Connect with us


Agro

Comércio Brasil-EUA perde participação histórica e registra menor peso nas exportações brasileiras desde 1997

Publicado em

A participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro atingiu o menor nível histórico para um primeiro semestre, segundo levantamento da Amcham Brasil. O Monitor do Comércio Brasil–EUA revelou que a corrente comercial entre os dois países somou US$ 36,4 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, registrando queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado reflete a retração tanto das exportações brasileiras para o mercado norte-americano quanto das importações. As vendas do Brasil aos Estados Unidos recuaram 13%, totalizando US$ 17,4 bilhões, enquanto as compras de produtos americanos caíram 12,5%, para US$ 19 bilhões.

Com esse desempenho, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor percentual registrado em um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997. Na corrente de comércio total do Brasil, a fatia americana ficou em 11,1%, também no menor patamar histórico.

Estados Unidos perdem espaço no comércio exterior brasileiro

Apesar da redução, os Estados Unidos continuam como o segundo maior parceiro comercial do Brasil em bens e permanecem como o principal destino das exportações brasileiras de produtos industrializados.

O resultado, porém, contrasta com o crescimento das vendas externas brasileiras para outros mercados no primeiro semestre de 2026. As exportações totais do Brasil avançaram 11,5%, enquanto os embarques para a China cresceram 21,9% e para a União Europeia aumentaram 12,8%.

Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, o cenário reforça a necessidade de avanços nas negociações comerciais entre os dois países.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas”, afirmou.

A entidade avalia que uma ampliação das sobretaxas dentro da investigação da Seção 301 poderia comprometer ainda mais o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Leia mais:  Brahman Brasileiro Brilha na 21ª ExpoBrahman e Atrai Olhares Internacionais
Produtos sobretaxados concentram maior queda nas exportações

A análise da Amcham mostra que os produtos brasileiros sujeitos a tarifas adicionais foram responsáveis pela maior parcela da retração das exportações no semestre.

Enquanto os embarques de produtos sobretaxados recuaram 16,6%, as vendas de itens sem sobretaxa apresentaram queda menor, de 8,7%.

Entre os produtos afetados pelas tarifas adicionais:

  • produtos enquadrados na tarifa de 10% tiveram queda de 25,9%;
  • itens submetidos à Seção 232 recuaram 6,7%.

Os maiores impactos foram observados em importantes produtos da pauta brasileira, como:

  • semiacabados de ferro e aço: -21,7%;
  • caminhões: -46,7%;
  • madeira: -40,5%;
  • cobre: -37,4%.

Desde a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro, que revogou tarifas adicionais aplicadas com base no IEEPA, o número de produtos brasileiros livres de sobretaxas aumentou de 382 para 1.488 itens.

Mesmo assim, permanecem tarifas adicionais de 10% pela Seção 122 e de até 50% para produtos enquadrados na Seção 232, mantendo pressão sobre setores relevantes da economia brasileira.

Exportações para os Estados Unidos apresentam reação em junho

Apesar do desempenho negativo acumulado no semestre, junho trouxe um sinal de recuperação nas relações comerciais entre os dois países.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em valor na comparação com junho de 2025, encerrando uma sequência de dez meses consecutivos de queda.

O avanço foi impulsionado principalmente pelos produtos sem sobretaxa, que registraram alta de 35,8%, com destaque para:

  • aeronaves: +299,4%;
  • óleos combustíveis de petróleo: +89,3%.

Por outro lado, os produtos sujeitos às tarifas adicionais continuaram pressionados, com retração de 17% no mês.

Leia mais:  Setor canavieiro do Nordeste alerta para risco de colapso com possível abertura do mercado de etanol aos EUA
Indústria brasileira perde US$ 1,4 bilhão em exportações aos EUA

O setor industrial foi um dos mais afetados pela redução do comércio bilateral.

As exportações brasileiras de produtos industriais para os Estados Unidos caíram de US$ 16 bilhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 14,6 bilhões em 2026, uma perda de aproximadamente US$ 1,4 bilhão.

Mesmo com a retração, a indústria de transformação permaneceu como o principal componente das vendas brasileiras ao mercado americano, representando 83,9% das exportações nacionais destinadas aos Estados Unidos.

Entre os produtos industriais que apresentaram crescimento nas vendas estão:

  • aeronaves: +32,9%;
  • equipamentos para engenharia civil: +23,8%;
  • máquinas de energia elétrica: +16%.

Na direção oposta, produtos tradicionais da pauta brasileira registraram forte queda:

  • petróleo bruto: -30,4%;
  • café não torrado: -34,8%;
  • semiacabados de ferro e aço: -21,7%;
  • celulose: -9,4%.
Tarifas e negociação comercial seguem no centro das discussões

A divulgação do Monitor do Comércio Brasil–EUA ocorre em meio ao debate sobre os possíveis impactos da investigação conduzida pelo governo americano no âmbito da Seção 301.

Durante audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a Amcham Brasil defendeu o diálogo e a negociação bilateral como alternativas para solucionar divergências comerciais.

A entidade destacou que novas tarifas poderiam gerar impactos negativos tanto para empresas brasileiras quanto para consumidores e setores produtivos dos Estados Unidos.

O cenário indica que a evolução das negociações comerciais será determinante para definir o ritmo das exportações brasileiras ao mercado americano nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook

Agro

Agro exporta R$ 45,6 bilhões e mantém 3º lugar no país

Published

on

O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026 e manteve o Estado como o terceiro maior exportador do setor no país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. O resultado veio mesmo com uma queda de 9,6% na receita em relação ao mesmo período do ano passado, puxada principalmente pela redução dos embarques de café.

