Paraná
Ações socioambientais da Sanepar impactaram mais de 60 mil pessoas em 2025
Reutilizar óleo de cozinha na confecção de sabão ecológico, fazer a interligação correta do imóvel à rede coletora de esgoto e realizar pequenos reparos em torneiras, chuveiros e vasos sanitários. Com estas e outras habilidades, muitos paranaenses fizeram a melhor gestão da sua economia doméstica e até geraram renda extra em 2025. Eles estão entre os mais de 60 mil participantes de atividades do Programa de Intervenção Socioambiental em Obras de Saneamento da Sanepar, que promoveu 307 ações em 54 municípios do Estado no ano passado. O investimento foi de R$ 4,3 milhões.
Dentre os eventos, foram realizadas reuniões comunitárias, diagnósticos de bacia hidrográfica, oficinas de sabão, de artes, de horta doméstica, cisterna e reúso da água, cursos de facilitadores em saneamento e cursos para encanadores, entre outros. Todas as ações buscam sensibilizar a comunidade sobre o contexto do saneamento, dentro de seus quatro eixos: abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, e drenagem de águas pluviais.
Além dos cursos e reuniões, normalmente em escolas ou em Centros de Referência de Assistência Social, há um trabalho de porta em porta, com abordagens domiciliares de orientação, entrega de comunicados sobre as obras e o meio ambiente. Apenas em 2025, o Programa contabilizou mais de 52 mil visitas domiciliares.
O diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Fernando Guedes, explica que os esforços da Companhia são para orientar a população sobre questões ambientais e a importância do saneamento, como funciona a prestação de serviços, o caminho que a água faz do rio até chegar com qualidade na casa de cada um, assim como se dá o processo de coleta e tratamento do esgoto, antes da água voltar ao meio ambiente, estimulando o envolvimento da comunidade.
“O trabalho com tão numerosas atividades e participações é realizado graças a parcerias com prefeituras municipais, que ficam responsáveis pela articulação comunitária, além de fornecer infraestrutura. Tivemos, sem dúvida alguma, um ano muito produtivo levando informação útil para a saúde e o bem-estar da população”, ressalta o diretor.
IMPACTO SOCIAL – O Programa de Intervenção Socioambiental em Obras de Saneamento da Sanepar atende à Portaria n° 464/2018, do Ministério das Cidades, que prevê a contrapartida de 1% a 3% do valor do investimento de obras financiadas via FGTS. Esta linha de trabalho social também é seguida na aplicação de recursos da própria Companhia.
O público-alvo das atividades é diverso. São estudantes, professores, agentes comunitários de endemias e de saúde, lideranças comunitárias e membros da comunidade.
“A maioria das atividades é aberta para a população em geral. Direcionamos alguns cursos, como o de pequenos reparos hidráulicos para mulheres, por exemplo. Isso tem a ver não só com consertar vazamentos e acabar com o desperdício de água, com a troca de um reparo na torneira ou um ajuste na válvula de descargas. Tem a ver com ajudar as mulheres a terem autonomia”, afirma a gerente de Desenvolvimento Socioambiental da Sanepar, Palloma Costa.
“Reconhecemos neste curso uma grande oportunidade para as mulheres resolverem questões dentro dos seus lares, bem como fazer uma renda extra prestando serviços na comunidade se precisarem”, destaca.
Claudete Gomes Euzébio, 32 anos, é uma das participantes do curso de pequenos reparos em Londrina. Mãe solo de Yssamara, de 12 anos, Yasmin, de 9, e Ymaryá, de 6, ela desenvolve diferentes atividades para manter a casa, onde faz a gestão de tudo o que implica nos gastos mensais.
“Somos sozinhas, eu e as meninas. Aprendi a trocar a borrachinha da torneira, para não ficar com vazamento. Aprendi a trocar também o registro do chuveiro, da descarga e a caixinha acoplada. Aprendi muitas coisas que eu não sabia. Assim eu não preciso pagar para um encanador fazer, que cobra muito caro, eu mesma posso resolver”, afirma.
“A água é muito importante. Eu sempre falo para minhas filhas economizarem, entrarem no banho rapidinho. Na hora de ensaboar o cabelo, desligar o chuveiro, escovar os dentes também, é bem rápido, porque aqui eu sou bem econômica na água”, ressalta.
MULTIPLICANDO CONHECIMENTO – O Curso de Capacitação de Facilitadores em Saneamento é uma das atividades do Programa de Intervenção. A atividade visa capacitar lideranças, educadores e agentes comunitários de saúde para adoção de novos comportamentos e atitudes que promovam a saúde e uma conduta ambiental responsável, formando multiplicadores de conhecimento.
