover maior inclusão produtiva no meio rural brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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