Agro
Codevasf e FAO fortalecem parceria para ampliar irrigação sustentável e apoiar agricultura familiar no Brasil
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) recebeu representantes da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para discutir o fortalecimento do programa “Irrigar para Desenvolver”, iniciativa voltada à promoção da irrigação sustentável e ao apoio à agricultura familiar.
O encontro contou com a presença da diretora da Área de Irrigação e Operações da Codevasf, Alessandra Rossin, da coordenadora de Cooperação Técnica da FAO, Giselle Duarte, e do coordenador de Fundos Internacionais da FAO, Tiago Rocha.
Projeto brasileiro está alinhado aos pilares estratégicos da FAO
Durante a reunião, a Codevasf apresentou as ações do programa “Irrigar para Desenvolver”, destacando sua convergência com os quatro pilares estratégicos da FAO:
- Melhor Produção
- Melhor Nutrição
- Melhor Ambiente
- Melhor Qualidade de Vida
A organização internacional demonstrou interesse em apoiar o projeto, reconhecendo seu potencial para contribuir com o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais brasileiras.
Segundo Alessandra Rossin, o diálogo com a FAO reforça a relevância da iniciativa:
“Receber a FAO e apresentar o nosso programa reforça o compromisso da Codevasf com a agricultura familiar e a irrigação sustentável. É uma oportunidade de expandir nossos resultados e gerar impactos positivos para comunidades em todo o país.”
Parceria internacional amplia alcance de projetos de irrigação
O encontro também abordou os desdobramentos da segunda Reunião do Comitê Gestor do Programa de Desenvolvimento de Regiões Irrigadas e Políticas de Agricultura Familiar, realizada em Angola, no início de novembro.
O evento marcou o início de um novo ciclo de cooperação entre Brasil e Angola, voltado à avaliação dos resultados de 2023 a 2025 e à elaboração do Plano de Trabalho 2026–2028. O foco principal será o fortalecimento da agricultura familiar, o uso eficiente dos recursos hídricos e a expansão de áreas irrigadas sustentáveis, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2 e 6 da Agenda 2030 da ONU.
Tecnologia a favor do uso racional da água
O programa “Irrigar para Desenvolver” também vem incorporando ferramentas tecnológicas para aprimorar o manejo da irrigação. Um dos marcos dessa inovação foi o lançamento do aplicativo de irrigação inteligente, realizado em maio de 2024, durante a AgroBrasília — feira voltada à difusão de tecnologias e negócios para o agronegócio.
A ferramenta oferece orientações personalizadas para o uso eficiente da água, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e o aumento da produtividade rural, especialmente entre os pequenos produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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