Entre janeiro e junho, Minas enviou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 166 países. O volume foi 3% menor que o registrado no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, o Estado respondeu por 10,3% de tudo o que o agronegócio brasileiro vendeu ao exterior e o setor representou 40,9% da receita total das exportações mineiras.

Os números, levantados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) a partir dos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram uma mudança importante dentro da pauta. O café continuou dominante, mas soja e carnes ganharam espaço e ajudaram a amortecer a retração do principal produto mineiro.

O café respondeu sozinho por R$ 22,9 bilhões, pouco mais da metade de toda a receita agropecuária obtida no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre. A disponibilidade menor do produto reduziu os volumes, embora o preço médio de exportação tenha aumentado cerca de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.

A influência do café sobre os números mineiros é enorme. No primeiro trimestre, por exemplo, as exportações do produto haviam caído 31,5% em volume e 18,5% em receita. O recuo foi suficiente para puxar para baixo o resultado de todo o agronegócio estadual, mesmo enquanto outras cadeias registravam crescimento.

Isso ajuda a explicar uma aparente contradição: Minas continua entre os maiores exportadores agrícolas do Brasil, mas vendeu menos que no ano passado. Em 2025, o agronegócio mineiro havia alcançado o recorde de aproximadamente R$ 101 bilhões em vendas externas, resultado favorecido principalmente pela forte valorização internacional do café. A comparação de 2026, portanto, ocorre sobre uma base excepcionalmente elevada.

Leia mais:  Federarroz pede ações do governo para proteger produção nacional de arroz da concorrência externa

A soja foi uma das cadeias que impediram uma retração maior. O complexo formado por grão, farelo e óleo movimentou aproximadamente R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de cerca de 10% sobre 2025. O avanço também revela uma mudança na composição das vendas, com maior presença de farelo e óleo, produtos que passam por processamento antes de deixar o Estado.

As carnes apresentaram outro desempenho positivo. Os embarques de carne bovina, suína e de frango renderam aproximadamente R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% na comparação anual. O volume chegou a 247,3 mil toneladas, 3,7% acima do primeiro semestre do ano passado.

A diferença entre o crescimento da receita e o avanço do volume mostra que o valor médio das carnes exportadas aumentou. O movimento beneficia uma cadeia importante para Minas, que possui produção expressiva de bovinos, aves e suínos e uma estrutura industrial formada por frigoríficos, cooperativas e empresas de processamento.

O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, gerou cerca de R$ 2,7 bilhões em exportações no semestre. Os produtos florestais, que incluem celulose, madeira e papel, ficaram próximos de R$ 2,6 bilhões.

Juntos, café, complexo soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais concentraram mais de 96% das exportações do agronegócio mineiro. A pauta é concentrada em grandes cadeias, mas começa a apresentar nichos com maior grau de processamento e produtos ligados à tradição regional.

Minas também aparece entre os principais fornecedores brasileiros de produtos como mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite. Embora movimentem valores menores, essas cadeias têm importância porque permitem a entrada de cooperativas e agroindústrias de menor porte em mercados internacionais.

A diversificação também aparece nos destinos. A China permaneceu como principal comprador do agronegócio mineiro, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A União Europeia tem peso especial para o café: no primeiro quadrimestre, aproximadamente 94% do valor comprado pelo bloco de Minas estava concentrado no produto.

Leia mais:  Intempéries climáticas faz produtores segurarem as vendas da safra

O peso do campo vai além das exportações. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária mineira alcançou o recorde de R$ 167,8 bilhões em 2025. Para 2026, as projeções divulgadas ao longo do ano mantêm o faturamento próximo desse patamar, embora com comportamentos diferentes entre as cadeias.

As lavouras representam aproximadamente dois terços do VBP estadual e o café continua na liderança. Estimativas divulgadas pela Seapa indicavam faturamento superior a R$ 60 bilhões para a cultura em 2026. Soja, cana-de-açúcar e milho aparecem na sequência entre as principais atividades agrícolas.

Na pecuária, a carne bovina segue como principal componente do faturamento. A projeção divulgada neste ano apontava para cerca de R$ 20 bilhões, enquanto o leite, outra atividade tradicional de Minas, enfrentava cenário mais difícil, com queda de preços e pressão sobre a rentabilidade do produtor.

Esse conjunto mostra que o desempenho do agronegócio mineiro em 2026 não pode ser resumido apenas à queda das exportações. O Estado atravessa uma acomodação depois do recorde registrado no ano passado, enquanto algumas cadeias ganham espaço justamente no momento em que o café perde parte da força excepcional observada em 2025.

Para o produtor, essa diversificação reduz parcialmente a dependência de uma única commodity, mas não elimina os riscos. Café, soja, carnes e produtos florestais continuam fortemente expostos ao câmbio, aos preços internacionais, ao custo do crédito, às condições climáticas e às exigências dos mercados compradores.

Mesmo nesse ambiente, Minas chega à segunda metade de 2026 com o agronegócio respondendo por quatro de cada dez reais obtidos pelo Estado com exportações. Mais do que o valor absoluto dos R$ 45,6 bilhões, é essa participação, combinada à presença em 166 mercados e à expansão de cadeias além do café, que ajuda a explicar por que o campo permanece como uma das principais bases da economia mineira.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262