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Política Nacional

Previdência e respeito aos idosos são temas de sessão em homenagem aos idosos

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O Senado homenageou os idosos em sessão especial promovida nesta segunda-feira (6). Durante a cerimônia, os convidados destacaram que essa população enfrenta novos desafios — como a demanda por um atendimento respeitoso e a estabilidade, nos próximos anos, da aposentadoria pela Previdência Social. O motivo da sessão foi o Dia Nacional do Idoso, comemorado em 1º de outubro.

O senador Paulo Paim (PT-RS) destacou que o número de idosos do país (33 milhões de pessoas) é pela primeira vez maior que o de jovens de 15 a 24 anos. A estimativa do IBGE é que, até 2070, cerca de 38% da população brasileira terão mais de 60 anos. Para Paim, esse aumento deve levar o poder público a mudar suas políticas.

— Esse panorama revela um grande desafio: o envelhecimento acelerado exige que adaptemos as políticas públicas. As formas de violência atuais [contra os idosos, mas não somente contra eles] são os golpes digitais, as fraudes bancárias, os falsos empréstimos e as mensagens fraudulentas — disse o senador.

A sessão especial aconteceu a pedido de Paim, que fez a solicitação por meio do requerimento RQS 42/2025.

Aposentadoria

O senador afirma que as empresas deveriam contribuir para a Previdência Social com base no faturamento de suas atividades, e não a partir da folha de pagamento (conforme o modelo atual). Assim, argumenta ele, a arrecadação previdenciária poderia sustentar o aumento de beneficiários dos próximos anos, mesmo diante da substituição de trabalhadores pela inteligência artificial (IA) e da contratação de funcionários como se fossem empresas (na forma de pessoas jurídicas, a chamada pejotização).

— Se a folha de pagamento é cada vez mais reduzida, os que mais faturam — como os bancos, que empregam menos — têm de pagar mais. Se a IA está aí, se a pejotização está aí, quem vai contribuir com a Previdência? A Previdência poderá perder bilhões. A Fundação Getulio Vargas fala em perda de R$ 144 bilhões [entre 2018 e 2023] com a pejotização.

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O tema foi debatido no Plenário do Senado na segunda-feira passada (29), em sessão presidida por Paim.

Poder de compra e planos de saúde

Outro problema apontado na sessão: o poder de compra das aposentadorias tende a diminuir, segundo o presidente do Instituto Brasileiro Independente de Direito e Pesquisas em Previdência, Diego Cherulli. Ele declarou que a correção dos benefícios previdenciários com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que busca evitar a “corrosão” provocada pela inflação, é insuficiente para preservar o valor real desses benefícios.

Além disso, Cherulli criticou os planos de saúde que aumentam suas mensalidades quando os usuários são idosos.

— O Estatuto da Pessoa Idosa traz uma regra: é proibido o reajuste para maiores de 60 anos. Hoje, isso já não é mais tão respeitado, porque os tribunais superiores entendem que os critérios econômicos prevalecem. Muitas vezes, um plano de saúde aplica reajustes de 50%, 60% ou até 100% para expulsar o idoso, que pagou durante toda a vida e, no final, quando precisa de proteção, é traído. Em muitos casos, as famílias passam a ter que custear a vida com dignidade da pessoa idosa.

Respeito

Na opinião do senador Izalci Lucas (PL-DF), os idosos eram mais respeitados pelas gerações passadas. Ele compartilhou lembranças da infância em que as melhores partes das refeições eram reservadas aos mais velhos.

— Nós perdemos muito a educação. Você vai nos ônibus lotados e ninguém cede lugar para ninguém. Uma mãe cuida de dez filhos e, muitas vezes, dez filhos não cuidam de uma mãe. Estamos perdendo muito esse respeito — lamentou Izalci.

Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ressaltou a importância da faixa etária para a estabilidade da sociedade, dando o exemplo do Senado: boa parte da Casa é composta por parlamentares com mais de 60 anos. A idade mínima para ser eleito para o Senado é de 35 anos, conforme determina a Constituição Federal.

