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Agro Paranaense

Brasil começa novo ano-safra com produtores preocupados com o dólar

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O ano-safra 2019/2020 começa nesta segunda-feira (1º) com os produtores rurais preocupados com o comportamento do dólar durante a temporada. A moeda americana é ferramenta fundamental para o setor: ela define se o agricultor terá lucro ou não ao final do ciclo.

Agronegócio é uma das alavancas do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil — Foto: Rodrigo Sanches/G1Segundo analistas e produtores ouvidos pelo G1, com o dólar alto frente ao real, o preço pago pelo cultivo, que é referenciado pela moeda estrangeira, está em baixa. E o custo de produção, que também se baseia no dólar, está alto, deixando uma margem de lucro apertada ou, em alguns casos, até mesmo prejuízo para os empresários do campo.

Outro ponto de atenção a partir de agora é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, anunciado na sexta-feira (28). O agronegócio foi um dos setores beneficiados com a negociação, mas ainda não há definição sobre quando o pacto começa a valer e o tamanho do impacto.

Apesar de a “virada” de ano-safra acontecer agora, isso não significa que toda a produção agrícola do país começa no meio do ano (leia mais ao fim da reportagem).

Este período é marcado pelo planejamento das culturas de verão, como soja e milho, que estão entre as maiores do país, e pelo início da negociação de outras, como café, algodão e cana-de-açúcar. Nesta fase, os agricultores criam expectativas, projetam o quanto vão investir na produção e o retorno esperado.

A partir desta segunda, eles podem acessar o crédito rural subsidiado pelo governo federal nos bancos. O recurso, anunciado no lançamento do Plano Safra, há duas semanas, serve para ajudar a pagar os investimentos na temporada.

O valor disponível para financiamentos é de R$ 222 bilhões, mesmo número do último ciclo.

Competitividade em xeque

A temporada 2018/19 deve ter a maior safra de grãos da história(328,9 milhões de toneladas). A que começa agora tem como desafio elevar este patamar e continuar sendo uma das alavancas do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Mas o dólar tem sido mais um problema do que uma solução para o setor.

Dependentes da moeda americana para comprar os principais insumos para a produção, como fertilizantes, os agricultores enfrentam a diferença entre a moeda americana e o real como um problema de competitividade com o maior concorrente no mercado mundial: os Estados Unidos.

Com desvantagem no câmbio, o setor reclama que o preço que os agricultores estão recebendo pelos produtos estão em queda no mercado internacional, que também é remunerado em dólar.

“O produtor tem um custo alto e tem dificuldades para ser competitivo. Não sabemos quanto vai ser o dólar [no início da safra] e isso interfere no custo. Porque não sabemos depois, na [hora de vender a] safra, se o dólar vai estar baixo”, explica Bartolomeu Braz, presidente da associação dos produtores de soja (Aprosoja).

Para o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, o dólar tende a ser mais previsível do que em outras safras, mas ainda em um patamar elevado.

A previsão dele é de que a moeda americana termine o ano valendo por volta de R$ 4,05 e que tenha um valor parecido no primeiro semestre de 2020.

Já o relatório “Focus” do Banco Central, pesquisa que reúne economistas de diversas instituições financeiras, estima a moeda americana em R$ 3,80 tanto em 2019 como no próximo ano.

O diretor de commodities da consultoria INTL FCStone, Glauco Monte, no entanto, acredita que, mesmo com o dólar alto para a compra de insumos, a recuperação dos preços no mercado internacional junto com a moeda americana valorizada pode oferecer mais renda aos agricultores.

“No geral, eu vejo uma safra 2019/20 melhor que quando projetamos a 2018/19. Temos o câmbio em um patamar relativamente alto, o que é uma vantagem. Existem os custos, mas, no geral, o cenário é bem positivo, de recuperação de preços para as principais culturas”, afirma.

Produtores de café buscam alternativas para se protegerem de preços baixos — Foto: Reprodução/EPTV

Produtores de café buscam alternativas para se protegerem de preços baixos — Foto: Reprodução/EPTV

Alternativas para não ficar ‘no vermelho’

Sem a certeza de que o investimento vai ter retorno, o cenário é de cautela entre as principais culturas. No caso da soja, principal produto de exportação do Brasil, os agricultores estão com pouco recurso para investir.

Segundo a Aprosoja, eles estão optando pela troca da produção da futura safra por insumos (conhecida como “barter”) em vez de ir atrás de financiamentos bancários.

No segmento do café, após a colheita recorde em 2018 e, consequentemente, os preços baixos no mercado, os produtores vão usar os recursos do Plano Safra para ajudar a retirar do mercado cerca de 10 milhões de sacas de 60 kg por meio de uma penhora, chamada de “ordenamento da oferta”.

Eles deixam o café em estoques de cooperativas cadastradas no programa e recebem o valor de mercado no momento da entrega. Se os preços subirem, o agricultor tem a opção de devolver o dinheiro, retirar o produto e vender normalmente no mercado.

Essa medida, segundo o Conselho Nacional do Café (CNC), ajuda a equilibrar os preços.

Já os produtores de milho estão com dificuldades para financiar a produção e vão precisar utilizar mais as linhas de financiamento do que em outros anos.

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) aponta que, em 2017, cerca de 40% dos agricultores tinham capital próprio para iniciar a safra. Nesta temporada, apenas são 19%.

No setor do algodão, a possibilidade de o produtor dar apenas uma parte da propriedade como garantia bancária para financiamentos, novidade deste Plano Safra, juntamente com a possibilidade de captar recursos em dólar, podem estimular mais investimentos nas propriedades, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

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Agro Paranaense

Governo lança edital para compra de R$ 20 milhões em alimentos da agricultura familiar no Paraná

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Um edital para compra de R$ 20 milhões em alimentos da agricultura familiar no Paraná foi lançado na quarta-feira (22) pelo governo estadual. O limite será de até R$ 20 mil por agricultor em um ano, informou o governo.

A chamada pública de credenciamento do programa Compra Direta Paraná usará recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza.

Os alimentos, segundo o governo, serão destinados para restaurantes populares, cozinhas comunitárias, banco de alimentos e hospitais filantrópicos, entre outros.

Conforme o governo, os Centros de Referência em Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) poderão disponibilizar os alimentos na forma de cestas básicas diretamente à população vulnerável.

Preços e prazos

O governo informou que o preço de referência para aquisição é o estabelecido pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura, sem necessidade de disputa pelo menor valor.

Para alimentos orgânicos haverá acréscimo de até 30%. As propostas podem ser apresentadas até às 17h de 27 de abril, e a divulgação dos fornecedores vencedores em cada um dos municípios será feita em 30 de abril, com um dia de prazo de recursos.

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Na sequência, o projeto final de venda deverá ser assinado pelo presidente da organização e protocolado no núcleo regional correspondente até 5 de maio, para providências de contratação. O início da entrega dos produtos está previsto para ocorrer a partir de 18 de maio.

Sistema de compra direta

A Secretaria da Agricultura e a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) desenvolveram o Sistema Compra Direta Paraná, que possibilita a operacionalização de uma única chamada pública para aquisição de mais de 70 itens e atendimento a todas as entidades beneficiárias.

Segundo o governo, na plataforma será possível registrar todas as etapas do processo, que inclui cadastro dos agricultores, apresentação das propostas de fornecimento por associações e cooperativas da agricultura familiar, classificação das organizações, habilitação e controle da execução de cada um dos contratos.

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