Connect with us


Agro

Calor, chuvas e pendoamento desafiam cultivo de alface no Brasil

Publicado em

Desafios climáticos impactam produção de alface

Oscilações de temperatura, excesso de chuvas e pendoamento precoce estão entre os principais desafios enfrentados pelos produtores de alface no Brasil.

Durante o verão, quando o estresse térmico é mais intenso, manter uniformidade, peso e qualidade comercial das plantas torna-se um desafio, impactando diretamente a produtividade e a regularidade da oferta no mercado.

Escolha da cultivar é estratégica para produtividade

Diante das adversidades climáticas, a escolha de cultivares com maior vigor vegetativo, sistema radicular robusto e tolerância a doenças e variações climáticas é determinante para reduzir perdas e garantir colheitas seguras ao longo do ano.

Materiais adaptados a altas temperaturas e umidade elevada ajudam o produtor a manter produtividade e qualidade mesmo nas épocas mais críticas.

Alfaces Margarete e Gloriosa oferecem estabilidade produtiva

Entre as opções de cultivares resistentes, destacam-se Margarete e Gloriosa, desenvolvidas para proporcionar estabilidade produtiva em diferentes épocas e sistemas de cultivo.

Segundo Silvio Nakagawa, especialista em brássicas e folhosas, a adaptação ao estresse climático é cada vez mais decisiva:

“Gloriosa e Margarete foram desenvolvidas para tolerar condições climáticas adversas e entregar produção justamente nos períodos em que a maioria das cultivares tradicionais encontra mais dificuldade, como no verão e em regiões de alta temperatura ou com muitas chuvas. São momentos em que a oferta é menor e o produtor que consegue produzir tem maior valorização do produto.”

Características da alface Margarete

A Margarete, do tipo crespa verde, apresenta plantas grandes e pesadas, com elevado número de folhas e excelente base. Seus principais atributos são:

  • Rusticidade e vigor radicular
  • Tolerância ao pendoamento precoce
  • Resistência intermediária ao vírus do mosaico da alface (LMV)
  • Talo mais grosso, facilitando manuseio e transporte
Leia mais:  Safra 2025/26: Itaú BBA projeta estabilidade climática e desafios para rentabilidade no agronegócio brasileiro

O ciclo médio é de 35 a 40 dias após o transplante (DAT), sendo indicada para semeio ao longo de todo o ano.

Características da alface americana Gloriosa

A Gloriosa, variedade americana, forma cabeças grandes e uniformes, com folhas grossas e bem estruturadas. Suas folhas externas funcionam como proteção da cabeça, mantendo a qualidade mesmo sob condições adversas.

A cultivar é adaptada tanto ao cultivo em campo aberto quanto à hidroponia, com tolerância ao pendoamento precoce e ciclo médio de 50 a 55 DAT, apresentando melhor desempenho na primavera e verão.

Benefícios para produtores e mercado

Ao reunir vigor, adaptação climática e padronização, cultivares como Margarete e Gloriosa permitem:

  • Maior previsibilidade de colheita
  • Qualidade final consistente das folhas
  • Atender às exigências do mercado
  • Manter a rentabilidade da produção mesmo em períodos críticos

Essas características tornam as cultivares uma ferramenta estratégica para enfrentar os desafios impostos pelo clima e garantir produção estável e lucrativa ao longo do ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook

Agro

Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

Published

on

A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

Leia mais:  Mapa e Conab alinham ações para fortalecer armazenagem, estoques públicos e abastecimento

A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

Leia mais:  Adaptação das plantas e fertilizantes especiais ganham destaque em Summit de Nutrição Vegetal Inteligente

O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262