Agro
Soja enfrenta volatilidade no Brasil e no exterior: preços recuam nos estados enquanto Chicago reage a medidas da Argentina
O mercado da soja no Brasil segue pressionado, com cotações ajustadas e diferentes realidades entre os estados produtores. No Rio Grande do Sul, apesar da retração dos preços, a expectativa é de safra recorde, segundo informações da TF Agroeconômica.
No porto gaúcho, a saca para pagamento em outubro foi cotada a R$ 134,50, enquanto no interior os valores oscilaram conforme a praça: R$ 130,00 em Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa/São Luiz, e R$ 119,00 em Panambi.
Em Santa Catarina, a oleaginosa segue como a principal cultura agrícola do estado, mas a pressão sobre os preços e a cautela no avanço do plantio expõem os desafios para manter a competitividade. No porto de São Francisco, a saca foi negociada a R$ 135,57.
No Paraná, os preços também mostraram sinais de retração: em Paranaguá, a saca foi cotada a R$ 133,99 (-2,47%), em Cascavel a R$ 126,97 (+0,32%), em Maringá a R$ 126,09 (-0,69%), em Ponta Grossa a R$ 126,09 (-1,48%) e em Pato Branco a R$ 137,57.
Avanço tímido do plantio no Centro-Oeste
Em Mato Grosso do Sul, o plantio autorizado desde meados de setembro avança lentamente, já que muitos produtores aguardam chuvas mais consistentes. A pressão negativa do mercado físico e a baixa liquidez reduziram as cotações em importantes praças: em Dourados, Campo Grande, Maracaju e Sidrolândia a saca foi cotada a R$ 122,24 (-0,33%), enquanto em Chapadão do Sul ficou em R$ 119,43 (-2,62%).
Já no Mato Grosso, os produtores mantêm a estratégia de vendas antecipadas, prática consolidada para reduzir riscos diante da volatilidade internacional. Em Campo Verde, a saca foi cotada a R$ 120,79 (-1,70%); em Lucas do Rio Verde a R$ 116,24 (-0,81%); em Nova Mutum a R$ 116,64 (-0,47%); em Primavera do Leste e Rondonópolis a R$ 120,79 (-1,20%); e em Sorriso a R$ 116,24 (-0,81%).
Soja em Chicago volta a operar de lado após semana negativa
No mercado internacional, os futuros da soja na Bolsa de Chicago iniciaram esta sexta-feira (26) com leves baixas, após uma semana marcada por forte volatilidade e perdas. Às 7h15 (horário de Brasília), os contratos recuavam entre 1 e 1,75 ponto: o vencimento janeiro era cotado a US$ 10,29 e o maio a US$ 10,26 por bushel.
O óleo de soja acompanhava o movimento de queda, após ganhos de mais de 1% na sessão anterior, enquanto o farelo voltou a subir. Milho e trigo também registraram recuos. O foco dos traders permanece na nova safra brasileira, que segue com boas perspectivas, e na colheita nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a ausência da China nas compras norte-americanas limita a recuperação das cotações.
Segundo a Pátria Agronegócios, os preços permanecem “confinados” na faixa de US$ 10,20 a US$ 10,80 por bushel desde abril.
Retorno das tarifas na Argentina impulsiona alta em Chicago
Na quinta-feira (25), o mercado registrou reação positiva após o governo argentino encerrar o regime temporário de alíquota zero para exportações de soja. Voltaram a valer as tarifas de 26% sobre a oleaginosa e de 24,5% sobre seus derivados, o que acelerou a comercialização: em apenas 72 horas, a cota foi preenchida e a China comprou cerca de 1,3 milhão de toneladas em 20 carregamentos.
Os contratos de novembro fecharam em alta de 0,32% (US$ 1.012,25) e os de janeiro subiram 0,29% (US$ 1.031,50). Já o farelo caiu 0,96%, enquanto o óleo avançou 0,91%.
Apesar da valorização em Chicago, o cenário global segue frágil, com as exportações semanais de soja caindo 21,51%. Persistem dúvidas quanto ao ritmo de compras chinesas, já que Pequim condiciona a ampliação do comércio bilateral à retirada de tarifas norte-americanas consideradas “irracionais”.
Para a Argentina, a retomada das tarifas é vista como fator baixista por reduzir a competitividade do complexo oleaginoso. Em contrapartida, para Chicago, o impacto foi altista, ao limitar a oferta global e abrir espaço para ajustes técnicos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil bate recorde de registros de defensivos agrícolas e avanço asiático transforma mercado de agroquímicos
O mercado brasileiro de defensivos agrícolas e bioinsumos vive uma profunda transformação regulatória e comercial. O país registrou em 2025 o maior número de aprovações de pesticidas da história, enquanto cresce a presença de fabricantes asiáticos no setor nacional de agroquímicos.
O cenário será um dos principais focos da Brasil AgrochemShow 2026, marcada para os dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo. O encontro deve reunir mais de 1.500 participantes, incluindo empresas, distribuidores, consultorias regulatórias, especialistas, importadores, indústrias químicas e representantes do agronegócio.
