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Brigadistas indígenas ajudam a conservar o patrimônio natural do Paraná

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A enfermeira Cleonice Pacheco Amorim, de 46 anos, trabalha na Casa de Saúde Indígena (Casai-Curitiba). Mas além dos cuidados com os pacientes, ela abraçou mais uma responsabilidade: ser brigadista voluntária contra incêndios na Floresta Estadual Metropolitana, em Piraquara, cidade vizinha à capital paranaense. Ela e mais seis membros da comunidade indígena que residem na floresta foram preparados há um ano pelo Instituto Água e Terra (IAT) e pelo Corpo de Bombeiros do Paraná para atuarem no enfrentamento ao fogo na Unidades de Conservação (UC) do Estado. Uma história que ajuda a celebrar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado nesta quarta-feira (9).

No meio indígena Cleonice atende pelo nome de Kunhã Wewé. Ela é da origem Guarani Ñandeva, que ao lado de outros 42 indígenas das etnias Kaingang, Tukano e Terena, formam a comunidade que administra a Floresta Estadual Metropolitana. A gestão é compartilhada com base em um Termo de Cooperação entre o IAT e o Instituto e Centro de Formação Etno Bio Diverso Angelo Kretã – a formalização da parceria se deu no 19 de abril de 2023, com a assinatura do governador Carlos Massa Ratinho Junior.

“Nós temos o nosso jeito de cuidar da natureza e quando tem incêndio a gente consegue controlar. Mas o curso somou ao nosso conhecimento. Agora temos técnicas não indígenas para não deixar o fogo se espalhar”, afirma Cleonice. O local tem 4,4 hectares de mata e uma vegetação propícia para grandes queimadas, por isso os indígenas foram capacitados e instrumentalizados com técnicas para combate direto do fogo.

Munidos com abafadores e bombas d’água fornecidos pelo IAT, o grupo de brigadistas indígenas precisou agir em julho deste ano para impedir que um incêndio avançasse floresta a dentro. “O meu marido viu que o fogo começou pela BR-116 e estava se alastrando. Imediatamente realizamos os procedimentos iniciais de contenção do fogo até a chegada do Corpo de Bombeiros”, relembra.

De acordo com o líder da comunidade indígena, Kretã Kaingang, graças ao olhar atento dos moradores já se percebe a restauração da floresta em alguns pontos. “É só a gente proteger. O não índio não tem noção da quantidade de animais que existem ali. Por isso é necessário fazer o tratamento diário, inclusive combatendo com agilidade qualquer foco de fogo”, explica.

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“A sociedade precisa compreender e estar sensibilizada de que é possível visitar uma Unidade de Conservação respeitando a legislação, que coíbe, inibe e proíbe o uso de fogueiras ou aparatos que produzam chamas”, reforça o diretor de Patrimônio Natural do IAT, Rafael Andreguetto. Para ele, a atuação de todos os brigadistas voluntários, sejam indígenas ou não, é fundamental o desenvolvimento sustentável do Estado. “Sensação de pertencimento, de cuidar de uma área que é de todos”.

O coronel Antônio Hiller, do Comando do Corpo de Bombeiros do Paraná, também destaca o apoio dos brigadistas voluntários no combate ao fogo. “Nem sempre os bombeiros dessas regiões são suficientes para fazer o enfrentamento”, diz.

Atualmente, o Paraná conta com cinco brigadas de incêndio e 200 voluntários com formação atuando em diferentes pontos do Estado. Além disso, um novo grupo está em processo de capacitação.

AÇÕES – Trabalhando em coparticipação com o IAT na gestão do parque, a comunidade indígena intensificou as ações no local. Uma delas foi abrir o espaço para visitação de alunos das escolas da rede pública de Piraquara. A outra é promover a educação ambiental sob a ótica dos povos originários da floresta, disseminando a cultura das etnias Guarani Yandeva, Tukano, Kaingang e Terena.

“É uma forma de ensinar as crianças a quebrar preconceitos”, afirma o líder Kretã Kaingang. “Em um ano, mais de 2 mil mudas de plantas nativas foram distribuídas, tivemos visitas guiadas, apresentações, jogos, artes. Conseguimos repassar a história da cultura indígena. A nossa presença aqui nessas terras é construtiva, e só pôde ser viabilizada com esse Termo de Cooperação Técnica com o IAT”.

Outro ponto é garantir o restauro ambiental e ampliar a área com vegetação nativa. De acordo com os indígenas, grande parte do parque é tomada por espécimes de flora exótica (não natural, geralmente inserida naquele ambiente por fins econômicos), como pinus e eucalipto. Apenas 20% são de floresta nativa, com árvores como araucária, flora originária da Mata Atlântica.

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FESTA – Para celebrar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, Cleonice e toda a comunidade indígena da Floresta Estadual Metropolitana estendem o convite para quem quiser participar das festividades que serão nesta quarta (9) e quinta-feira (10).

Haverá atividades para crianças, exposição de artesanatos, rodas de conversa para troca de saberes e também a apresentação de sementes indígenas e crioulas. “Há exatos dois anos voltamos para esse território. O nosso intuito com o evento é que as pessoas venham conhecer a nossa cultura e costumes, para que nos respeitem mais, assim reduzimos esse preconceito. Queremos contar a nossa história com a nossa boca, e para isso as pessoas precisam ter abertura para chegar até nós. Não estamos aqui para pegar terra, mas sim para cuidar e preservar a natureza”, ressalta.

DIA – O Dia Internacional dos Povos Indígenas é celebrado desde 1995, todo dia 9 de agosto. A data foi definida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para dar luz às condições de existência dignas aos povos indígenas de todo o planeta, principalmente no que se refere aos seus direitos à autodeterminação de suas vidas e cultura, bem como a garantia aos direitos humanos.

