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Agro

Carne suína ganha competitividade no Brasil e atinge melhor relação de preços frente à bovina em quatro anos

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A carne suína registrou aumento significativo de competitividade frente à carne bovina em março de 2026, alcançando o melhor nível dos últimos quatro anos. O movimento foi impulsionado pela queda nos preços do suíno e pela valorização da proteína bovina no período, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Preços da carne suína recuam em março

No atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína foi negociada, em média, a R$ 10,06 por quilo em março, representando uma queda de 2,8% em relação a fevereiro.

A retração está associada à menor liquidez no mercado, tanto para o animal vivo quanto para a carne. Esse comportamento é típico do período da Quaresma, quando há redução no consumo de proteínas como a suína, impactando diretamente o ritmo das negociações.

Carne bovina sobe com oferta restrita e demanda externa

Enquanto o suíno perdeu valor, a carne bovina apresentou movimento oposto no mesmo período.

A carcaça casada bovina registrou alta de 2,6% em março, atingindo média de R$ 24,32 por quilo. De acordo com o Cepea, esse avanço foi sustentado pela oferta limitada de animais prontos para abate e pela demanda internacional aquecida pela carne brasileira.

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Diferença de preços atinge maior nível desde 2022

Com a queda da carne suína e a valorização da bovina, o diferencial de preços entre as duas proteínas aumentou de forma significativa.

Em março, a diferença entre as carcaças chegou a R$ 14,26 por quilo, alta de 6,8% em relação a fevereiro. Esse é o maior patamar desde abril de 2022, quando o diferencial havia atingido R$ 14,66 por quilo.

Na prática, esse cenário torna a carne suína mais acessível ao consumidor, especialmente em momentos de maior pressão sobre o orçamento das famílias, o que pode estimular o consumo doméstico nos próximos meses.

Mercado ainda sente efeitos da Quaresma

A queda nos preços do suíno em março reflete um período sazonalmente mais fraco para a proteína, marcado pela redução no consumo durante a Quaresma.

Esse fator impacta diretamente a liquidez do mercado, diminuindo o volume de negociações tanto no mercado físico quanto no atacado. Com o encerramento do período no início de abril, a expectativa do setor é de recuperação gradual da demanda.

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Referências recentes de preços no mercado

Levantamentos regionais ajudam a ilustrar o comportamento das cotações no início de abril:

  • São Paulo (APCS – 07/04)
    • Suíno vivo: R$ 6,51/kg
    • Carcaça: entre R$ 9,50 e R$ 10,30/kg
  • Mato Grosso (Acrismat – 02/04)
    • Suíno vivo: R$ 6,20/kg
    • Matriz: R$ 4,34/kg
  • Minas Gerais (Asemg – referência de março)
    • Suíno vivo: R$ 6,80/kg
    • Matriz: R$ 4,76/kg

Os dados mostram que, apesar da pressão registrada em março, o mercado apresenta variações regionais relevantes entre os principais estados produtores.

Perspectivas para o mercado de suínos

A expectativa para o segundo trimestre é de melhora gradual no mercado, com a retomada da demanda interna após a Quaresma e um cenário externo ainda favorável.

A maior competitividade da carne suína frente à bovina tende a ampliar sua participação no consumo das famílias brasileiras. Por outro lado, o setor segue atento aos custos de produção e ao desempenho das exportações, fatores que continuam determinantes para a formação dos preços ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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