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Brasil exportou R$ 1,88 trilhão, puxado pelo agronegócio que respondeu sozinho por 22%

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O desempenho das exportações brasileiras em 2025 foi marcado por um novo recorde histórico, mas o dado mais relevante do ponto de vista econômico veio do campo. Em um ano de desaceleração global e pressão sobre preços, o agronegócio foi o principal motor de crescimento da pauta exportadora, ampliando sua participação no comércio exterior e ajudando a sustentar o saldo da balança comercial.

No acumulado do ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (06.01), pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou o equivalente a R$ 1,88 trilhão (US$ 348,7 bilhões), crescimento impulsionado sobretudo pela agropecuária, que avançou 7,1% em faturamento e atingiu cerca de R$ 419 bilhões. O resultado contrasta com o desempenho mais moderado de outros setores e reforça o papel estratégico do agro como fonte de divisas para a economia brasileira, responsável – sozinho – por 22% das exportações.

Entre os produtos que puxaram o crescimento, o café verde foi um dos principais destaques. As exportações alcançaram aproximadamente R$ 80 bilhões, alta de 31,1% em relação ao ano anterior, refletindo tanto a valorização internacional quanto a firme demanda externa. O milho também contribuiu de forma relevante, com receitas de cerca de R$ 45,9 bilhões, crescimento de 5%.

A soja, apesar de desempenho mais contido, manteve sua posição central na pauta exportadora. As vendas externas da oleaginosa somaram aproximadamente R$ 235 bilhões, avanço de 1,4% frente a 2024. O produto respondeu por cerca de 12,5% de tudo o que o Brasil exportou em 2025, confirmando sua importância estrutural para o comércio exterior do país.

Na contramão, o algodão apresentou retração. As exportações totalizaram cerca de R$ 26,5 bilhões, queda de 4,4% na comparação anual, refletindo ajustes de mercado e maior concorrência internacional.

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Além das commodities tradicionais, segmentos menos volumosos tiveram crescimento expressivo e ajudaram a diversificar a pauta do agro. As exportações de especiarias somaram cerca de R$ 3,4 bilhões, avanço de 67,6%. Os embarques de animais vivos alcançaram aproximadamente R$ 5,9 bilhões, crescimento de 24%, enquanto frutas e nozes não oleaginosas geraram receitas de cerca de R$ 7 bilhões, alta de 12,4%.

Pela metodologia oficial de comércio exterior, parte relevante do agro aparece classificada como indústria de transformação. É o caso da carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, que registrou crescimento expressivo em 2025. As exportações do produto ultrapassaram R$ 89,6 bilhões, avanço de 42,5% em relação ao ano anterior. Com isso, a carne bovina passou a representar 4,76% de todas as exportações brasileiras, acima dos 3,45% observados em 2024.

Outros itens da agroindústria também tiveram desempenho positivo. As exportações de carne suína alcançaram cerca de R$ 17,8 bilhões, crescimento de 19,1%. O tabaco gerou aproximadamente R$ 16,2 bilhões, alta de 13,3%, enquanto gorduras e óleos vegetais somaram cerca de R$ 9,7 bilhões, avanço de 24,5%.

Por outro lado, alguns produtos relevantes perderam espaço em valor. Os embarques de açúcares e melaços recuaram 24,1%, com receitas de aproximadamente R$ 76,1 bilhões, impactadas pela queda nos volumes exportados. Carnes de aves e farelos de soja também apresentaram retração, somando cerca de R$ 47,5 bilhões (-2,9%) e R$ 46,4 bilhões (-16,8%), respectivamente.

No recorte por destino, a China manteve a liderança como principal mercado do agro brasileiro. As exportações totais para o país asiático superaram R$ 540 bilhões, crescimento de 6%. Soja, carne bovina e celulose concentraram grande parte desses embarques, reforçando a dependência da pauta brasileira em relação ao mercado chinês.

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A União Europeia apareceu como o segundo maior destino das exportações brasileiras, com vendas próximas de R$ 269 bilhões, alta de 3,2%. O café foi o principal destaque, com receitas de aproximadamente R$ 38,3 bilhões, crescimento de quase 29%. Em contrapartida, os envios de soja, farelos e farinhas de carne registraram queda em valor.

Os Estados Unidos ocuparam a terceira posição entre os principais compradores do Brasil, com exportações totais de cerca de R$ 203,6 bilhões, recuo de 6,6% frente a 2024. O café seguiu entre os produtos mais relevantes, com receitas próximas de R$ 10,3 bilhões, praticamente estáveis no comparativo anual.

O fechamento do ano foi marcado por um dezembro excepcional. As exportações brasileiras no último mês de 2025 somaram aproximadamente R$ 167 bilhões, o melhor resultado mensal da série histórica. Só o agro respondeu por cerca de R$ 30,8 bilhões, crescimento de 43,5%, com forte contribuição de carne bovina, café, soja e milho.

Para 2026, as projeções indicam que as exportações totais do Brasil devem se manter em patamar elevado, variando entre R$ 1,84 trilhão e R$ 2,05 trilhões. A expectativa é de que o agronegócio continue exercendo papel central nesse desempenho, especialmente em um cenário global ainda marcado por volatilidade e ajustes de demanda.

Fonte: Pensar Agro

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Fracassa acordo no STF e disputa sobre Moratória da Soja volta a julgamento

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O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a tentativa de construir um acordo entre produtores rurais, indústria, ambientalistas e Ministério Público sobre a Moratória da Soja. Sem consenso entre as partes, o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) devolveu os quatro processos relacionados ao tema aos ministros relatores, abrindo caminho para a retomada do julgamento das ações, ainda sem data definida.

Em despacho assinado nesta sexta-feira (12.06), o juiz auxiliar da Presidência do STF e supervisor do Nusol, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, afirmou que as reuniões realizadas entre abril e maio chegaram a criar um ambiente favorável à conciliação, mas houve recuo dos envolvidos, inviabilizando uma solução negociada.

“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, registra o documento.

Segundo o STF, a tentativa de mediação não buscava discutir a constitucionalidade das leis estaduais questionadas, mas os efeitos práticos decorrentes de uma eventual decisão da Corte. A preocupação é evitar a multiplicação de disputas judiciais em diferentes instâncias após o julgamento das ações.

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As tratativas envolveram representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério Público Federal e dos governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de partidos políticos autores das ações.

Com o fim da mediação, o Nusol reenviou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774, relatada pelo ministro Flávio Dino; 7775, sob relatoria de Dias Toffoli; e 7863 e 7959, ambas sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.

As ADIs 7774 e 7775 questionam leis aprovadas em Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos privados, como a Moratória da Soja.

Criada em 2006, a Moratória da Soja estabelece que empresas signatárias não adquiram grãos produzidos em áreas do bioma Amazônia desmatadas após 2008, ainda que a abertura das áreas tenha ocorrido dentro dos limites previstos pela legislação ambiental.

A disputa ganhou novo capítulo após a entrada em vigor, no início de 2026, da lei de Mato Grosso que impôs restrições às tradings participantes do acordo. A medida contribuiu para o esvaziamento da Moratória, com a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas associadas.

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No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de todas as ações judiciais e administrativas relacionadas à Moratória da Soja, incluindo processos que pedem indenizações. Em uma dessas ações, produtores rurais de Mato Grosso reivindicam ressarcimento superior a R$ 1 bilhão. O setor também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as tradings de formação de cartel.

A tentativa de mediação havia sido anunciada em março, durante o julgamento das ações pelo plenário do STF. Com o fracasso das negociações, caberá agora aos ministros dar prosseguimento à análise do caso.

Fonte: Pensar Agro

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