Agro
Aprosoja MT promove 1º Giro de Pesquisa no Vale do Guaporé e destaca potencial agrícola da região
Evento marca aproximação entre ciência e campo no Vale do Guaporé
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), em parceria com o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), realizou nesta quarta-feira (11) o 1º Giro de Pesquisa do Vale do Guaporé, em Pontes e Lacerda (MT).
O encontro reuniu produtores rurais, estudantes, consultores e pesquisadores com o objetivo de aproximar a ciência do dia a dia no campo, promovendo o intercâmbio de informações e a aplicação de práticas agrícolas adaptadas à realidade local.
Durante a programação, os participantes visitaram estações de pesquisa com temas estratégicos para a região, como nutrição e adubação do solo, reguladores de crescimento, fitossanidade e cultivares de soja, abordando manejo e estratégias para maximização da produtividade. O evento foi encerrado com palestra do pesquisador Sérgio Brommonschenkel, que discutiu o tema quebramento de haste da soja e seus impactos na produtividade.
Pesquisa regionalizada para atender demandas do produtor
Segundo Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja Mato Grosso, o projeto nasceu de uma demanda direta dos produtores do Vale do Guaporé, que solicitaram apoio técnico e maior presença de pesquisas adaptadas à região.
“Sabemos da importância de desenvolver estudos voltados à realidade local. As lavouras do Vale do Guaporé têm características únicas, diferentes de regiões como Parecis e Araguaia. Nosso objetivo é oferecer soluções práticas e reduzir custos de produção, com base em dados científicos”, explicou Bertuol.
O dirigente reforçou que a entidade pretende fortalecer a pesquisa aplicada para aprimorar o manejo e aumentar a eficiência das lavouras em uma região que cresce rapidamente em área de cultivo.
Produtores locais reforçam importância da troca de conhecimento
O delegado coordenador do Núcleo Vale do Guaporé da Aprosoja MT, Yuri Nunes Cervo, destacou a relevância do evento para difundir conhecimento técnico em uma região ainda recente na produção de soja e milho.
“O produtor do Vale do Guaporé ainda carece de informações específicas sobre manejo e solo. Este Giro de Pesquisa é um marco para ampliar o acesso à informação e preparar melhor os produtores para lidar com os desafios locais e ampliar a rentabilidade”, afirmou Cervo.
O prefeito de Pontes e Lacerda, Jakson Francisco Bassi, também ressaltou a importância da iniciativa, lembrando que a soja já é o terceiro produto mais exportado do município, ficando atrás apenas da pecuária e da mineração.
“É essencial que a pesquisa avance para que o produtor possa aumentar sua eficiência e aproveitar o potencial produtivo da região”, destacou o prefeito.
Vale do Guaporé tem potencial agrícola crescente
Com características ambientais próprias — como altas temperaturas, alta luminosidade, regime de chuvas específico e solos diferenciados —, o Vale do Guaporé tem se destacado como nova fronteira agrícola de Mato Grosso.
O pesquisador e consultor da Aprosoja MT e do Iagro MT, Leandro Zancanaro, reforça que o desenvolvimento de estudos regionais é fundamental para garantir o sucesso da produção.
“A agricultura é uma interação entre planta e ambiente. Cada região exige um tipo de manejo. O Vale do Guaporé tem enorme potencial produtivo, mas precisa de pesquisas próprias, adaptadas às suas condições”, explicou Zancanaro.
Ele ressaltou que o contato direto dos produtores com as pesquisas durante o Giro permite tomadas de decisão mais seguras, com redução de riscos e melhor planejamento das próximas safras.
Pesquisadores destacam integração entre soja e pecuária
Durante o evento, o pesquisador Sérgio Brommonschenkel reforçou que o Vale do Guaporé reúne condições ideais para a expansão da soja, especialmente em sistemas integrados com a pecuária, o que aumenta a rentabilidade e a sustentabilidade das propriedades.
“Há uma nova geração de produtores e consultores muito engajada. Essa juventude é que vai impulsionar o crescimento da agricultura na região, com foco em tecnologia e eficiência”, afirmou Brommonschenkel.
O pesquisador também elogiou a postura técnica e imparcial da Aprosoja MT ao levar informações baseadas em resultados científicos, sem vínculos comerciais.
“O papel da Aprosoja é essencial, pois leva conhecimento isento ao produtor, mostrando o que realmente funciona, independentemente da empresa envolvida”, completou.
Giro de Pesquisa fortalece ciência e produtividade no campo
Com o sucesso da primeira edição do Giro de Pesquisa, a Aprosoja MT e o Iagro MT reforçam o compromisso de expandir a pesquisa aplicada e estimular a adoção de tecnologias sustentáveis no Vale do Guaporé.
A iniciativa se consolida como uma importante ferramenta de difusão científica no campo, aproximando pesquisadores e produtores, ampliando a troca de experiências e impulsionando o avanço da agricultura mato-grossense.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro
A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.
Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.
A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.
Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.
O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.
O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.
No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.
Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.
Combustível entra na mesma pressão
A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.
Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.
A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.
O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.
Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.
O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.
Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.
Fonte: Pensar Agro
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