Agro
Clima no Sul e avanço da colheita influenciam mercado da soja no Brasil e exterior
Estresse hídrico preocupa produtores no Sul e reduz ritmo de vendas
O mercado brasileiro de soja segue atento às condições climáticas no Sul e ao avanço da colheita no Centro-Oeste, fatores que têm influenciado tanto a formação de preços quanto o ritmo de comercialização. Segundo análise da TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul enfrenta um cenário crítico de falta de chuvas e calor intenso, com relatos de lavouras praticamente perdidas em diversas regiões.
A preocupação com perdas produtivas mantém os produtores retraídos. No Porto de Rio Grande, a soja disponível é negociada a R$ 130,00 por saca, com cotações anteriores de R$ 129,00 e projeções de R$ 126,00 para março de 2026. No interior, os valores variam de R$ 116,00 em Não-Me-Toque a R$ 119,82 em Ijuí. Cidades como Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa registram médias próximas de R$ 118,00.
Em Santa Catarina, o mercado mantém estabilidade, com foco no abastecimento das cadeias de suínos e aves. Palma Sola recuou 0,85%, cotada a R$ 117,00, enquanto Rio do Sul manteve os preços. No Porto de São Francisco do Sul, a saca atingiu R$ 128,00, alta de 1,19%.
Colheita avança no Paraná e Centro-Oeste pressiona logística
O Paraná já colheu 20% da área plantada, com destaque para o Oeste do estado, que chega a 50% e produtividade média de 200 sacas por alqueire, segundo a Lar Cooperativa. O Indicador Cepea/Esalq subiu 0,20%, fechando em R$ 119,46. Nos portos, Paranaguá registrou R$ 128,00 no disponível e R$ 125,00 para março. No interior, Cascavel e Maringá operam a R$ 120,00 e R$ 121,00, respectivamente.
No Mato Grosso do Sul, Dourados tem soja a R$ 110,00, pressionada pela necessidade de liberar espaço para a safrinha. Já o Mato Grosso alcançou 49,49% da produção comercializada e 40% da área colhida, com alta nos fretes entre 7% e 11%. Os preços variam de R$ 100,20 em Sorriso a R$ 108,20 em Rondonópolis.
Soja enfrenta pressão em Chicago e dólar mais fraco
A Bolsa de Chicago (CBOT) opera com leve alta de 0,15% no contrato de março/26, cotado a US$ 11,21 por bushel, após a divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento trouxe dados baixistas, mas as perdas são limitadas pela possibilidade de aumento da demanda chinesa.
No câmbio, o dólar comercial registra queda de 0,21%, a R$ 5,1855, o que reduz a competitividade do grão brasileiro no exterior. O Dollar Index também cede 0,07%, a 96,73 pontos.
Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o mercado teve melhora nas movimentações e preços recentemente, especialmente nos portos. “A colheita é o foco principal do produtor, mas as chuvas no Centro-Oeste e a seca no Sul têm trazido muita preocupação”, destacou.
Cenário internacional: clima na Argentina e expectativa de exportações
Na Argentina, o clima quente e seco mantém o suporte para os preços do farelo e óleo de soja, impulsionando o complexo soja na CBOT. Além disso, protestos e greves relacionados à reforma trabalhista no país elevam o risco de paralisações em portos e indústrias, o que reforça a alta nos contratos futuros.
O óleo de soja também apresenta ganhos, acompanhando o movimento positivo nos óleos vegetais após novos acordos comerciais internacionais, com destaque para o entendimento entre Índia e Estados Unidos.
Em Chicago, o contrato de soja para março fechou com alta de 0,13%, cotado a 1.124,00 centavos de dólar por bushel, enquanto o vencimento maio subiu 0,18%. O farelo avançou 0,73% e o óleo recuou 0,38%.
De acordo com a TF Agroeconômica, o mercado encontrou suporte nas declarações do ex-presidente Donald Trump, que sugeriu aumento nas compras de soja pela China, estimadas em até 20 milhões de toneladas.
Exportações brasileiras e expectativas para fevereiro
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) elevou a estimativa de embarques de soja brasileira em fevereiro para 11,71 milhões de toneladas, refletindo o bom ritmo de colheita e demanda firme. O mercado aguarda agora os próximos dados da Conab, que devem ajustar as projeções de produtividade diante dos impactos climáticos observados no Sul do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Galinhas soltas e felizes, ovos caipiras, orgânicos: Mapa acompanha diversificação do mercado
Happy eggs, galinhas livres, ovos orgânicos, caipiras, com ômega 3, líquidos ou em pó, brancos, vermelhos e até azulados. O mercado de ovos no Brasil oferece uma variedade de produtos e sistemas de produção. As diferentes denominações estão relacionadas às características do sistema de criação, à composição ou ao processamento do alimento e devem observar as regras previstas para produção e rotulagem.
