Paraná
Alunos de Pinhais desenvolvem sistema inteligente de segurança na travessia de trilhos
Movidos pelo objetivo de tornar o caminho para a escola mais seguro, estudantes do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Leocádia Braga Ramos, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, transformaram uma ideia simples em um projeto de impacto real para toda a comunidade. Eles desenvolveram um sistema de cancelas inteligentes para aumentar a segurança na travessia de trilhos, unindo criatividade, tecnologia e responsabilidade social em uma solução que beneficia tanto os próprios alunos quanto os moradores da região.
Um acidente grave registrado em maio, no entorno da escola, foi o ponto de partida para a proposição da atividade. “O acidente repercutiu bastante pois resultou em uma vítima fatal. Então começamos a pensar no nosso papel dentro deste contexto e em como poderíamos contribuir para melhorar a segurança de quem precisa cruzar o trilho do trem”, conta Maria Angela Magni, professora da instituição de ensino que conduziu a atividade.
Foi nas aulas de Robótica que a ideia começou a ganhar corpo. O trabalho demonstra, na prática, o funcionamento do sistema férreo. Tudo começou com a construção de uma maquete. O trabalho foi executado pelos alunos Gabriel Henrique Anacleto (17 anos), Jessé Oliveira da Silva (18), Rafael Almeida de Oliveira (18) e Carlos Eduardo de Lara Araújo (17), orientados pela professora Maria Angela.
A maquete foi feita com materiais recicláveis como esponjas de lavar louças, bocal de lâmpada, caixa de ovos e papelão. Já a automação da cancela foi viabilizada com uso de bateria recarregável, placa Uno e placa Shield e a programação por meio do Tinkercad. Além do uso da Inteligência Artificial (IA) como apoio na programação.
“Projetos como este demonstram a força transformadora da educação quando ela se conecta com a realidade dos estudantes e com as necessidades do território”, afirma o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda. “O trabalho do Colégio Leocádia Braga Ramos é um exemplo claro de como a escola pública paranaense pode colaborar com a sociedade quando alia tecnologia, protagonismo estudantil e compromisso com a vida”, destaca.
FUNCIONAMENTO – A simulação criada pelos estudantes demonstra, em escala reduzida, como tecnologias simples e de baixo custo podem ser aplicadas para ampliar a segurança ferroviária especialmente em áreas rurais ou regiões onde o tráfego ferroviário convive com circulação de pedestres, ciclistas e veículos.
“Na prática, a maquete simula a aproximação de um trem de transporte de insumos agropecuários, acionando o sistema automaticamente, com a descida da cancela, ativação de sinal luminoso vermelho e um alerta sonoro, contribuindo para reduzir o risco de colisões e atropelamentos, um dos principais tipos de acidentes nesse tipo de travessia”, explica Maria Angela.
“Para identificar exclusivamente a presença do trem, o mecanismo utiliza um sensor ultravioleta programado para evitar disparos por pessoas ou veículos comuns fortalecendo a confiabilidade do dispositivo”.
O potencial do trabalho foi tão significativo que o projeto conquistou o primeiro lugar na última edição do concurso Agrinho, na categoria Robótica do Ensino Médio, representando o Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Norte.
“Quando jovens utilizam tecnologia para pensar soluções que evitam acidentes e aumentam a segurança da própria comunidade, nós vemos o verdadeiro sentido da escola pública. Projetos como esse mostram que investir na educação em robótica não é só preparar os alunos para o futuro do trabalho, é prepará-los para uma sociedade mais segura, criativa e solidária”, acrescenta o secretário Roni Miranda.
PROGRAMAÇÃO E ROBÓTICA – A tecnologia desempenha papel central no processo de ensino-aprendizagem da rede estadual do Paraná. Atualmente, mais de 160 mil estudantes participam de atividades de Robótica, componente inserido oficialmente na matriz curricular desde 2022. Paralelamente, o ensino de Programação já envolve cerca de 500 mil alunos, acumulando mais de 1 milhão de atividades concluídas.
Para 2025, a Seed-PR prioriza a modernização e a expansão do parque tecnológico das escolas. Foram adquiridos 42.195 Chromebooks, 16.160 computadores desktop, 25.040 tablets, 57.741 headsets, 1.476 telas interativas, 900 impressoras e 647 projetores. O montante investido supera R$ 187 milhões, contemplando 1.903 unidades escolares e beneficiando mais de 840 mil estudantes em todo o Estado.
