Agro
Demanda fraca e ampla oferta pressionam preços do milho no Brasil e no exterior
Os preços do milho registraram queda na última semana, revertendo os ganhos observados no início do período, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O movimento de baixa foi impulsionado pelo enfraquecimento da demanda doméstica, já que muitos compradores anteciparam suas aquisições e agora se mantêm fora do mercado spot.
Além disso, as perspectivas de uma safra 2025/26 ainda robusta reforçam a pressão sobre os preços internos. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima produção nacional de 138,87 milhões de toneladas, uma leve retração de 1,5% frente à safra anterior, mas ainda a segunda maior da série histórica iniciada em 1976.
Por outro lado, produtores seguem retraídos das negociações, à espera de uma recuperação dos preços no início de 2026 — expectativa sustentada pelo possível retorno da demanda após o recesso de fim de ano. O retorno das chuvas em importantes regiões produtoras trouxe alívio no campo, reduzindo o temor de perdas na safra de verão e garantindo melhores condições para o plantio da segunda safra.
Mercado interno mantém ritmo lento e cotações desiguais entre os estados
De acordo com a TF Agroeconômica, o mercado físico de milho permanece pouco dinâmico em boa parte do país, com diferenças regionais marcantes.
No Rio Grande do Sul, a demanda segue moderada e seletiva, com exportações em ritmo fraco devido ao custo logístico elevado e aos gargalos de armazenagem. As referências variam entre R$ 58 e R$ 75 por saca, e a média estadual recuou 0,81%, para R$ 62,17.
Em Santa Catarina, o mercado continua travado pela falta de consenso entre compradores e vendedores. Produtores pedem em torno de R$ 80 por saca, enquanto as indústrias oferecem cerca de R$ 70. Negócios pontuais foram registrados entre R$ 71 e R$ 75, mas a liquidez segue reduzida.
No Paraná, a situação é semelhante: produtores pedem R$ 75 por saca, enquanto as indústrias indicam R$ 70 CIF, mantendo o impasse nas negociações. Já no Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 52 e R$ 57 por saca, com destaque para o setor de bioenergia, que tem sustentado os preços ao absorver parte da oferta local — principalmente com a demanda de usinas de etanol, biogás e biometano.
B3 inicia semana com quedas acompanhando movimento internacional
Os contratos futuros do milho abriram a segunda-feira (15) em baixa na Bolsa Brasileira (B3). Às 9h42 (horário de Brasília), as principais cotações variavam entre R$ 70,55 e R$ 74,84. O vencimento janeiro/26 caía 0,21%, a R$ 71,85, enquanto o março/26 e o maio/26 recuavam 0,21% e 0,22%, respectivamente.
No mercado externo, o cenário era semelhante. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho operava com movimentações negativas, refletindo a influência das quedas do trigo e das projeções de ampla oferta global. O contrato março/26 recuava 0,75 ponto, cotado a US$ 4,40 por bushel, enquanto o maio/26 valia US$ 4,48.
De acordo com o portal Successful Farming, o aumento da produção na Argentina também contribui para a pressão baixista sobre os preços.
Contratos futuros encerram semana em baixa e liquidez segue limitada
Os principais vencimentos do milho negociados na B3 fecharam a sexta-feira (12) e a semana acumulada em queda, com negociações lentas e menor interesse comprador. O contrato janeiro/26 encerrou cotado a R$ 71,91, recuando R$ 2,32 na semana. O vencimento março/26 caiu R$ 1,26, fechando a R$ 74,88, e o maio/26 desvalorizou R$ 1,27, para R$ 74,25.
A média Cepea apresentou retração de 1,19%, acompanhando a desvalorização do dólar (-0,41%) e o desempenho negativo do milho em Chicago, que recuou 0,72% no dia. Apesar disso, os preços nos portos brasileiros se mantiveram sustentados, com avanço de 0,89% no valor FOB graças à taxa de câmbio acima de R$ 5,40.
