Agro
Uso de drones nas lavouras cresce e exige operadores especializados: confira 7 dicas para potencializar resultados
Avanço da tecnologia nas lavouras brasileiras
O uso de drones na agricultura tem transformado o campo brasileiro. A tecnologia, que antes era vista como uma aposta futurista, agora é uma realidade consolidada e crescente. Segundo estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Drones (ABDrone) e da Schroder Consultoria Agro, desde a regulamentação em 2021, o número de drones agrícolas saltou de cerca de 3 mil para 35 mil unidades em operação em 2025.
Essa expansão reflete a confiança dos produtores na eficiência do equipamento para pulverizações e adubação, com redução de custos, maior precisão e sustentabilidade.
Conhecimento técnico é essencial para bons resultados
De acordo com Matias Lazarotto, fundador da AgroAcademy, um dos principais centros de formação de pilotos do país, conhecer profundamente o drone é o primeiro passo para operar de forma eficiente.
“Não adianta apenas comprar o equipamento e sair pulverizando. É preciso configurá-lo conforme o tipo de lavoura, relevo e condições climáticas”, explica Lazarotto.
Ele ressalta ainda a importância dos acessórios, como bicos de pulverização e agitadores de cauda, que ampliam as possibilidades de uso e aumentam o rendimento operacional.
1. Adaptação à cultura e ao terreno
Cada lavoura exige um plano de voo específico. Lazarotto destaca que o operador deve compreender as necessidades da cultura e o tipo de relevo. “Uma plantação de café em Minas Gerais, por exemplo, exige estratégias diferentes de uma lavoura de soja no Mato Grosso”, afirma.
Softwares de mapeamento auxiliam no planejamento do voo, otimizando o tempo e o uso dos insumos.
2. Condições climáticas influenciam diretamente o desempenho
Fatores como vento, temperatura e umidade afetam a eficácia da pulverização e a durabilidade dos drones. Lazarotto alerta que muitos produtores ainda operam “no olho”, sem considerar os riscos.
Atualmente, há programas que monitoram o clima em tempo real, alertando o operador sobre momentos de risco e pausando a operação automaticamente. Assim, é possível evitar desperdícios e garantir segurança.
3. Planejamento operacional antes da aplicação
Definir previamente o ponto de controle, o local de pouso e as condições de recarga é determinante para o sucesso da operação.
“É como um pit stop de Fórmula 1. Quanto mais rápido o reabastecimento e a recarga das baterias, maior será a eficiência”, compara Lazarotto.
Uma boa estrutura elétrica e geradores de apoio também ajudam a evitar interrupções durante o trabalho.
4. Manutenção e higienização aumentam a vida útil do drone
Manter o drone em boas condições é fundamental. A limpeza adequada do tanque, da bateria e do sistema de pulverização evita contaminações e falhas.
“Ensinamos nossos alunos a realizar a tríplice lavagem dos componentes para evitar resíduos químicos”, comenta o especialista.
5. Segurança e cumprimento das normas são obrigatórios
Os drones agrícolas exigem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além disso, os pilotos precisam obter o Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR) em instituição homologada.
“Drone não é brinquedo. É uma ferramenta de trabalho e deve ser operada com responsabilidade”, reforça Lazarotto.
Em 2024, a AgroAcademy foi responsável por 62% das certificações CAAR emitidas no Brasil, contribuindo diretamente para a profissionalização do setor.
6. Capacitação constante garante melhores resultados
A especialização é indispensável para quem deseja se destacar no setor. Além do CAAR, cursos complementares, como mapeamento de terrenos e análise de dados, ampliam a atuação dos profissionais.
“Há espaço para crescimento e bons salários. No Mato Grosso, por exemplo, há produtores que enfrentam escassez de pilotos qualificados”, destaca Tamara Maciel, coordenadora da AgroAcademy.
Atualmente, o salário médio de um operador de drones agrícolas varia entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, com comissões por hectare aplicado.
7. Crescimento da AgroAcademy e novas oportunidades no setor
Desde a sua fundação, a AgroAcademy já formou mais de 4 mil pilotos com certificação CAAR e 275 operadores enterprise. Seu curso principal, CAAR + Piloto de Drone, reúne módulos teóricos e práticos com professores certificados pela DJI, líder mundial em drones agrícolas.
Em 2024, 98% dos pilotos certificados pela DJI no Brasil foram formados pela instituição. A escola ainda está ampliando sua atuação e deve chegar a 87 polos em todo o país, oferecendo também cursos de manutenção de drones e operações avançadas por cultura.
Conclusão
O uso de drones na agricultura veio para ficar. Com tecnologia em constante evolução, operadores capacitados e boas práticas de manejo, os produtores podem alcançar mais eficiência, economia e sustentabilidade nas lavouras.
O futuro do agro está nos céus — e o conhecimento é o combustível que garante o voo mais alto.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne
O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.
O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.
Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil
Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.
De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.
“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.
A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.
“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.
MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.
A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.
No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.
Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate
Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.
As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.
Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.
“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.
Competitividade da carne brasileira pode ser impactada
O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.
No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.
Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.
Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta
O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.
A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.
Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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