Agro
Alta dos fertilizantes impulsiona debate sobre bioinsumos no Brasil
O aumento global no preço dos fertilizantes reacendeu a discussão sobre o uso de bioinsumos na agricultura brasileira. Especialistas apontam que, embora ainda sejam um mercado de nicho, biofertilizantes podem reduzir a vulnerabilidade do país frente a crises geopolíticas, como a atual tensão no Oriente Médio, que elevou os custos dos insumos nitrogenados importados.
Dependência de fertilizantes importados preocupa setor agrícola
Entre 80% e 90% dos fertilizantes nitrogenados utilizados no Brasil vêm do exterior, o que torna o país vulnerável a choques internacionais. O conflito envolvendo países do Oriente Médio afetou diretamente o fornecimento e contribuiu para o aumento expressivo dos preços desde o início de março.
“O Brasil precisa diversificar suas fontes de insumos agrícolas, da mesma forma que fez na década de 1970 com a matriz energética”, afirma João Marcelo Fernandes Abbud, economista e especialista em financiamento climático do Instituto E+ Transição Energética, um dos autores do estudo Bio-inputs for agriculture in Brazil: why can’t the alternative become mainstream?.
Bioinsumos: ainda um mercado de nicho, mas em expansão
Segundo Abbud, os bioinsumos representam atualmente menos de 10% do mercado nacional de fertilizantes, embora o segmento tenha registrado crescimento superior ao dos químicos nos últimos anos. Entre os fatores que limitam a expansão estão a falta de coordenação institucional, incentivos econômicos desalinhados e a predominância histórica dos fertilizantes químicos.
O estudo aponta que, com políticas e regulamentações adequadas, a participação de bioinsumos poderia chegar a 40% a 60% do mercado, sem substituir totalmente os produtos químicos, mas funcionando como complemento estratégico.
Potencial do Brasil para liderança global
O país possui condições naturais favoráveis para expandir o uso de biofertilizantes. “Temos biodiversidade que contribui tanto para macronutrientes quanto para micronutrientes e defensivos biodegradáveis. O Brasil pode ser líder regional e até mundial nesse segmento, gerando valor agregado e potencial de exportação”, destaca Abbud.
Dados da CropLife Brasil mostram que o país utiliza quatro vezes mais bioinsumos que a média global. Atualmente, existem 953 produtos biológicos registrados, com faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2024, em comparação a R$ 81,6 bilhões dos defensivos químicos, que somam 3.234 registros ativos.
Plano Nacional de Fertilizantes tem impacto limitado
O Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022 para incentivar a produção local e reduzir dependência externa, ainda enfrenta limitações regulatórias. “As metas estão traçadas, mas faltam resoluções mais profundas para direcionar o mercado de forma clara e sustentável”, avalia Pedro Guedes, responsável técnico de bio-soluções e fertilizantes do Instituto E+.
Especialistas apontam que a expansão dos bioinsumos poderia gerar empregos, desenvolvimento local e maior segurança econômica e ambiental, tornando o setor agrícola brasileiro menos dependente de crises internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Qualidade das sementes se torna fator decisivo para aumentar a produtividade e a rentabilidade no agronegócio
A qualidade das sementes tem assumido papel cada vez mais estratégico na agricultura brasileira. Em um cenário marcado por custos elevados de produção, volatilidade dos preços agrícolas e busca constante por eficiência, produtores rurais passaram a enxergar a semente não apenas como um insumo, mas como uma ferramenta fundamental para a gestão de risco e maximização da produtividade.
Estudos técnicos indicam que sementes de alto desempenho podem proporcionar ganhos expressivos na produção. De acordo com pesquisas da Embrapa, materiais com elevado vigor e qualidade fisiológica têm potencial para aumentar a produtividade da soja entre 10% e 15%, representando impacto direto na rentabilidade das propriedades rurais.
Qualidade começa antes do plantio
O avanço tecnológico da agricultura brasileira elevou as exigências do mercado de sementes. Além do potencial genético das cultivares, fatores como germinação, vigor, uniformidade, sanidade, armazenamento adequado e rastreabilidade passaram a ser determinantes para garantir o estabelecimento inicial das lavouras.
Nesse contexto, a Boa Safra vem fortalecendo sua atuação por meio de investimentos em qualidade industrial, armazenamento refrigerado, tratamento industrial de sementes (TSI) e sistemas de controle que acompanham todas as etapas da produção.
Com o conceito “Qualidade Boa Safra: do campo ao campo, garantindo excelência a cada safra”, a companhia mantém uma estrutura especializada composta por 43 profissionais e três laboratórios próprios de controle de qualidade localizados nas regiões do Cerrado e Sul do Brasil.
Entre os testes realizados estão análises de Tetrazólio, Envelhecimento Acelerado, Emergência em Canteiro, Germinação em Papel e Areia, além de avaliações visuais e processos apoiados por inteligência artificial.
Semente de qualidade reduz riscos e aumenta o potencial produtivo
Segundo Maikely Feliceti, gerente de Qualidade de Sementes da empresa, a confiabilidade do material entregue ao produtor tornou-se um diferencial competitivo essencial.
“A semente deixou de ser apenas um insumo agrícola e passou a ser tratada como uma ferramenta de gestão de risco. Nosso compromisso é garantir que cada lote entregue ao produtor apresente elevado potencial de emergência e desempenho fisiológico, contribuindo para o sucesso da lavoura”, destaca.
Atualmente, além da forte presença no mercado de sementes de soja, a empresa também atua com sementes de milho, sorgo e forrageiras, adotando protocolos rigorosos de controle fisiológico, físico, genético e sanitário em todas as culturas.
Ganhos econômicos podem chegar a 400 quilos por hectare
O impacto da qualidade das sementes vai além da uniformidade da lavoura. Segundo estudos da Embrapa citados pela empresa, sementes mais vigorosas podem gerar ganhos produtivos de até 400 quilos por hectare em determinadas condições de cultivo.
Para os produtores, essa diferença representa um resultado financeiro significativo, especialmente diante dos atuais custos de implantação e condução das lavouras.
“Quando analisamos o cenário atual da soja, qualquer incremento produtivo pode representar uma melhora relevante na margem operacional. A qualidade da semente passou a ser um investimento estratégico para o produtor”, afirma Glaube Caldas, diretor de Operações da Boa Safra.
Mercado valoriza confiabilidade e consistência operacional
A dinâmica do setor de sementes também mudou nos últimos anos. Hoje, aspectos como capacidade logística, estabilidade na entrega, conservação dos lotes, suporte técnico especializado, rastreabilidade e tratamento industrial são considerados diferenciais importantes no momento da compra.
Especialistas do setor avaliam que a construção de credibilidade entre os produtores depende cada vez mais da capacidade das empresas em garantir consistência operacional e desempenho no campo.
Nesse ambiente altamente competitivo, a confiança técnica tornou-se um dos principais ativos das empresas do segmento, acompanhando a evolução da agricultura de precisão e a crescente profissionalização da gestão rural.
Tecnologia e qualidade impulsionam a agricultura brasileira
Com a necessidade de produzir mais em áreas cada vez mais eficientes, a qualidade das sementes tende a permanecer como um dos pilares da competitividade do agronegócio nacional.
A combinação entre genética avançada, rigor nos processos industriais, monitoramento de qualidade e rastreabilidade reforça o papel das sementes de alto desempenho como ferramenta essencial para elevar a produtividade, reduzir riscos e aumentar a sustentabilidade econômica das lavouras brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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