Agro
China retoma importações de carne de frango do Brasil após suspensão sanitária
A China anunciou a suspensão da proibição temporária das importações de carne de frango do Brasil, medida que havia sido adotada em maio após a detecção de um caso isolado de gripe aviária em uma granja comercial do Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada pela Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) e entrou em vigor de forma imediata, “com base nos resultados da análise de risco”, segundo o órgão.
Retomada das compras deve fortalecer exportações brasileiras
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a retomada das importações por parte do mercado chinês representa uma excelente notícia para o setor avícola brasileiro.
“A China finalmente volta a comprar carne de frango brasileira. Serão aí de 40 a 50 mil toneladas mensais, e agora, muito provavelmente, o Brasil deve conseguir bater um recorde de exportação nesta temporada”, afirmou.
A China é um dos principais destinos da carne de frango produzida no país, e a interrupção temporária das compras havia provocado perdas significativas para o comércio exterior. Diversas nações também impuseram restrições temporárias após o registro do foco da doença.
Exportações devem alcançar novo patamar até o fim do ano
Mesmo com o embargo, o desempenho das exportações brasileiras de carne de frango se manteve positivo ao longo de 2024. Com a reabertura do mercado chinês, a expectativa é de crescimento ainda maior nas vendas internacionais nos últimos meses do ano.
“Com o retorno desse destino, em novembro e dezembro o país deverá alavancar ainda mais suas vendas. Isso vai possibilitar uma plena retomada das exportações”, destacou Iglesias.
Brasil pode atingir até 500 mil toneladas mensais
Segundo projeção do analista, o potencial de exportação mensal do Brasil pode chegar a 450 mil a 500 mil toneladas de carne de frango de forma recorrente, consolidando o país como o maior exportador global do produto.
“Talvez agora haja espaço para que o Brasil também melhore seus preços para a carne de frango”, concluiu Iglesias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Agronegócio prioriza eficiência e retorno rápido em meio a juros altos e desaceleração do setor
Agro adota postura mais conservadora diante de cenário de juros elevados e crédito restrito
O agronegócio brasileiro vive um momento de maior cautela na tomada de decisões de investimento. Em um ambiente marcado por juros elevados, restrição de crédito e maior incerteza econômica, empresas do setor têm priorizado projetos com retorno financeiro mais rápido e previsibilidade de resultados.
A mudança ocorre após um ciclo de forte desempenho em 2025, quando o agro teve papel relevante na expansão da economia. Para 2026, no entanto, a expectativa é de desaceleração, com impacto direto sobre margens e ritmo de investimentos.
Esse novo cenário reforça uma tendência de maior disciplina na alocação de capital, com foco em eficiência operacional e sustentabilidade financeira no longo prazo.
Plano Safra revela retração em linhas de investimento e mudança no perfil do crédito rural
Dados do Plano Safra 2025/2026, divulgados pelo Ministério da Agricultura com base em informações do Banco Central, mostram que o crédito rural mantém crescimento no volume total, mas com forte retração nas linhas de investimento.
Entre os principais recuos estão:
- Moderfrota: queda de 49%
- Proirriga: redução de 48%
- Inovagro: retração de 33%
- Pronamp: queda de 34%
O movimento indica uma mudança de comportamento no campo: produtores estão priorizando o custeio da operação imediata e adiando decisões relacionadas à modernização e expansão das atividades.
Na prática, o setor passa por uma reorganização de prioridades, com maior foco na manutenção da liquidez e menor apetite por projetos de longo prazo.
Juros altos e incerteza reduzem apetite por investimentos de longo prazo no agro
Para o economista Alexandre Schwartsman, o ambiente atual combina custo elevado de capital e menor previsibilidade, fatores que influenciam diretamente a estratégia de investimento das empresas.
“Com crédito mais caro e maior incerteza, as empresas passam a priorizar caixa e previsibilidade, reduzindo o apetite por projetos com retorno mais longo”, avalia.
Esse movimento tem levado companhias do agronegócio a revisar portfólios de projetos, elevar critérios de aprovação e reforçar análises de retorno financeiro, especialmente em iniciativas ligadas à expansão e modernização.
Eficiência operacional e tecnologia ganham protagonismo nas decisões do setor
Com maior pressão sobre resultados, cresce a prioridade por projetos voltados à eficiência operacional, redução de custos e ganho de produtividade. A lógica é clara: em um cenário de margens mais apertadas, apenas iniciativas com impacto direto no resultado ganham espaço.
Empresas que atuam na modernização de sistemas e processos, como a MIGNOW, observam aumento na participação de áreas financeiras — especialmente CFOs — na avaliação de investimentos, com foco em previsibilidade e retorno mais rápido.
Segundo o CEO da companhia, Paulo Secco, há uma mudança clara no perfil de aprovação de projetos no setor.
“O que vemos na prática é uma mudança clara de comportamento. Empresas que antes aprovavam projetos com mais flexibilidade hoje exigem retorno muito mais rápido e previsível”, afirma.
De acordo com ele, iniciativas são cada vez mais reavaliadas não pela falta de necessidade, mas pela exigência de maior visibilidade sobre impacto financeiro.
Automação e controle de riscos se tornam estratégicos no agronegócio moderno
Além da revisão de prioridades, cresce a demanda por maior controle de prazos, custos e execução em projetos de transformação digital e operacional.
A adoção de abordagens mais estruturadas e automatizadas tem sido apontada como fator de redução de riscos e aumento de eficiência. Em projetos de atualização e conversão de sistemas, por exemplo, há casos de automação que chegam a até 97%, contribuindo para menor incidência de falhas e maior previsibilidade de resultados.
Nesse contexto, o agronegócio passa a incorporar práticas mais rigorosas de governança e gestão de projetos, alinhadas ao ambiente de maior pressão financeira.
Eficiência se torna fator central de competitividade no agro
O atual cenário reforça uma mudança estrutural no comportamento do agronegócio brasileiro. Com crédito mais caro e menor espaço para erro, a eficiência operacional, a disciplina financeira e a priorização de investimentos com retorno claro passam a ser determinantes para a competitividade do setor nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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