De acordo com o Instituto Ovos Brasil, o consumo por habitante passou de 120 ovos por ano, em 2010, para 310 ovos em 2026. O país é o sexto maior consumidor e o quarto maior produtor mundial.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) acompanha a evolução do setor, estabelece normas para a produção e fiscaliza estabelecimentos e produtos de origem animal, dentro de suas competências. Os produtos podem ser identificados conforme a espécie de origem e as características do sistema de produção. No caso de ovos de outras aves, como codornas, patos e avestruzes, a espécie deve ser informada na embalagem. Denominações como “caipira” e “orgânico” também devem observar regras específicas de produção e rotulagem.
DIFERENÇAS
Os ovos convencionais, brancos ou vermelhos, apresentam a mesma composição nutricional. A principal diferença entre eles está relacionada à linhagem ou raça das galinhas: ovos brancos geralmente vêm de aves de penas brancas, enquanto os de casca vermelha são produzidos por linhagens de penas mais escuras. A cor da casca, por si só, não determina diferenças nutricionais.
Na produção convencional, as aves podem ser criadas em diferentes sistemas, inclusive em gaiolas, conforme as normas aplicáveis.
A produção de ovos caipiras prevê requisitos específicos para a criação das aves, incluindo acesso a áreas externas de pastejo. As áreas destinadas às aves devem observar medidas de biosseguridade para reduzir riscos sanitários, inclusive relacionados ao contato com aves silvestres.
Já as galinhas criadas em sistemas livres de gaiolas ficam soltas em galpões. Conforme o sistema adotado, podem ter ou não acesso a áreas externas. As condições de criação e a densidade das aves devem observar os requisitos previstos para o sistema de produção.
Expressões como “galinhas felizes” ou “happy eggs” podem ser utilizadas como estratégia de comunicação ou marketing. Elas, no entanto, não substituem as denominações e informações exigidas pela legislação. Quando a embalagem apresenta uma característica diferenciada, a informação deve corresponder às condições efetivamente verificadas na produção.
Também existem ovos cuja composição é associada à presença de nutrientes específicos, como ômega 3, selênio ou vitamina E. Nesses casos, a alimentação fornecida às aves pode ser formulada para influenciar a composição do produto final. As informações e alegações apresentadas na embalagem devem observar as regras aplicáveis à rotulagem de alimentos.
O ovo orgânico segue a legislação de produção orgânica em vigor no país, que estabelece requisitos específicos para alimentação, manejo das aves e utilização de insumos. O sistema também prevê restrições específicas para medicamentos, insumos e componentes utilizados na alimentação.
Ovos líquidos e em pó são produtos obtidos a partir do processamento dos ovos. Podem ser utilizados pela indústria de alimentos, por padarias e também em preparações destinadas ao consumidor. A apresentação facilita a manipulação e o uso do produto, e clara e gema podem ser comercializadas separadamente.
No Brasil, os ovos de diferentes cores ainda são menos comuns, mas existem variedades com casca azulada e outras tonalidades. A cor da casca está relacionada à linhagem ou raça da galinha e, por si só, não indica diferença nutricional. Quando essa característica estiver associada à origem genética da ave, a informação deve observar as regras de identificação e rotulagem.
CURIOSIDADES
A diversificação dos produtos não é, por si só, uma exigência legal. No entanto, quando o produtor declara uma condição diferenciada, como “caipira” ou “orgânico”, é necessário atender aos requisitos correspondentes.
Cabe aos serviços de inspeção competentes verificar o cumprimento dessas condições dentro de suas atribuições. Assim, as características declaradas na embalagem devem corresponder ao produto efetivamente produzido e comercializado.
VENDAS
A fiscalização da produção de ovos nos estabelecimentos produtores envolve os serviços de inspeção competentes, conforme o tipo de estabelecimento e o âmbito de comercialização. O estabelecimento deve estar registrado no serviço de inspeção correspondente – municipal, estadual ou federal – de acordo com as regras aplicáveis à comercialização do produto.
No varejo, a fiscalização também envolve as vigilâncias sanitárias municipal ou estadual, conforme suas atribuições.
De acordo com o Instituto Ovos Brasil, cerca de 20% da produção nacional de ovos chega às grandes redes de supermercados. Os demais são comercializados por outros canais, como pequenos estabelecimentos, feiras e diretamente à indústria.
O Brasil também exporta ovos. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações em 2025 somaram 40.894 toneladas, aumento de 121% em relação ao ano anterior. Entre os principais destinos estiveram Estados Unidos, Japão, Chile, México e Emirados Árabes Unidos.
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