Agro
Alta volatilidade do diesel acelera investimentos em gestão de combustível no agronegócio e transporte
A instabilidade nos preços do diesel registrada ao longo de 2026 tem levado empresas dos setores de agronegócio, logística, mineração e construção a intensificarem investimentos em gestão de combustível. Diante de um cenário marcado por oscilações no mercado internacional de petróleo e incertezas sobre os custos operacionais, o controle rigoroso do consumo tornou-se uma estratégia essencial para garantir competitividade e previsibilidade financeira.
Para operações que dependem fortemente de frotas e máquinas movidas a diesel, a gestão eficiente do combustível deixou de ser apenas uma ferramenta de redução de despesas e passou a ocupar posição estratégica no planejamento empresarial.
Diesel pesa cada vez mais nos custos operacionais
O combustível representa uma das principais despesas em atividades ligadas ao transporte de cargas, produção agrícola, mineração e obras de infraestrutura. Por isso, qualquer aumento de preços ou falha no controle de abastecimento pode gerar impactos significativos sobre a rentabilidade das operações.
Nesse contexto, empresas vêm buscando soluções capazes de ampliar a visibilidade sobre estoques, consumo e movimentação de combustível, reduzindo riscos de desperdícios, desvios e falhas operacionais.
Além da volatilidade dos preços, gestores enfrentam o desafio de monitorar grandes volumes de abastecimento distribuídos em diferentes unidades, propriedades rurais, canteiros de obras e centros logísticos.
Controle de estoque e abastecimento ganham protagonismo
Especialistas apontam que uma gestão eficiente começa pelo monitoramento contínuo dos tanques de armazenamento. O acompanhamento em tempo real dos níveis de estoque permite maior previsibilidade na reposição do combustível e reduz riscos de interrupções operacionais.
Outra frente importante é o controle detalhado dos abastecimentos realizados na operação. O registro automatizado das movimentações oferece maior rastreabilidade e cria uma base de dados confiável para análise de consumo e desempenho da frota.
Com a digitalização dos processos, empresas conseguem substituir controles manuais por sistemas integrados, capazes de fornecer informações precisas sobre utilização do combustível, frequência de abastecimento e comportamento operacional dos equipamentos.
Tecnologia amplia rastreabilidade e reduz perdas
O uso de tecnologias de identificação automática de veículos e operadores vem se consolidando como uma importante ferramenta para aumentar a confiabilidade dos dados.
A integração desses recursos permite associar cada abastecimento ao veículo, equipamento ou colaborador responsável pela operação, reduzindo inconsistências nos registros e fortalecendo os mecanismos de controle interno.
Segundo especialistas do setor, a rastreabilidade completa do abastecimento contribui para identificar rapidamente desvios de consumo, inconsistências operacionais e possíveis perdas financeiras.
Além disso, a geração de relatórios e indicadores em tempo real facilita a tomada de decisões e permite ajustes mais rápidos nas estratégias de gestão.
Integração de dados transforma informação em inteligência
A tendência mais forte observada no mercado é a integração entre controle de estoque, monitoramento de abastecimento e sistemas de gestão empresarial.
Ao consolidar todas as informações em uma única plataforma, os gestores passam a ter uma visão ampla da operação, permitindo análises mais precisas sobre consumo, produtividade e eficiência.
Essa integração possibilita acompanhar indicadores em tempo real, configurar alertas automáticos, identificar padrões de uso e antecipar problemas antes que eles impactem os custos da empresa.
Na prática, o modelo permite uma atuação preventiva, reduzindo a necessidade de medidas corretivas emergenciais e aumentando a capacidade de planejamento operacional.
Agronegócio busca mais eficiência diante dos desafios de mercado
No agronegócio, onde o diesel é indispensável para o funcionamento de tratores, colheitadeiras, caminhões e sistemas de apoio à produção, a gestão eficiente do combustível ganha ainda mais relevância.
Com margens cada vez mais pressionadas e necessidade crescente de eficiência, produtores rurais e empresas do setor têm investido em ferramentas que proporcionem maior controle sobre os custos operacionais.
A digitalização da gestão de combustível acompanha uma tendência mais ampla de agricultura conectada, baseada no uso de dados para melhorar a tomada de decisão e aumentar a produtividade.
Previsibilidade se torna diferencial competitivo
Especialistas avaliam que a volatilidade do mercado de combustíveis deve continuar influenciando as estratégias empresariais nos próximos anos.
Nesse cenário, a capacidade de monitorar operações em tempo real, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade dos custos passa a representar uma importante vantagem competitiva.
Embora a tecnologia não elimine as oscilações dos preços do diesel, ela permite que as empresas reduzam sua exposição a perdas evitáveis e fortaleçam o planejamento financeiro e operacional.
Para setores altamente dependentes do combustível, como agronegócio, transporte e mineração, investir em gestão integrada deixou de ser apenas uma medida de controle e passou a ser um fator decisivo para sustentar eficiência, rentabilidade e competitividade no mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor
A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.
Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.
Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.
Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.
“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.
A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.
Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.
É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.
Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.
“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.
A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.
O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.
A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.
“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.
O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.
A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.
Fonte: Pensar Agro
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