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Agro

Açúcar recua nas bolsas internacionais com pressão da oferta indiana e câmbio no Brasil

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O mercado internacional do açúcar registrou novas quedas ao longo desta semana, refletindo principalmente a expectativa de maior disponibilidade do adoçante pela Índia na safra 2025/26. O país asiático deve destinar cerca de 4 milhões de toneladas de cana à produção de etanol, mas o volume não deve ser suficiente para conter o excedente doméstico. Com isso, as usinas indianas podem exportar até 4 milhões de toneladas de açúcar — o dobro da projeção inicial de 2 milhões —, o que pressiona diretamente as cotações globais.

Cotações em Nova York e Londres

Na ICE Futures, em Nova York, os contratos do açúcar bruto acumularam desvalorização. O outubro/25 recuou para 15,72 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o março/26 encerrou em 16,40 cents. Já na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco também caiu: o contrato dezembro/25 fechou em US$ 459,10 por tonelada, e o março/26 encerrou a US$ 457,90 por tonelada.

Real valorizado limita perdas no Brasil

Apesar da pressão internacional, a valorização do real frente ao dólar — que atingiu o maior patamar em 15 meses — ajudou a limitar as perdas no Brasil. Um câmbio mais forte desestimula as exportações do país, maior fornecedor mundial do produto, e contribui para reduzir a intensidade das baixas no mercado futuro.

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Fundos aumentam posições vendidas

Outro fator que influencia o movimento de preços é a atuação dos fundos de investimento. Dados da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) apontam que, até 9 de setembro, as posições vendidas líquidas em açúcar aumentaram em 32.849 contratos, alcançando 182.608 — o maior volume em quase seis anos. Esse excesso pode abrir espaço para ajustes de cobertura e, eventualmente, favorecer altas técnicas em momentos de correção.

Produção brasileira avança com clima seco

No mercado interno, a produção segue em ritmo acelerado. Dados da Unica mostram que, apenas na primeira quinzena de agosto, São Paulo produziu 2,368 milhões de toneladas de açúcar, alta de 20,46% em relação ao mesmo período do ano anterior. O mix de produção nas usinas paulistas destinou 61,64% da matéria-prima ao adoçante, favorecido pelas condições de clima seco.

Açúcar cristal mantém estabilidade no mercado doméstico

Enquanto isso, os preços do açúcar cristal no mercado spot paulista apresentaram pouca variação. O Indicador Cepea/Esalq registrou média de R$ 118,79 por saca de 50 quilos entre 8 e 12 de setembro, uma leve alta de 0,22% em relação à semana anterior.

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Etanol recua em Paulínia

Já o etanol hidratado registrou retração. O Indicador Diário Paulínia apontou queda de 0,51%, com o metro cúbico negociado a R$ 2.843,50 nas usinas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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