Agro
Fenagro 2025 bate recordes e reforça força do agronegócio baiano com público de 200 mil pessoas
Fenagro 2025 reforça protagonismo do agro na Bahia
A Fenagro 2025, maior feira agropecuária do Norte e Nordeste, encerrou sua 34ª edição no último domingo (7) com recorde de público e movimentação econômica expressiva. Realizada no Parque de Exposições de Salvador, o evento recebeu mais de 200 mil visitantes e gerou cerca de R$ 120 milhões em negócios.
Participaram da feira mais de 600 expositores de 12 estados e foram apresentados cerca de 3 mil animais, entre bovinos, caprinos, ovinos e equinos, consolidando a Fenagro como uma vitrine da força produtiva do agro baiano.
Feira das Feiras e valorização da agricultura familiar
Com uma programação ampla, a Fenagro foi muito além da exposição de animais, tornando-se um espaço de negócios, cultura, entretenimento e cidadania. Um dos destaques da edição foi a “Feira das Feiras”, que reuniu 12 municípios baianos — alguns deles, como Pedrão, Miguel Calmon e Itarantim, participaram pela primeira vez de um evento do porte da Fenagro.
O espaço permitiu divulgar a produção de pequenos agricultores e produtores familiares, ampliando o acesso desses empreendedores a novos mercados e oportunidades.
Cidadania, solidariedade e sustentabilidade em foco
A Fenagro 2025 também se destacou pelas ações sociais e ambientais. No Pavilhão do Governo, mais de 40 estandes de órgãos e instituições ofereceram serviços à população, como vacinação, exposições educativas, orientações técnicas e comercialização de produtos de artesãos, mulheres empreendedoras e pessoas em situação penal.
Durante os três dias de acesso solidário, o público pôde trocar ingressos por 1 kg de alimento não perecível, resultando na arrecadação de 5 toneladas de alimentos, destinados ao programa Bahia Sem Fome.
A feira também promoveu a distribuição de mudas nativas da Mata Atlântica, ações de coleta seletiva e troca de materiais recicláveis por pontos convertidos em dinheiro, reforçando o compromisso do evento com a sustentabilidade e a preservação ambiental.
Educação e inclusão
O projeto Visita Guiada levou cerca de 500 alunos por dia das redes pública e privada para conhecer de perto a rotina do campo e sua relação com a vida urbana. A ação buscou aproximar o público jovem do agronegócio, promovendo educação ambiental e valorização da produção rural.
Negócios e leilões movimentam R$ 10 milhões
A feira também impulsionou o setor produtivo com leilões e competições de raças de destaque, como Mangalarga Marchador, Mangalarga, Quarto de Milha, Nelore Pintado, Gir Leiteiro e Girolando, movimentando aproximadamente R$ 10 milhões.
Nos estandes da Desenbahia e Bahiainveste, produtores tiveram acesso a linhas de crédito e investimentos, enquanto o Salão Internacional do Turismo promoveu intercâmbio cultural e prospecção de negócios. O evento ainda contou com a presença de empresas de maquinário, veículos e insumos agropecuários.
Parcerias e políticas públicas fortalecem o agro
A Fenagro 2025 foi também palco de importantes acordos institucionais. Foram assinados termos de cooperação técnica entre os secretários de agricultura dos estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e do Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia), envolvendo mais de 180 municípios.
As iniciativas visam integrar políticas de defesa agropecuária, sustentabilidade, logística, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento de cadeias produtivas.
Outro destaque foi a parceria entre a Seagri e a Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), com investimento de R$ 10 milhões para revitalizar 23 Câmaras Setoriais da Agricultura.
A Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf) também firmou um acordo para arborizar dez cidades baianas com espécies nativas e frutíferas a partir de 2026, iniciando pelo município de Barreiras, que receberá mil mudas de espécies da Caatinga e do Cerrado.
Gastronomia e valorização da agricultura familiar
A Cozinha Show foi um dos pontos altos da Fenagro 2025. O espaço reuniu 15 chefs baianos em 18 sessões de culinária ao vivo, com releituras de pratos típicos feitos com ingredientes da agricultura familiar, seguidas de degustações para um público de mais de 500 pessoas.
Entre os participantes, estiveram chefs do projeto Elas à Frente da Pesca, iniciativa que promove o empreendedorismo e empoderamento feminino no setor pesqueiro.
Produtos como cafés especiais, queijos, doces, iogurtes, chocolates, cachaças e licores foram comercializados em diversos estandes, valorizando o trabalho de cooperativas e microprodutores e gerando renda para famílias do campo.
Lazer e cultura para toda a família
Com uma programação diversa, a Fenagro 2025 ofereceu atividades de lazer para todas as idades, incluindo Casa do Papai Noel, tirolesa, passeio de pônei, parque inflável, Arena Kids, contação de histórias, competições esportivas e a final do Campeonato Baiano de Basquete 3×3.
Shows e apresentações culturais também animaram o público, reforçando a integração entre campo e cidade e destacando a identidade cultural baiana.
Encerramento com resultados expressivos
Realizada pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Seagri, a Fenagro 2025 contou com produção do Grupo A Tarde e da On Line Entretenimento. A edição foi considerada histórica, consolidando a feira como uma das principais vitrines do agronegócio brasileiro e reafirmando a força do agro baiano junto à população.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
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