ROBÓTICA PARANÁ – O Governo do Estado vai expandir o ensino de robótica no Estado, apoiando os municípios na oferta de aulas de inglês e robótica para estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, dentro do programa Educa Juntos. O governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou, em outubro, investimento de cerca de R$ 70 milhões para materiais didáticos voltados aos dois novos componentes curriculares.
A previsão é que as aulas comecem em 2026, após os processos de contratação e formação dos profissionais responsáveis. A iniciativa busca ampliar o acesso à tecnologia desde a infância, estimular a inovação pedagógica e fortalecer o protagonismo estudantil.
Fonte: Governo PR
Paraná
Ministro André Mendonça faz palestra magna na abertura do Encontro Nacional do Cira 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi o responsável pela palestra magna na abertura do Encontro Nacional CIRA 2026 – Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, nesta sexta-feira, 14 de agosto, no Ministério Público de São Paulo. Autor do prefácio do livro “Crimes contra a ordem econômica e tributária: desafios atuais e perspectivas”, lançado durante o evento, Mendonça tratou dos critérios para quantificar o dano, o enriquecimento ilícito e o produto de atividades criminosas.
Em uma exposição de caráter técnico, o ministro discutiu os parâmetros que devem orientar a definição dos valores objeto de pedido de ressarcimento ou perdimento. Citou, entre outros exemplos, a Operação Sanguessuga e situações envolvendo gestores públicos em casos de fraude, para mostrar que a identificação do dano nem sempre pode ser reduzida a uma simples correspondência entre o valor contratado e o prejuízo causado.
A palestra dialoga diretamente com o prefácio assinado pelo ministro André Mendonça, sendo um dos temas centrais da coletânea os desafios jurídicos e práticos para investigar a criminalidade econômica, responsabilizar seus autores e recuperar valores decorrentes de atividades ilícitas.
André Mendonça discutiu os parâmetros que devem orientar a definição dos valores objeto de pedidos de ressarcimento ou perdimento. Ao citar exemplos como a Operação Sanguessuga e casos envolvendo gestores públicos, destacou que a identificação do dano não pode ser reduzida, em todos os casos, à diferença entre o valor contratado e o prejuízo causado.
O ministro chamou atenção para a necessidade de distinguir produto da atividade ilícita, dano e enriquecimento ilícito. Segundo a abordagem apresentada, essa diferenciação é necessária para definir os valores que podem ser objeto de recuperação de ativos em casos de corrupção e improbidade administrativa.
Mendonça também apresentou referências do direito comparado, citando a legislação dos Estados Unidos, como o Civil Asset Forfeiture Reform Act (CAFRA), de 2000, e o Fraud Enforcement and Recovery Act (FERA), de 2009. Na experiência italiana, abordou o Decreto Legislativo nº 231/2001 e decisões da Corte de Cassação relacionadas à definição do produto obtido com a prática ilícita.
No ordenamento brasileiro, a análise passou pelo Código Penal, pela Lei de Lavagem de Dinheiro, pela Lei de Improbidade Administrativa e pela Convenção de Mérida.
Ao final, o ministro destacou a necessidade de critérios técnicos para a definição dos valores e do apoio das áreas da administração pública responsáveis pela receita. A adoção de uma metodologia mais precisa, segundo Mendonça, pode contribuir para dar maior segurança às investigações, às apurações e às decisões judiciais.
Livro sobre crimes contra a ordem econômica e tributária é lançado durante Encontro Nacional do Cira 2026
Na sequência da programação, foi lançado o livro “Crimes contra a ordem econômica e tributária: desafios atuais e perspectivas”, coordenado pelo Procurador-Geral de Justiça, Francisco Zanicotti, e pelo promotor de Justiça Diego Gomes Castilho, ambos do Ministério Público do Paraná. Publicada em 2026 pela Editora Tirant Lo Blanch, a obra reúne estudos de especialistas sobre diferentes aspectos do direito penal econômico.
A publicação tem 340 páginas e reúne artigos sobre investigação e responsabilização por crimes econômicos e tributários. Entre os temas estão a análise probatória em delitos financeiros complexos, fraudes estruturadas, empresas de fachada, recuperação de ativos e sonegação fiscal.
A coletânea também aborda a aplicação da Lei Anticorrupção, a individualização e a dosimetria da pena em crimes tributários e os limites da responsabilização penal de empresários e administradores.
Fonte: Ministério Público PR
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