Agro
Açúcar se recupera nas bolsas internacionais após semana de quedas, mas oferta global segue pressionando o mercado
Aumento da produção global pressiona cotações
Na sexta-feira (7), os contratos futuros do açúcar encerraram a semana em queda nas bolsas internacionais, refletindo o aumento da oferta global. A consultoria Czarnikow revisou para cima a projeção de superávit global da safra 2025/26, que deve alcançar 8,7 milhões de toneladas, acima dos 7,5 milhões estimados em setembro.
No Brasil, a Conab também elevou a previsão de produção para 45 milhões de toneladas, impulsionada pelo bom desempenho das usinas nacionais. Já na Índia, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar (ISMA) aumentou a estimativa de produção para 31 milhões de toneladas, um crescimento de 18,8% em relação ao ano anterior. Além disso, o país reduziu o volume destinado à produção de etanol de 5 milhões para 3,4 milhões de toneladas, o que deve ampliar a disponibilidade para exportação.
Cotações recuam nas bolsas internacionais
- Na ICE Futures, em Nova York, o açúcar bruto teve leve desvalorização. O contrato com vencimento em março/26 caiu 9 pontos, cotado a 14,10 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o contrato maio/26 recuou 12 pontos, para 13,73 centavos.
- Na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco acompanhou a tendência de baixa. O contrato dezembro/25 perdeu US$ 3,30, sendo negociado a US$ 409,60 por tonelada, e o março/26 caiu US$ 1,50, para US$ 405,90 por tonelada.
Mercado interno também registra queda
De acordo com o Indicador Cepea/Esalq (USP), o preço da saca de 50 kg de açúcar cristal foi negociado a R$ 107,16, com retração de 1,07% no mercado spot paulista.
Recuperação nas bolsas nesta segunda-feira (10)
Após as quedas registradas na semana anterior, o mercado iniciou a segunda-feira (10) em recuperação. Em Nova York, o contrato março/26 subiu 1,42%, para 14,30 centavos de dólar por libra-peso. O contrato maio/26 avançou 1,53%, cotado a 13,94 centavos, enquanto o julho/26 ganhou 1,17%, a 13,84 centavos.
Em Londres, o açúcar branco com vencimento em dezembro/25 registrou leve alta de 0,17%, sendo negociado a US$ 410,30 por tonelada.
Exportações brasileiras mantêm ritmo intenso
Mesmo com a volatilidade dos preços, as exportações brasileiras seguem em ritmo forte. De acordo com levantamento da agência marítima Williams Brasil, 80 navios aguardavam para embarcar açúcar nos portos do país na semana encerrada em 5 de novembro, contra 86 na semana anterior. Os embarques programados somam 3,059 milhões de toneladas, ante 2,993 milhões na semana anterior.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a receita diária média obtida com as exportações de açúcar e melaços em outubro foi de US$ 75,864 milhões, com 22 dias úteis. O volume médio diário embarcado atingiu 191,1 mil toneladas, totalizando 4,2 milhões de toneladas exportadas no mês, o que gerou US$ 1,669 bilhão em receita — a um preço médio de US$ 396,90 por tonelada.
Na comparação com outubro de 2023, houve queda de 5,8% na receita diária e alta de 12,8% no volume exportado. Apesar do crescimento no volume embarcado, o preço médio recuou 16,5%, refletindo o cenário de maior oferta global e a consequente pressão sobre as cotações internacionais.
Perspectivas para o mercado
O mercado do açúcar segue atento ao comportamento das safras do Brasil e da Índia, além da demanda internacional e da dinâmica de estoques. Embora a recuperação recente indique espaço para ajustes positivos, o aumento da produção global tende a limitar altas mais expressivas nos preços nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
GT do El Niño entrega relatório final ao ministro André de Paula
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu, nesta quinta-feira (24/09), o relatório final do Grupo de Trabalho (GT) do El Niño. O documento reúne iniciativas técnicas e de gestão de riscos para reduzir os impactos do fenômeno climático sobre a produção agropecuária nacional, além de propor estratégias de mitigação, adaptação e proteção ao produtor rural, no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
De acordo com o relatório, a resposta do governo federal deve combinar três horizontes de atuação: ações imediatas para a safra 2026/2027; medidas voltadas às próximas safras; e iniciativas de caráter permanente, como a criação de um núcleo de gestão de riscos climáticos extremos para monitoramento e análise de riscos.
A estrutura proposta contará com um painel agroclimático para integrar informações, coordenar ações e apoiar a implementação de estratégias de mitigação, adaptação e proteção do produtor rural.
O ministro André de Paula destacou que o trabalho realizado pelo GT integra os esforços do governo federal, sob coordenação da Casa Civil, para o enfrentamento do El Niño. “Essa é uma questão que não é mais excepcional e veio para ficar. Precisamos de planejamento, dotando o Ministério de instrumentos permanentes para enfrentar as situações decorrentes desse cenário”, afirmou.
Entre as medidas apontadas como prioritárias para acelerar a resposta governamental aos efeitos do El Niño está o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com o objetivo de assegurar a disponibilidade dessa ferramenta antes da intensificação do plantio da safra de verão.
Outro ponto destacado pelo coordenador do GT, Bruno Leite, é a aceleração da implementação do Plano ABC+ e do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (Caminho Verde), considerados políticas estruturantes de adaptação e mitigação. “Dessa maneira, podemos ampliar a adoção de tecnologias produtivas resilientes, a assistência técnica, a capacitação e o financiamento”, destacou.
O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, ressaltou a importância da iniciativa para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas e para o fortalecimento das políticas de adaptação e mitigação no setor agropecuário.
ESTRATÉGIAS E AÇÕES
Para a safra 2026/2027, a prioridade indicada no relatório é reduzir perdas por meio da disseminação de tecnologias de comprovada eficiência, já disponibilizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com ações como assistência técnica, orientações regionalizadas e monitoramento agroclimático para a adoção de práticas de manejo adequadas às condições de cada região.
Para as próximas safras, as recomendações incluem ampliar a adoção de sistemas produtivos resilientes, fortalecer a segurança hídrica e aperfeiçoar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), com integração a Boas Práticas Agrícolas (BPAs), crédito rural, seguro rural e Proagro.
Entre as ações de caráter permanente está a consolidação, no Mapa, de uma estrutura de gestão de riscos climáticos apoiada por um painel integrado de informações. A proposta prevê articulação institucional, monitoramento e análise de riscos, produção de boletins e alertas, apoio técnico à implementação das ações, inclusive em parceria com os estados, e avaliação dos resultados.
Entre as ações de caráter permanente está a consolidação, no Mapa, de uma estrutura de gestão de riscos climáticos apoiada por um painel integrado capaz de reunir informações climáticas e orientações de manejo em formato acessível a quem precisa. A proposta prevê articulação institucional, monitoramento e análise de riscos, produção de boletins e alertas, apoio técnico à implementação das ações, inclusive em parceria com os estados, e avaliação dos resultados.
GT DO EL NIÑO
O GT do El Niño foi instituído pela Portaria nº 928/2026. O grupo foi composto por representantes de cinco secretarias do Mapa, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Entre as atribuições previstas estava a identificação das regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno.
O grupo recebeu da Embrapa um conjunto de 163 medidas sistematizadas para apoiar a gestão de riscos climáticos na agropecuária. As recomendações consideram os possíveis impactos associados ao El Niño na safra 2026/2027 e propõem ações permanentes de prevenção, adaptação e redução de riscos no campo.
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