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Café sofre forte volatilidade: preços caem até 11%, mas voltam a reagir com câmbio, clima e negociações internacionais

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O mercado de café atravessa uma semana de intensa volatilidade, marcada por quedas acentuadas nos preços e recuperação parcial nas bolsas internacionais. As oscilações refletem fatores climáticos, movimentos cambiais, negociações políticas e expectativas relacionadas à oferta global.

Queda de preços atinge até 11% no Brasil

De acordo com dados do Cepea, entre 15 e 22 de setembro, os preços do café registraram forte retração no mercado brasileiro.

  • O arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, caiu 10,2%, fechando a R$ 2.133,08/saca de 60 kg.
  • O robusta tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, recuou 11,1%, encerrando a R$ 1.313,22/saca de 60 kg.

Segundo os pesquisadores, a pressão veio da expectativa de chuvas mais expressivas nas regiões produtoras, da liquidação de posições de compra na Bolsa de Nova York (ICE Futures) e da possibilidade de retirada das tarifas norte-americanas sobre o café brasileiro. Apesar da queda, os preços ainda permanecem elevados, sustentados pela oferta restrita e estoques reduzidos.

Mercado físico brasileiro sente impacto e negociações travam

Na terça-feira (23), o mercado físico no Brasil registrou desvalorização, acompanhando as quedas internacionais. Segundo a Safras Consultoria, as negociações ficaram paralisadas à medida que os preços recuavam.

  • No sul de Minas, o arábica bebida boa com 15% de catação variou entre R$ 2.060,00 e R$ 2.080,00/saca, ante R$ 2.200,00/2.220,00 anteriormente.
  • No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura foi cotado a R$ 2.080,00/2.100,00/saca, frente aos R$ 2.220,00/2.240,00 do dia anterior.
  • Já o arábica “rio” tipo 7, na Zona da Mata (MG), caiu para R$ 1.510,00/1.530,00/saca, contra R$ 1.630,00/1.650,00 no dia anterior.
  • No Espírito Santo, o conilon tipo 7 recuou para R$ 1.285,00/1.315,00/saca, ante R$ 1.325,00/1.345,00.
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Os estoques certificados da ICE Futures também registraram queda, totalizando 615.903 sacas de 60 kg em 23 de setembro, 27.438 sacas a menos que no dia anterior.

Bolsas internacionais reagem com alta nesta quarta-feira (24)

Após a pressão vendedora, o mercado internacional de café voltou a registrar ganhos nesta quarta-feira (24).

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/25 subia 2,57%, cotado a 358,60 centavos de dólar por libra-peso, revertendo parte da queda de 4,7% registrada no dia anterior. O robusta também acompanhava a alta em Londres, com avanço de até US$ 87/tonelada no contrato de novembro/25.

Segundo informações da Bloomberg, as cotações seguem influenciadas por preocupações com a oferta no Brasil, expectativas de alívio tarifário nos Estados Unidos e realização de lucros por parte de investidores. A possível reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump alimenta a expectativa de mudanças no cenário das tarifas sobre o café brasileiro.

Clima e câmbio reforçam a volatilidade do setor

O clima também desempenha papel central no movimento de preços. De acordo com o Climatempo, as chuvas previstas para o restante da semana nas principais regiões cafeeiras devem favorecer a florada da safra 2026, reduzindo preocupações com os efeitos da seca.

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No câmbio, o dólar comercial operava em alta de 0,42%, a R$ 5,3001, movimento que ajuda a sustentar as cotações do café no mercado interno voltado para exportação.

Panorama financeiro global pressiona commodities

O cenário externo também influencia o café. Enquanto bolsas da Ásia encerraram em alta moderada (Xangai +0,83%; Japão +0,30%), os mercados europeus operavam em queda na manhã desta quarta-feira (Paris -0,75%; Frankfurt -0,29%; Londres -0,22%). Já o petróleo tipo WTI avançava 1,23%, cotado a US$ 64,19 o barril.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro

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A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.

O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.

Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.

Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.

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Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.

Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.

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O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.

Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência

Fonte: Pensar Agro

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