Brasil registra recorde histórico de aprovações de defensivos
Levantamento da AllierBrasil aponta que o Brasil aprovou 912 registros de pesticidas em 2025, o maior volume já registrado no país.
Do total liberado:
- 323 foram produtos técnicos
- 427 produtos formulados químicos
- 162 produtos biológicos
O volume representa crescimento de 37,5% em relação ao ano anterior.
A expansão também impressiona no longo prazo. Entre 2006 e 2015, o Brasil aprovou 1.454 registros. Já no período entre 2016 e 2025, o número saltou para 5.442 aprovações, avanço de 274,3%.
Somente nos últimos cinco anos, foram liberados 3.344 registros, alta de 59,4% frente ao período anterior.
Especialistas alertam para morosidade regulatória
Apesar do crescimento expressivo no número de aprovações, especialistas afirmam que o sistema regulatório brasileiro continua lento, burocrático e altamente complexo.
Segundo Flávio Hirata, engenheiro agrônomo, especialista em registro de pesticidas e sócio da AllierBrasil, o aumento das liberações não significa necessariamente maior eficiência regulatória.
“O registro continua sendo burocrático, oneroso e sujeito a constantes mudanças de interpretação e exigências regulatórias”, afirma.
De acordo com a consultoria, o tempo médio de aprovação em 2025 foi de:
- 63,4 meses para produtos formulados químicos
- 67,4 meses para produtos técnicos equivalentes
Na prática, muitos processos levam mais de cinco anos para serem concluídos.
“O maior desestímulo ao investimento no setor é justamente o tempo necessário para acessar o mercado. Em alguns casos, quando o registro é aprovado, parte da eficácia agronômica já foi comprometida ou o ingrediente ativo se aproxima de restrições regulatórias”, explica Hirata.
Judicialização cresce no mercado de defensivos agrícolas
A lentidão nas análises regulatórias também impulsionou o aumento da judicialização no setor.
Atualmente, cerca de 2.830 processos de registros de produtos formulados químicos aguardam avaliação no Brasil.
Segundo a AllierBrasil:
- 397 processos estão parados há sete anos ou mais
- 94 registros aguardam análise há mais de dez anos
Entre 2019 e 2025, os deferimentos obtidos via ações judiciais cresceram:
- 395% contra a Anvisa
- 2.666% contra o Ibama
Somente até 22 de abril de 2026, 47 avaliações toxicológicas foram aprovadas por meio de decisões judiciais.
“O uso da judicialização deixou de ser exceção e passou a integrar a estratégia regulatória das empresas para acelerar o acesso ao mercado”, destaca Hirata.
Avanço da China e da Índia redefine mercado global de agroquímicos
Outro tema central do AgrochemShow será o avanço das empresas asiáticas no mercado brasileiro de defensivos agrícolas.
Segundo especialistas, a chamada “invasão asiática” representa uma reestruturação global da cadeia de produção de pesticidas.
“A China se consolidou como centro mundial de produção de defensivos agrícolas, enquanto o Brasil permanece como um dos maiores mercados consumidores do planeta”, afirma Hirata.
Nos últimos 15 anos, o mercado brasileiro registrou:
- Crescimento de produtos pós-patente
- Expansão de fabricantes chineses e indianos
- Aumento de empresas nacionais com produção terceirizada na Ásia
- Maior concorrência no setor de distribuição
Atualmente, a China domina grande parte da produção global de ingredientes ativos utilizados nos defensivos agrícolas, enquanto a Índia amplia rapidamente sua participação.
Concorrência reduz custos, mas aumenta debate sobre segurança e rastreabilidade
O avanço asiático trouxe impactos diretos sobre preços, margens e competitividade no mercado brasileiro.
Entre os principais efeitos observados estão:
- Redução nos preços de moléculas tradicionais
- Pressão sobre margens das distribuidoras
- Maior concorrência comercial
- Crescimento da agricultura digital
- Expansão dos bioinsumos e biossoluções
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação do setor com:
- Rastreabilidade dos produtos
- Pureza dos ingredientes ativos
- Equivalência técnica
- Dependência externa
- Segurança regulatória e logística
No Brasil, os defensivos agrícolas precisam passar por aprovação de três órgãos:
- Anvisa
- Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
- Ibama
“Existe uma preocupação crescente sobre segurança de abastecimento e dependência externa. Por outro lado, a maior concorrência também ajudou a reduzir custos para o produtor rural e acelerou a modernização do setor”, avalia Hirata.
AgrochemShow 2026 reunirá indústria, distribuidores e especialistas
Além dos debates regulatórios, o Brasil AgrochemShow 2026 reunirá representantes da indústria química, empresas de biológicos, distribuidores, consultorias, importadores, revendas e fornecedores internacionais.
O evento terá foco em:
- Inovação no mercado agrícola
- Estratégias regulatórias
- Tendências globais
- Logística
- Agricultura digital
- Bioinsumos
- Parcerias técnico-comerciais
As inscrições para participação estão abertas no portal oficial do evento, mediante doação de cestas básicas destinadas à ONG Crê-Ser, de São Paulo.
Na edição de 2025, a iniciativa arrecadou cerca de 14 toneladas de alimentos, reforçando o caráter social do encontro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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