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— Chegamos à fase plena da maturidade e da sabedoria. E o quanto podemos colaborar com essa geração! — salientou ela.

Atendimento especial

O sociólogo Ivair dos Santos enfatizou que os atendentes de postos de saúde e outros serviços públicos muitas vezes não conhecem bem as necessidades sociais desse público. Para ele, os “burocratas de rua” devem ser treinados para dar atenção adequada aos usuários mais velhos.

— Muitos idosos vão ao posto de saúde para conversar com o segurança, com o servente. Esses burocratas têm de ter letramento sobre isso; eles precisam saber o que é ser idoso. Um dos problemas que nós temos é a solidão: a solidão da viuvez, dos amigos que já se foram…

Já a professora Margô Karnikowski destacou que a lentidão nos processos judiciais pode prejudicar as pessoas idosas em busca de direitos. Ela é coordenadora do Programa Universidade do Envelhecer da Universidade de Brasília, que leva educação a essa população.

— Se um idoso for tramitar de forma normal alguns dos seus direitos pela via judicial, vai morrer muito antes de conseguir o resultado. E nós temos mecanismos [para evitar isso], então temos de ampliá-los. Não podemos colocar os idosos em uma fila da via judicial da qual nunca mais vão sair.

Também participaram da sessão:

  • o defensor público-geral federal Leonardo Cardoso de Magalhães;
  • o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos, Alexandre da Silva;
  • a diretora da Fundação Oswaldo Cruz de Brasília, Maria Fabiana Damásio; e
  • a representante do Projeto Viver Bem Antônia de Maria Farias.

A Lei 11.433 instituiu, em 2006, o Dia Nacional do Idoso. A celebração também ocorre mundialmente desde 1990, com o Dia Internacional do Idoso, na mesma data, que foi instituído pela ONU.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Câmara aprova regras para realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil em 2027

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A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que regulamenta direitos e deveres da União e da Federação Internacional de Futebol (Fifa) em razão da realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil em 2027. A proposta será enviada ao Senado.

De autoria do Poder Executivo, o Projeto de Lei 1315/26 foi aprovado na forma do substitutivo da relatora, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ela defendeu a proposta como de importância esportiva, social e institucional, para favorecer o desenvolvimento e a promoção do futebol feminino, ampliar sua visibilidade e fortalecer a formação de atletas e público, entre outros benefícios.

Propaganda de bebidas
Segundo o texto, ao contrário da proibição legal, será permitida a propaganda de bebidas alcoólicas nas transmissões dos eventos oficiais do torneio (jogos, treinos, sorteio, etc.) e em emissoras de rádio e TV fora do horário restrito das 22 horas de um dia às 6 horas do dia seguinte.

Como a jurisprudência legal e o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publiciária (Conar) estendem a proibição legal às redes sociais, canais de internet e outros meios virtuais de transmissão, por extensão a permissão de propaganda desses produtos nos eventos também atingirá esses meios.

Comércio
A relatora incluiu no substitutivo toda a Medida Provisória 1335/26, que disciplina questões como patentes, comércio nos locais de eventos e acesso a imagens.

Quanto à venda de bebida alcoólica, Gleisi Hoffmann retirou trecho ambíguo da MP a fim de permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e locais de eventos oficiais.

Entretanto, a proteção aos direitos comerciais e de marketing não implica autorização, dispensa ou flexibilização de normas sanitárias.

Exclusividade
O texto estabelece regras de exclusividade para a Fifa e seus parceiros econômicos para a realização da Copa no Brasil, envolvendo a titularidade de todos os direitos de exploração comercial relacionados às imagens, sons, símbolos, marcas, slogans, marketing e demais propriedades intelectuais de todos os eventos relacionados à Copa, desde as partidas oficiais até treinos, festas, entrevistas, etc.

