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Agricultura de precisão exige mais que dados: o desafio agora é transformar informação em resultado

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Com a agricultura cada vez mais conectada e pressionada por custos e janelas curtas de plantio, a busca por alta performance na semeadura entra em uma nova fase. O diferencial competitivo já não está apenas na coleta de dados, mas na capacidade de transformar informações em ajustes técnicos rápidos e precisos, capazes de reduzir perdas e elevar o desempenho operacional.

Do volume de dados à tomada de decisão prática

Segundo estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção brasileira de grãos na safra 2025/26 deve alcançar 353,4 milhões de toneladas em 83,9 milhões de hectares. Nesse cenário, o espaço para erros operacionais na semeadura torna-se cada vez menor.

A agricultura de precisão, antes associada apenas à geração de grandes volumes de informação, passa agora a ser definida pela usabilidade e interpretação dos dados. A International Society of Precision Agriculture (ISPA) revisou, em janeiro de 2024, o conceito técnico da prática: trata-se de uma estratégia de gestão baseada em coleta, processamento e análise de informações para apoiar decisões conforme a variabilidade da lavoura — ou seja, dado sem interpretação não gera resultado.

Telemetria e ajuste técnico em tempo real

Na prática, empresas de tecnologia agrícola vêm colocando esse desafio no centro das operações. A Crucianelli, fabricante de máquinas agrícolas, destaca que o foco da agricultura moderna está em converter telemetria em ação de campo.

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De acordo com Maximiliano Cassalha, gerente comercial da Crucianelli Brasil, as plantadeiras da marca captam em tempo real informações como índice de qualidade de semeadura, população, falhas, duplas e desempenho do dosador.

“O desafio hoje não é gerar dados, mas interpretá-los corretamente. A aplicação útil da telemetria depende de contexto agronômico e capacidade de ajuste durante o trabalho”, explica Cassalha.

Esses ajustes envolvem parâmetros como velocidade de plantio, distribuição de sementes, população de plantas e dosagem de fertilizantes — variáveis que, quando otimizadas, aumentam a uniformidade do estande e reduzem desperdícios.

Evidências técnicas reforçam a importância da regulagem

Estudos da Embrapa indicam que operar acima da velocidade recomendada eleva as falhas e a ocorrência de duplas, prejudicando a uniformidade de profundidade e reduzindo a população final de plantas. Já pesquisas internacionais, como o relatório “Precision Agriculture in the Digital Era”, do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), mostram que a simples adoção tecnológica não é suficiente: mapas desatualizados ou históricos incompletos podem levar a decisões incorretas e manter o risco agronômico elevado.

Conectividade ainda é gargalo para avanço da agricultura digital

No Brasil, a expansão da mecanização e da conectividade no campo avança, mas ainda enfrenta desafios. O Censo Agro 2017 registrou 1,229 milhão de tratores e um salto expressivo no número de produtores com acesso à internet: 1,43 milhão em 2017, contra apenas 75 mil em 2006.

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Mesmo assim, a conectividade rural ainda é desigual. Segundo o IBGE, em 2024 apenas 65,8% dos domicílios rurais tinham acesso à internet móvel, ante 95,3% em áreas urbanas. O tema tem ganhado espaço nas políticas públicas — a Anatel passou a incluir no Índice de Cobertura de Banda (IBC) uma métrica específica sobre cobertura móvel em áreas agrícolas, reforçando a importância do tema para a produtividade.

Próximos passos: automação e inteligência artificial no campo

De acordo com Cassalha, os maiores ganhos vêm do uso consistente da telemetria, associado à capacidade de ajuste fino durante a operação. “Pequenas correções baseadas em dados podem gerar grandes diferenças no resultado final”, afirma.

O próximo avanço deve vir da integração entre automação e inteligência artificial, ampliando a capacidade de detecção de desvios e recomendação automática de ajustes em tempo real. Para o produtor, a prioridade é clara: menos foco em coletar mais dados e mais atenção à interpretação e ao tempo de resposta durante o plantio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Carne suína: percepção de oferta confortável pressiona preços e trava mercado no Brasil

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O mercado brasileiro de carne suína registrou uma semana de comportamento misto entre o quilo vivo e os cortes negociados no atacado. A pressão predominante veio da percepção de que a oferta de animais segue confortável, fator que limita reajustes e mantém o setor em ritmo lento de negociações.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a indústria adotou uma postura mais reticente nas compras do suíno vivo em Minas Gerais ao longo da semana. O movimento reflete a percepção de equilíbrio — ou até excesso — na oferta disponível, o que reduz o poder de barganha dos produtores.

Ao mesmo tempo, os frigoríficos monitoram o escoamento da carne suína no mercado interno, que apresenta leve melhora, mas ainda sem força suficiente para sustentar altas mais consistentes nos preços.

Consumo pode ganhar tração na primeira quinzena de julho

De acordo com Maia, as expectativas do setor se concentram na primeira metade de julho, período tradicionalmente associado ao aumento da circulação de renda com o pagamento de salários.

Além disso, o avanço do inverno em diversas regiões do país tende a favorecer o consumo de proteínas, especialmente carnes de preparo doméstico. Outro fator de atenção é a competitividade da carne suína frente à bovina, o que pode ampliar a demanda no varejo.

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No cenário externo, as exportações seguem como principal variável positiva para o setor em 2026, funcionando como importante amortecedor para o mercado interno.

Preços do suíno vivo recuam na média nacional

Levantamento da Safras & Mercado apontou que a média do quilo do suíno vivo no Brasil recuou de R$ 5,34 para R$ 5,28 ao longo da semana.

No atacado, a média dos cortes de carcaça ficou em R$ 8,89, enquanto o pernil foi negociado a R$ 11,18.

Cotações variam entre estabilidade e ajustes regionais

No mercado paulista, a arroba suína subiu de R$ 101,00 para R$ 102,00, indicando leve reação pontual.

Em outras regiões, o comportamento foi mais heterogêneo:

  • No Rio Grande do Sul, o quilo vivo na integração caiu de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto no interior avançou de R$ 5,10 para R$ 5,15
  • Em Santa Catarina, a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto o interior subiu de R$ 5,05 para R$ 5,10
  • No Paraná, o mercado livre avançou de R$ 4,90 para R$ 5,00, e a integração manteve R$ 5,60
  • Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande ficou estável em R$ 5,10, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
  • Em Goiás, os preços subiram de R$ 5,40 para R$ 5,50
  • Em Minas Gerais, o interior caiu de R$ 6,00 para R$ 5,90, enquanto o mercado independente ficou estável em R$ 6,10
  • Em Mato Grosso, Rondonópolis manteve R$ 5,50, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
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O cenário geral reforça um mercado fragmentado, com variações pontuais e ausência de tendência única.

Exportações seguem em queda no comparativo anual

As exportações brasileiras de carne suína in natura somaram US$ 212,827 milhões em junho, considerando 14 dias úteis, com média diária de US$ 15,202 milhões.

O volume embarcado atingiu 84,663 mil toneladas, com média diária de 6,047 mil toneladas, enquanto o preço médio ficou em US$ 2.513,8 por tonelada.

Na comparação com junho de 2025, houve:

  • queda de 5,2% no valor médio diário
  • recuo de 1% na quantidade média diária
  • redução de 4,3% no preço médio

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e reforçam um cenário de leve perda de ritmo nas exportações, apesar de o setor seguir relevante para o equilíbrio da cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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