ESTATÍSTICA – De acordo com os dados do Censo de 2022 divulgados nesta segunda-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná tem 30.460 indígenas autodeclarados. Em comparação com os dados do Censo anterior, de 2010, o Estado registrou um aumento de 14% na população indígena, que era de 26.559.

Fonte: Governo PR

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Cerimônia de posse marca ingresso de Elisiane da Silva Moraes no Colégio de Procuradores de Justiça do MPPR

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O Ministério Público do Paraná realizou nesta sexta-feira (2/10) a posse de Elisiane da Silva Moraes no cargo de Procuradora de Justiça. A cerimônia ocorreu no Gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, em Curitiba, e marcou o ingresso de Elisiane Moraes no nível mais alto da carreira ministerial.

A solenidade foi conduzida pelo Procurador-Geral de Justiça em exercício, Armando Antônio Sobreiro Neto, e reuniu integrantes do Ministério Público, familiares e convidados. A cerimônia também foi transmitida ao vivo pelo canal do MPPR no YouTube.

Confira as fotos da solenidade

Promovida pelo critério de merecimento por meio do edital de promoção exclusivo para mulheres, a nova Procuradora reconheceu em seu discurso o significado de sua posse. “Recebo essa conquista com alegria e orgulho, mas também com a consciência de que ela representa algo que vai além da minha história pessoal, porque ocupar este espaço não significa apenas chegar. Significa também abrir caminho […]. Uma porta por onde outras mulheres possam passar”, destacou.

Elisiane também falou da alegria pela conquista, mas, sobretudo, do sentido de renovação do compromisso assumido com o Ministério Público em 1997, quando ingressou na instituição. Para ela, a chegada ao novo cargo representa uma responsabilidade ainda maior. Em sua fala, também agradeceu às pessoas que fizeram parte de sua trajetória, com destaque para as mulheres que encontrou ao longo da carreira e que foram referências de “competência, coragem, generosidade e determinação”. Ao falar sobre a função, defendeu a importância de preservar a capacidade de ouvir, compreender e reconhecer os próprios erros, lembrando que “a Justiça não pode perder sua dimensão humana”.

Um dos momentos de destaque da cerimônia foi a colocação da veste talar pelos filhos da homenageada, Fernando e João Vitor. O gesto simbolizou a celebração da conquista e o reconhecimento da trajetória percorrida por Elisiane até a nova etapa profissional no Colégio de Procuradores de Justiça. 

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Após a investidura, Elisiane renovou o compromisso legal de exercer com retidão as funções de Procuradora de Justiça e de cumprir as Constituições e as leis. Em seguida, foi realizada a leitura e a assinatura do termo de posse.

Saudações

A solenidade contou ainda com o pronunciamento de representantes da Associação Paranaense do Ministério Público (APMP), da Corregedoria-Geral e do Colégio de Procuradores de Justiça.

O Presidente da APMP, Fernando da Silva Mattos, ressaltou a trajetória de quase três décadas de Elisiane, construída com atuação cotidiana em diferentes comarcas, especialmente na área da família. Enfatizou ainda a discrição como uma das marcas de sua carreira, exercida com “um trabalho intenso e cotidiano realizado longe dos holofotes e sem buscar aplausos”. Segundo ele, essa postura revela uma forma de atuação comprometida com o serviço público e reforça o significado de sua promoção, que representa o reconhecimento de uma “brilhante trajetória”.

A Subcorregedora-Geral do MPPR, Jacqueline Batisti, destacou que o momento reunia duas razões para ser especialmente celebrado: a trajetória pessoal e profissional da nova Procuradora e o significado institucional de sua promoção. “São duas dimensões que não competem entre si, ao contrário, complementam-se. Políticas afirmativas de igualdade de gênero não existem para substituir o mérito, elas existem para que o mérito possa encontrar condições mais justas, em espaços que historicamente nem sempre estiveram igualmente acessíveis”, afirmou. Segundo ela, a presença feminina em cargos relevantes deve ser compreendida não como exceção, mas como parte natural da instituição.

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Em nome do Colégio de Procuradores de Justiça, Moacir Gonçalves Nogueira Neto pontuou o sentimento de admiração compartilhado pelos integrantes do colegiado diante da brilhante trajetória profissional da empossada. Ressaltou que ela foi recebida de braços abertos pelo Ministério Público e retribuiu com dedicação ímpar, construindo uma trajetória de sucesso marcada pela valorização do papel social da instituição. Ao cumprimentá-la pela promoção, declarou: “Vossa Excelência muito orgulha o Ministério Público e só poderia ter sido promovida por inegável merecimento”.

Encerramento 

No encerramento da cerimônia, o Procurador-Geral de Justiça em exercício, Armando Antônio Sobreiro Neto, destacou que a trajetória de Elisiane é marcada pela dedicação ao serviço público, que, segundo ele, pressupõe uma entrega de amor e renúncia, valores presentes na carreira da Procuradora de Justiça recém-empossada.

Armando Antônio Sobreiro Neto observou ainda que, embora o trabalho no segundo grau seja marcado pelo contato com processos eletrônicos, “atrás de cada arquivo eletrônico existem vidas”, pessoas com expectativas, direitos e demandas que aguardam respostas da Justiça. Nesse contexto, ressaltou a responsabilidade que acompanha a chegada ao mais alto cargo da carreira. “Que tenhamos uma Justiça com mais amor, a exemplo da vossa trajetória”, afirmou.

Fonte: Ministério Público PR

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