Agro
Commodities entram em fase decisiva no último trimestre de 2025, aponta relatório da StoneX
A StoneX, empresa global de serviços financeiros, divulgou a 33ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, durante o 8º Seminário StoneX, em São Paulo. O documento reúne análises detalhadas sobre os mercados de grãos, energia, fertilizantes, metais e soft commodities, com foco nas tendências para o último trimestre de 2025.
Cenário global de 2025 é marcado por incertezas e tensões comerciais
De acordo com o relatório, o ano de 2025 tem sido caracterizado por forte volatilidade nos mercados internacionais, impulsionada por tensões comerciais, mudanças nas políticas monetárias globais e desafios econômicos específicos de cada setor.
O gerente de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, Vitor Andrioli, explicou que o crescimento econômico mundial acima do esperado foi resultado de uma antecipação às tarifas comerciais, o que estimulou temporariamente a indústria e o comércio global.
Entretanto, segundo ele, a consolidação dessas barreiras deve desacelerar o ritmo da economia em 2026, com impactos mais intensos sobre os Estados Unidos. Já China e Índia tendem a adotar medidas de estímulo moderadas para sustentar o crescimento.
Grãos e energia sob pressão no mercado internacional
Entre os segmentos analisados, o relatório aponta que soja, milho e trigo enfrentam pressões baixistas devido às safras abundantes registradas em grandes produtores globais.
No setor de energia, mesmo diante de riscos geopolíticos, os preços seguem em níveis mais baixos, refletindo o enfraquecimento da demanda e a recomposição dos estoques internacionais.
Já as soft commodities, como cacau e café, atravessam um momento de desequilíbrio entre oferta e demanda, o que tem mantido a volatilidade dos preços. O relatório também chama atenção para o mercado de metais, onde há sinais de escassez de prata, impulsionada pela demanda crescente da indústria tecnológica.
No Brasil, o real continua vulnerável ao cenário fiscal, embora sustentado pelos juros elevados, o que mantém o país em posição de destaque no mercado de capitais emergentes.
Agronegócio brasileiro segue como pilar do PIB nacional
Na abertura do seminário, o CEO da StoneX Brasil e Paraguai, Fábio Solferini, destacou o papel estratégico do agronegócio brasileiro, que já responde por cerca de 30% do PIB do país.
“O Brasil é peça-chave no abastecimento global de alimentos e energia. Crescemos de forma consistente no agro, e a boa notícia é que temos condições de dobrar nossa produção sem necessidade de desmatamento”, afirmou Solferini.
Ele também reforçou que desafios logísticos, como armazenamento e transporte, ainda são gargalos importantes, mas destacou a capacidade do setor de superá-los com inovação e investimento.
“A StoneX está atenta a esses pontos e comprometida em apoiar o desenvolvimento do agronegócio com inteligência de mercado, soluções financeiras e uma visão global integrada”, acrescentou.
Relatório busca orientar decisões em cenário complexo
O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities tem como objetivo oferecer análises técnicas e estratégicas que apoiem o planejamento e a tomada de decisão de agentes de mercado em um ambiente global cada vez mais complexo.
“Com uma abordagem integrada, buscamos apoiar nossos clientes na navegação dos riscos e na identificação de oportunidades com maior clareza”, concluiu Andrioli.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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