Uma das novidades em relação às normas da Copa de 2014 é o resguardo dos direitos do governo federal pelo uso de seus próprios slogans, mascotes, denominações, campanhas, personagens, símbolos oficiais e outros existentes ou criados especificamente para uso em publicidade institucional, comunicação de utilidade pública, campanhas educativas, informativas ou de interesse público ou divulgação de políticas públicas, ainda que realizados no contexto ou no âmbito dos eventos oficiais e desde que não haja exploração comercial nem associação promocional com marcas ou produtos de terceiros.

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Imagens
O projeto também traz regra para a liberação de imagens para outras emissoras não autorizadas a transmitir integralmente as partidas, cerimônias de abertura e encerramento ou sorteio da competição.

Essas imagens liberadas após o fim do evento oficial, classificadas como flagrantes, poderão ser usadas apenas para fins jornalísticos com uso nas 24 horas após o evento, proibida sua associação a qualquer forma de patrocínio, promoção, publicidade ou marketing.

As emissoras não autorizadas poderão exibir um máximo de 30 segundos de flagrantes para cada evento, exceto no caso das partidas, cujo limite será de 3% do tempo de partida.

Para ter acesso a essas imagens, os veículos de comunicação terão de comunicar à Fifa com 72 horas de antecedência sua intenção de usar o material.

Edição de imagens
A Fifa ou pessoa por ela indicada deverá preparar 6 minutos de gravação dos principais momentos das partidas ou eventos oficiais, dos quais serão extraídos os flagrantes dentro dos limites de tempo estipulados. A gravação será entregue em até 6 horas depois do evento.

O conteúdo editado poderá ser distribuído pelas emissoras às suas filiadas, que também terão de cumprir os limites de tempo dos flagrantes.

Em todos os casos, não poderá ser associada às imagens qualquer atividade publicitária ou haver exploração comercial do conteúdo.

Todas as regras serão aplicáveis à veiculação pela internet ou plataformas digitais.

Premiação
O texto permite ainda ao Ministério do Esporte pagar um prêmio de R$ 500 mil a cada jogadora da seleção brasileira de futebol feminino participante do Torneio Experimental Fifa realizado na China em 1988.

Nesse torneio, o Brasil ficou na terceira colocação e participaram, a convite, 12 seleções das confederações de futebol para avaliar o potencial econômico e de inserção no calendário de um torneio mundial da Fifa em caráter permanente.

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Nesse ponto, a relatora incluiu como beneficiárias da premiação as jogadoras participantes da 1º Copa do Mundo Fifa de Futebol Feminino, igualmente realizada na China em 1991. Com isso, o total de jogadoras que podem receber as premiações passa de 18 para 30.

A estimativa inicial de impacto orçamentário do governo é de R$ 9 milhões. Caso alguma jogadora já tenha falecido, os sucessores indicados pela Justiça poderão receber o prêmio proporcionalmente à sua cota-parte na sucessão da herança.

A premiação não tem data definida para pagamento, mas a vigência desse trecho do projeto ocorrerá a partir de 24 de junho, um ano antes do início da Copa.

Reparação histórica
Gleisi Hoffmann afirmou que o poder público tem a obrigação de promover o futebol feminino. Ela lembrou que o Decreto-Lei 3.199/41 proibiu por mais de 40 anos às mulheres a prática de esportes considerados “incompatíveis com as condições da natureza feminina” e afetou principalmente as modalidades como futebol, lutas e halterofilismo.

“Se foi o Estado, em tempos de ditaduras, que proibiu o esporte por tanto tempo e gerou as dificuldades que vemos agora, nada mais justo do que promover, na democracia, as medidas de reparação”, disse.

Feriado
Outra medida prevista no projeto é a permissão para a União decretar feriado nacional nos dias em que houver jogo da seleção brasileira de futebol durante o torneio. Estados, Distrito Federal e municípios poderão também decretar feriado ou ponto facultativo nos dias em que ocorrerem eventos oficiais em seus territórios.

Já os calendários escolares dos sistemas de ensino deverão ser ajustados para que as férias do primeiro semestre de 2027 abranjam todo o período entre a abertura e o encerramento da Copa, tanto nos estabelecimentos da rede pública quanto nos da rede privada.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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