Agro
Safra de soja 2025/26 no Paraná deve crescer 4% e alcançar 21,96 milhões de toneladas, aponta Deral
O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), divulgou nesta quinta-feira (31) novas projeções para a safra 2025/26 de grãos no estado. A produção de soja deve alcançar 21,96 milhões de toneladas, representando um aumento de 4% em relação à temporada anterior, quando foram colhidas 21,18 milhões de toneladas.
A área plantada segue praticamente estável, estimada em 5,776 milhões de hectares, contra 5,770 milhões de hectares no ciclo 2024/25. O Deral destaca que o ritmo de plantio da soja segue acelerado, impulsionado pelas boas condições climáticas e pela umidade adequada do solo.
Até o momento, 71% da área total prevista já foi semeada, e 97% das lavouras apresentam boas condições, enquanto 3% estão em situação considerada mediana.
Milho de verão deve crescer 13% e chegar a 3,46 milhões de toneladas
O levantamento também mostra otimismo para o milho de verão no estado. A colheita projetada para a safra 2025/26 é de 3,46 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 13% em relação à produção do ciclo anterior, estimada em 3,05 milhões de toneladas.
A área plantada aumentou 20%, passando de 281,3 mil hectares para 337,8 mil hectares. Apesar do avanço na área, a produtividade média deve cair levemente, ficando em 10.237 kg/ha, ante 10.862 kg/ha registrados na safra passada.
Trigo confirma produtividade recorde mesmo com redução de área
A safra 2024/25 de trigo, em fase final de colheita, também apresenta resultados expressivos. Segundo o Deral, o Paraná deve atingir produtividade recorde, superando os 3.173 kg/ha registrados em 2016, mesmo com os excessos de chuva durante o ciclo.
A área cultivada sofreu redução de 25%, passando de 1,11 milhão para 818,9 mil hectares. Ainda assim, a produção total deve crescer 18%, alcançando cerca de 2,75 milhões de toneladas, frente às 2,32 milhões de toneladas colhidas em 2023/24.
Clima favorece colheita e qualidade dos grãos
O Deral informa que a colheita do trigo já atingiu 83% dos 819 mil hectares semeados em 2025. Os dias de sol recentes contribuíram para a secagem natural dos grãos e aceleraram os trabalhos no campo.
Nas áreas colhidas, a produtividade média superou 3.300 kg/ha, e há expectativa de resultados ainda melhores nas regiões do sul do Estado, onde a colheita está concentrada nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Agronegócio prioriza eficiência e retorno rápido em meio a juros altos e desaceleração do setor
Agro adota postura mais conservadora diante de cenário de juros elevados e crédito restrito
O agronegócio brasileiro vive um momento de maior cautela na tomada de decisões de investimento. Em um ambiente marcado por juros elevados, restrição de crédito e maior incerteza econômica, empresas do setor têm priorizado projetos com retorno financeiro mais rápido e previsibilidade de resultados.
A mudança ocorre após um ciclo de forte desempenho em 2025, quando o agro teve papel relevante na expansão da economia. Para 2026, no entanto, a expectativa é de desaceleração, com impacto direto sobre margens e ritmo de investimentos.
Esse novo cenário reforça uma tendência de maior disciplina na alocação de capital, com foco em eficiência operacional e sustentabilidade financeira no longo prazo.
Plano Safra revela retração em linhas de investimento e mudança no perfil do crédito rural
Dados do Plano Safra 2025/2026, divulgados pelo Ministério da Agricultura com base em informações do Banco Central, mostram que o crédito rural mantém crescimento no volume total, mas com forte retração nas linhas de investimento.
Entre os principais recuos estão:
- Moderfrota: queda de 49%
- Proirriga: redução de 48%
- Inovagro: retração de 33%
- Pronamp: queda de 34%
O movimento indica uma mudança de comportamento no campo: produtores estão priorizando o custeio da operação imediata e adiando decisões relacionadas à modernização e expansão das atividades.
Na prática, o setor passa por uma reorganização de prioridades, com maior foco na manutenção da liquidez e menor apetite por projetos de longo prazo.
Juros altos e incerteza reduzem apetite por investimentos de longo prazo no agro
Para o economista Alexandre Schwartsman, o ambiente atual combina custo elevado de capital e menor previsibilidade, fatores que influenciam diretamente a estratégia de investimento das empresas.
“Com crédito mais caro e maior incerteza, as empresas passam a priorizar caixa e previsibilidade, reduzindo o apetite por projetos com retorno mais longo”, avalia.
Esse movimento tem levado companhias do agronegócio a revisar portfólios de projetos, elevar critérios de aprovação e reforçar análises de retorno financeiro, especialmente em iniciativas ligadas à expansão e modernização.
Eficiência operacional e tecnologia ganham protagonismo nas decisões do setor
Com maior pressão sobre resultados, cresce a prioridade por projetos voltados à eficiência operacional, redução de custos e ganho de produtividade. A lógica é clara: em um cenário de margens mais apertadas, apenas iniciativas com impacto direto no resultado ganham espaço.
Empresas que atuam na modernização de sistemas e processos, como a MIGNOW, observam aumento na participação de áreas financeiras — especialmente CFOs — na avaliação de investimentos, com foco em previsibilidade e retorno mais rápido.
Segundo o CEO da companhia, Paulo Secco, há uma mudança clara no perfil de aprovação de projetos no setor.
“O que vemos na prática é uma mudança clara de comportamento. Empresas que antes aprovavam projetos com mais flexibilidade hoje exigem retorno muito mais rápido e previsível”, afirma.
De acordo com ele, iniciativas são cada vez mais reavaliadas não pela falta de necessidade, mas pela exigência de maior visibilidade sobre impacto financeiro.
Automação e controle de riscos se tornam estratégicos no agronegócio moderno
Além da revisão de prioridades, cresce a demanda por maior controle de prazos, custos e execução em projetos de transformação digital e operacional.
A adoção de abordagens mais estruturadas e automatizadas tem sido apontada como fator de redução de riscos e aumento de eficiência. Em projetos de atualização e conversão de sistemas, por exemplo, há casos de automação que chegam a até 97%, contribuindo para menor incidência de falhas e maior previsibilidade de resultados.
Nesse contexto, o agronegócio passa a incorporar práticas mais rigorosas de governança e gestão de projetos, alinhadas ao ambiente de maior pressão financeira.
Eficiência se torna fator central de competitividade no agro
O atual cenário reforça uma mudança estrutural no comportamento do agronegócio brasileiro. Com crédito mais caro e menor espaço para erro, a eficiência operacional, a disciplina financeira e a priorização de investimentos com retorno claro passam a ser determinantes para a competitividade do setor nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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