Agro
Citricultores reforçam manejo fisiológico para enfrentar déficit hídrico e garantir qualidade da safra
O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) divulgou uma reestimativa da safra citrícola brasileira. A projeção aponta para 306,74 milhões de caixas de 40,8 kg na temporada 2025/26 nas principais regiões produtoras, São Paulo e Triângulo Mineiro, o que representa uma queda de 2,5% em relação a maio.
O aumento das perdas, principalmente por greening, passou de 20% para 22%. Outros fatores que impactam a produtividade incluem déficit hídrico e inverno com temperaturas mais amenas, ressaltando a necessidade de estratégias de manejo que fortaleçam os pomares diante das adversidades climáticas.
Manejo fisiológico e nutrição equilibrada são essenciais
Para enfrentar desafios climáticos como seca, excesso de chuvas e variações de temperatura, é fundamental investir no fortalecimento dos pomares, incluindo nutrição equilibrada, manejo fisiológico e uso de reguladores de crescimento, segundo Rodrigo Muniz, Gerente de Desenvolvimento de Mercado de Café e Citrus da Stoller.
“Essas práticas ajudam a garantir o desenvolvimento saudável dos frutos mesmo diante das condições adversas, evitando quedas precoces de flores e frutos, frutos menores ou desuniformes, e baixo teor de suco”, explica Muniz.
Impactos da seca na citricultura
A falta de água provoca redução do crescimento vegetativo, queda de folhas e flores, menor pegamento de frutos, frutos desuniformes e menor peso. A consequência direta é a diminuição da produtividade e da qualidade do fruto, exigindo atenção redobrada dos produtores para manter o rendimento dos pomares.
Equilíbrio hormonal é determinante para a qualidade do fruto
O uso de reguladores de crescimento vegetal é fundamental para equilibrar os hormônios da planta, como:
- Auxina: evita a queda precoce de frutos e flores recém-formadas;
- Giberelina: promove alongamento celular e desenvolvimento do ovário;
- Citocinina: favorece a retenção de frutos jovens e estimula divisão celular;
- Ácido abscísico (ABA) e etileno: hormônios que inibem crescimento e precisam ser controlados.
Muniz alerta que a aplicação de reguladores deve ser feita na dose e época corretas, pois desequilíbrios hormonais podem causar queda precoce de frutos, crescimento excessivo de ramos ou atraso na maturação.
Programa 4F da Stoller ajuda na produtividade e resistência ao estresse
A Stoller, marca da Corteva Biologicals, desenvolveu o programa 4F – Florada Firme, Fruto Forte, voltado ao fortalecimento dos pomares e aumento da qualidade dos frutos.
O conceito utiliza o Stimulate, regulador de crescimento que combina hormônios vegetais em sinergia, promovendo:
- Maior pegamento de frutos e fixação de chumbinhos;
- Melhor enchimento dos frutos e eficiência fotossintética;
- Equilíbrio hormonal e redução do estresse hídrico;
- Maior desenvolvimento radicular e saúde geral da planta.
Ensaios conduzidos pela consultoria Farmatac em propriedades das principais regiões produtoras mostraram que duas aplicações de Stimulate (1 litro/ha) nos estágios de cabeça de alfinete e queda de pétalas resultaram em 100 caixas a mais por hectare em comparação a outros tratamentos, incluindo extrato de algas.
O programa 4F é apresentado como uma solução estratégica para citricultores que buscam produtividade, rentabilidade e resiliência diante das condições climáticas adversas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos
A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.
O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.
O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.
Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.
O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.
A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.
A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.
O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.
As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.
As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.
Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.
A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.
A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.
Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.
Fonte: Pensar Agro
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