Tiago Veloso de Aguiar é agente de endemias em Paiçandu, na região Noroeste, e trabalha com o monitoramento e o controle da água distribuída no município. Como parte do curso de facilitadores, ele visitou diferentes unidades da Sanepar e conseguiu entender melhor a complexidade da operação do sistema de abastecimento.
“Achei bem válido nesse sentido. Estar um pouco por dentro de como é a realidade da empresa e de como é realizado esse trabalho tão importante para nós, até para passar essa informação para os próprios moradores”, conclui.
Fonte: Governo PR
Paraná
Ministro André Mendonça faz palestra magna na abertura do Encontro Nacional do Cira 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi o responsável pela palestra magna na abertura do Encontro Nacional CIRA 2026 – Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, nesta sexta-feira, 14 de agosto, no Ministério Público de São Paulo. Autor do prefácio do livro “Crimes contra a ordem econômica e tributária: desafios atuais e perspectivas”, lançado durante o evento, Mendonça tratou dos critérios para quantificar o dano, o enriquecimento ilícito e o produto de atividades criminosas.
Em uma exposição de caráter técnico, o ministro discutiu os parâmetros que devem orientar a definição dos valores objeto de pedido de ressarcimento ou perdimento. Citou, entre outros exemplos, a Operação Sanguessuga e situações envolvendo gestores públicos em casos de fraude, para mostrar que a identificação do dano nem sempre pode ser reduzida a uma simples correspondência entre o valor contratado e o prejuízo causado.
A palestra dialoga diretamente com o prefácio assinado pelo ministro André Mendonça, sendo um dos temas centrais da coletânea os desafios jurídicos e práticos para investigar a criminalidade econômica, responsabilizar seus autores e recuperar valores decorrentes de atividades ilícitas.
André Mendonça discutiu os parâmetros que devem orientar a definição dos valores objeto de pedidos de ressarcimento ou perdimento. Ao citar exemplos como a Operação Sanguessuga e casos envolvendo gestores públicos, destacou que a identificação do dano não pode ser reduzida, em todos os casos, à diferença entre o valor contratado e o prejuízo causado.
O ministro chamou atenção para a necessidade de distinguir produto da atividade ilícita, dano e enriquecimento ilícito. Segundo a abordagem apresentada, essa diferenciação é necessária para definir os valores que podem ser objeto de recuperação de ativos em casos de corrupção e improbidade administrativa.
Mendonça também apresentou referências do direito comparado, citando a legislação dos Estados Unidos, como o Civil Asset Forfeiture Reform Act (CAFRA), de 2000, e o Fraud Enforcement and Recovery Act (FERA), de 2009. Na experiência italiana, abordou o Decreto Legislativo nº 231/2001 e decisões da Corte de Cassação relacionadas à definição do produto obtido com a prática ilícita.
No ordenamento brasileiro, a análise passou pelo Código Penal, pela Lei de Lavagem de Dinheiro, pela Lei de Improbidade Administrativa e pela Convenção de Mérida.
Ao final, o ministro destacou a necessidade de critérios técnicos para a definição dos valores e do apoio das áreas da administração pública responsáveis pela receita. A adoção de uma metodologia mais precisa, segundo Mendonça, pode contribuir para dar maior segurança às investigações, às apurações e às decisões judiciais.
Livro sobre crimes contra a ordem econômica e tributária é lançado durante Encontro Nacional do Cira 2026
Na sequência da programação, foi lançado o livro “Crimes contra a ordem econômica e tributária: desafios atuais e perspectivas”, coordenado pelo Procurador-Geral de Justiça, Francisco Zanicotti, e pelo promotor de Justiça Diego Gomes Castilho, ambos do Ministério Público do Paraná. Publicada em 2026 pela Editora Tirant Lo Blanch, a obra reúne estudos de especialistas sobre diferentes aspectos do direito penal econômico.
A publicação tem 340 páginas e reúne artigos sobre investigação e responsabilização por crimes econômicos e tributários. Entre os temas estão a análise probatória em delitos financeiros complexos, fraudes estruturadas, empresas de fachada, recuperação de ativos e sonegação fiscal.
A coletânea também aborda a aplicação da Lei Anticorrupção, a individualização e a dosimetria da pena em crimes tributários e os limites da responsabilização penal de empresários e administradores.
Fonte: Ministério Público PR
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