Nos Estados Unidos, os contratos de milho na CBOT também encerraram a semana em baixa. O dezembro/25 recuou 0,86%, a US$ 4,31 por bushel, e o março/26 caiu 1,29%, para US$ 4,40. Mesmo com o avanço das exportações — que somaram 6,29 milhões de toneladas em setembro, alta de 60,9% na comparação anual — e da demanda por etanol, os preços internacionais seguiram pressionados, acumulando queda semanal de 0,90%.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Compras de fertilizantes e defensivos avançam com cautela no Brasil e mercado segue amplamente aberto para safra 2026/27
O mercado brasileiro de insumos agrícolas iniciou junho com comportamentos distintos entre fertilizantes e defensivos, refletindo a cautela dos produtores rurais diante dos desafios econômicos, climáticos e de rentabilidade das próximas safras. Apesar de alguns sinais positivos, como a queda dos preços da ureia, as negociações seguem em ritmo moderado, especialmente para o milho safrinha 2027.
De acordo com análise de Jeferson Souza, especialista em inteligência de mercado da Agrinvest, o cenário atual ainda é marcado pela necessidade de recomposição das margens dos produtores, o que tem influenciado diretamente o ritmo das compras.
Ureia recua 30% e melhora poder de compra do produtor
Entre os fertilizantes, a ureia foi o principal destaque dos últimos meses. Desde meados de abril, o nitrogenado acumulou recuo próximo de 30%, contribuindo para uma melhora na relação de troca com o milho.
Apesar do alívio nos custos, o indicador ainda permanece acima das médias históricas em sacas necessárias para aquisição de uma tonelada do produto. Dessa forma, a redução dos preços ainda não foi suficiente para acelerar significativamente as negociações.
Segundo a análise, o movimento trouxe melhores oportunidades de compra, mas o produtor continua avaliando o cenário com cautela antes de assumir novos compromissos.
Compras para o milho safrinha 2027 registram menor avanço desde 2019
O levantamento aponta que as aquisições de fertilizantes destinadas ao milho safrinha 2027 apresentam o menor avanço para este período do ano desde 2019.
Entre os fatores que explicam a lentidão estão os preços ainda pouco atrativos do milho, a preocupação com o comportamento climático nos próximos meses e as incertezas relacionadas ao desenvolvimento da safra de soja.
Além disso, o temor em torno dos impactos do fenômeno El Niño e seus reflexos sobre o calendário agrícola tem levado muitos produtores a postergar decisões estratégicas de compra.
Mercado de defensivos desacelera, mas ainda possui grande volume de negócios pela frente
No segmento de defensivos agrícolas, o ritmo das negociações mostrou avanço até o início de maio, mas perdeu intensidade ao longo das últimas semanas.
Mesmo com a desaceleração, os dados indicam que uma parcela expressiva do mercado permanece em aberto. Para a safra de soja 2026/27, mais da metade das compras ainda não foi realizada pelos produtores brasileiros.
Até 31 de maio, o percentual negociado alcançava 47%, superando os 44% registrados no mesmo período do ciclo anterior. No entanto, o desempenho segue abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 51%.
O resultado demonstra um adiantamento de três pontos percentuais em relação à temporada passada, mas ainda distante dos patamares observados em anos de comercialização mais acelerada.
Defensivos para milho seguem com até 90% do mercado em aberto
No caso do milho, a abertura do mercado é ainda mais significativa. As estimativas indicam que entre 85% e 90% das compras de defensivos agrícolas para os próximos ciclos ainda não foram realizadas.
Esse elevado volume de demanda potencial abre espaço para novas negociações ao longo dos próximos meses, dependendo da evolução dos preços dos insumos, das condições climáticas e da percepção de risco por parte dos produtores.
Perspectiva para os próximos meses
A expectativa do mercado é de que a definição do clima para a safra de verão, o comportamento dos preços do milho e da soja e as oscilações do mercado internacional de fertilizantes sejam fatores decisivos para determinar o ritmo das compras no segundo semestre.
Enquanto isso, produtores seguem monitorando oportunidades pontuais e buscando equilibrar custos de produção com a necessidade de proteger margens em um ambiente ainda marcado por elevada volatilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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