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Açúcar: USDA reduz superávit global em 57% e cenário climático reforça expectativa de alta nos preços internacionais

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O mercado global de açúcar recebeu um importante sinal de sustentação para os preços com a divulgação do primeiro relatório semestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27. Os novos números apontam uma redução expressiva do superávit mundial, reforçando a percepção de um mercado mais ajustado entre oferta e demanda nos próximos meses.

Segundo análise da SAFRAS & Mercado, o USDA reduziu a projeção de superávit global da safra 2026/27 para 4,8 milhões de toneladas, volume 57% menor em relação à estimativa anterior de 11,4 milhões de toneladas. Além disso, a entidade também revisou para baixo os números da safra 2025/26, cujo excedente foi reduzido de 11,4 milhões para 6,13 milhões de toneladas.

A combinação entre menor oferta global e condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras fortalece a expectativa de valorização dos contratos futuros do açúcar negociados em Nova York ao longo do segundo semestre.

USDA promove forte ajuste na oferta global

O principal destaque do relatório está na magnitude das revisões realizadas pelo USDA.

A safra 2025/26 teve seu superávit reduzido em mais de 5 milhões de toneladas, uma revisão equivalente a 46% em relação à projeção anterior. Já para a temporada 2026/27, o excedente global foi estimado em apenas 4,8 milhões de toneladas, representando uma queda adicional de 20% frente ao volume revisado da safra passada.

Somando os dois movimentos, os cortes acumulados alcançam aproximadamente 6,55 milhões de toneladas, alterando significativamente a percepção do mercado sobre a disponibilidade global de açúcar.

Na avaliação da SAFRAS & Mercado, esse ajuste representa um dos principais fatores de sustentação para os preços internacionais nos próximos meses.

El Niño e monções ampliam preocupação com a produção asiática

Além da redução da oferta apontada pelo USDA, o mercado acompanha com atenção a evolução das condições climáticas na Ásia.

O Departamento de Climatologia da Índia elevou sua projeção de déficit de chuvas durante a temporada de monções de 2026, passando de 8% para 10% abaixo da média histórica.

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A preocupação aumenta diante da previsão de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte a muito forte intensidade, conforme projeções internacionais.

Em 2023, quando a região enfrentou um episódio de El Niño de intensidade moderada, o déficit pluviométrico na Índia ficou entre 12% e 14% abaixo da média. Caso as previsões atuais se confirmem, o impacto climático sobre a produção agrícola asiática poderá ser ainda mais severo.

Índia e Tailândia figuram entre os maiores produtores e exportadores de açúcar do mundo, tornando qualquer redução produtiva um fator relevante para a formação dos preços globais.

Brasil também pode enfrentar impactos na produção

Enquanto a Ásia sofre com a perspectiva de chuvas abaixo da média, o cenário brasileiro aponta para o movimento oposto.

As projeções climáticas indicam aumento significativo das precipitações sobre os canaviais do Centro-Sul do Brasil a partir de agosto, com intensificação entre setembro e outubro e possibilidade de persistência até o início de 2027.

O excesso de chuvas pode comprometer o ritmo da colheita e da moagem da cana-de-açúcar, reduzindo a eficiência operacional das usinas e encurtando o período de processamento em algumas regiões produtoras.

Segundo a análise da SAFRAS & Mercado, dezenas de unidades industriais poderão encerrar suas atividades de moagem antecipadamente, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.

Produção mundial deve recuar em 2026/27

Os dados do USDA mostram que a produção global de açúcar deverá atingir 184,85 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo das 186,05 milhões registradas na temporada anterior.

A redução de 1,2 milhão de toneladas representa queda de 0,65% na comparação anual.

Os cortes de produção esperados para Brasil, União Europeia e Tailândia mais do que compensam o crescimento previsto para a Índia, contribuindo para o aperto na oferta mundial.

Além disso, o relatório aponta redução das exportações globais, principalmente por parte do Brasil, União Europeia, Marrocos e Paquistão.

Consumo mundial segue em trajetória recorde

Pelo lado da demanda, o consumo global continua avançando.

O USDA estima que o consumo mundial alcance 179,99 milhões de toneladas em 2026/27, praticamente atingindo a marca histórica de 180 milhões de toneladas.

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Embora o crescimento seja modesto, o avanço da demanda ocorre em um momento de oferta mais restrita, contribuindo para sustentar os preços internacionais.

As exportações globais, por outro lado, deverão recuar de 62,64 milhões para 62,32 milhões de toneladas, reforçando o cenário de menor disponibilidade no mercado internacional.

Estoques crescem, mas não anulam tendência de alta

O único fator com potencial de limitar parcialmente a valorização do açúcar é o aumento dos estoques globais.

A relação estoque/consumo deverá avançar de 24,19% para 24,67% entre as safras 2025/26 e 2026/27.

Os estoques iniciais foram estimados em 43,52 milhões de toneladas, crescimento de 3% sobre a temporada anterior. Já os estoques finais devem alcançar 44,10 milhões de toneladas, avanço de 2%.

Apesar desse aumento, a SAFRAS & Mercado avalia que o crescimento dos estoques será insuficiente para neutralizar os efeitos combinados da menor oferta global, da demanda aquecida e dos riscos climáticos nas principais regiões produtoras.

Mercado mira patamares mais altos em Nova York

Diante desse cenário, a consultoria projeta continuidade do movimento de recuperação dos preços do açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York.

Os contratos futuros já demonstram fortalecimento ao longo da curva para os vencimentos do final de 2026 e início de 2027, com preços orbitando entre 16 e 17 cents por libra-peso.

A expectativa predominante é de avanço para a faixa dos 18 cents ainda neste ano, enquanto o patamar de 20 cents passa a ser considerado uma possibilidade crescente caso os riscos climáticos se confirmem e a oferta mundial continue sendo revisada para baixo.

A combinação entre menor superávit global, incertezas climáticas na Ásia e possíveis impactos do El Niño sobre a safra brasileira coloca o mercado internacional de açúcar em uma trajetória de maior firmeza para os preços ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões

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O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.

A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.

A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.

Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.

A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.

O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.

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Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.

Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.

As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.

A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.

Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.

Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.

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Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.

Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.

O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.

A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.

Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.

A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.

Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.

Fonte: Pensar Agro

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