Agro
Expansão do etanol de milho no Nordeste deve aumentar autossuficiência e consumo regional
A produção de etanol de milho na Região Nordeste está prestes a passar por um salto significativo. Com novos projetos entrando em operação, a oferta da região deve crescer em 1,3 bilhão de litros, somando-se aos 2,3 bilhões de litros produzidos anualmente a partir da cana-de-açúcar. O avanço promete reduzir a dependência do Centro-Sul e ampliar o consumo do biocombustível hidratado em estados com menor tradição nesse mercado.
Produção cresce em Maranhão e Bahia
Segundo o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, a expansão da produção em estados como Maranhão, Bahia, Piauí e Ceará tem potencial para fortalecer a autossuficiência regional. “A partir de outubro, uma nova usina em Balsas dobrará a capacidade do Maranhão, que hoje é de 450 milhões de litros. Na Bahia, a fábrica da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães adicionará 400 milhões de litros à oferta”, detalhou o executivo.
Além de etanol, os projetos gerarão grãos secos de destilaria (DDGS) para nutrição animal e outros subprodutos do milho, garantindo mais estabilidade no fornecimento e redução de custos logísticos.
Consumo regional em expansão
O presidente do Sindalcool, Edmundo Barbosa, destacou que o crescimento do consumo de etanol na Paraíba nos últimos anos superou o de outros estados nordestinos. Segundo ele, a apresentação de Ono evidenciou métricas positivas, mas apontou que a ausência de uma alíquota única entre os estados ainda limita a competitividade do biocombustível.
Martinho Ono reforçou que incentivos governamentais podem estimular a demanda, aproximando os níveis de consumo do Nordeste aos observados em estados produtores consolidados, como São Paulo e Goiás. Dados da SCA Brasil mostram que cerca de 80% das vendas de etanol hidratado no Brasil concentram-se em seis estados — responsáveis por 55% da frota flex nacional — enquanto os demais 21 estados e o Distrito Federal, com 45% dos veículos bicombustíveis, respondem por apenas 20% do consumo total.
Mercado interno deve absorver produção adicional
Entre 2025 e 2026, o Brasil deve produzir cerca de 10 bilhões de litros de etanol de milho. Projetos em andamento na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além de obras no Nordeste e Centro-Oeste, devem somar entre 8 e 10 bilhões de litros nos próximos anos.
Segundo Ono, praticamente toda essa produção adicional precisará ser absorvida pelo mercado interno, já que não há perspectivas concretas de expansão internacional do biocombustível, seja para o combustível sustentável de aviação (SAF) ou para aumento da mistura de etanol anidro na gasolina em outros países.
Tarifas e proteção do mercado nacional
Outro ponto de atenção é a possível revisão da tarifa de importação do etanol, atualmente em 18% para países fora do Mercosul. A medida tem funcionado como proteção contra a entrada de etanol importado, exceto do Paraguai.
“Caso o governo brasileiro retire essa barreira em negociações diplomáticas com os EUA, o setor terá de reduzir significativamente os preços do biocombustível no mercado nacional para absorver a produção local frente à concorrência externa”, alerta Ono.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Governo barra projeto dos safristas e reacende debate sobre mão de obra no campo
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) anunciou que atuará no Congresso para derrubar o veto integral do governo ao Projeto de Lei 715/2023, que permitia aos trabalhadores safristas manterem benefícios sociais durante contratos temporários no campo. Para a bancada, a decisão dificulta a formalização da mão de obra e agrava a escassez de trabalhadores em atividades sazonais da agropecuária.
O veto foi publicado na edição da quinta-feira (11.06) do Diário Oficial da União. O projeto, aprovado pelo Congresso Nacional, previa que a remuneração recebida em contratos de safra não fosse considerada no cálculo da renda familiar para concessão e manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família.
Na avaliação da FPA, a decisão cria obstáculos para que trabalhadores aceitem empregos formais durante os períodos de plantio e colheita. A entidade afirma que o texto não criava novos benefícios e buscava evitar que famílias perdessem o acesso aos programas sociais em razão de rendimentos temporários.
“O veto mantém uma distorção que empurra trabalhadores para a informalidade e agrava a escassez de mão de obra temporária no campo”, afirmou a Frente Parlamentar da Agropecuária, em nota.
A proposta também garantia o retorno automático ao Bolsa Família para famílias que voltassem a se enquadrar nos critérios de renda após o encerramento do contrato de safra e previa o compartilhamento das informações por meio do eSocial.
Ao justificar o veto, o governo argumentou que a medida é inconstitucional e contraria o interesse público. Segundo a mensagem enviada ao Congresso, a proposta criaria despesa obrigatória de caráter continuado sem a apresentação da estimativa de impacto orçamentário e financeiro, além de não indicar a fonte de custeio nem demonstrar compatibilidade com as metas fiscais.
Engenheiro Agrônomo, Isan Rezende
CONTRAMÃO – Na opinião do Engenheiro Agrônomo, Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o veto vai na contramão do que o campo precisa neste momento. “O projeto aprovado pelo Congresso criava um mecanismo para estimular a formalização da mão de obra temporária, sem retirar direitos dos trabalhadores. Ao barrar a proposta, o governo mantém uma situação que acaba desestimulando o emprego formal justamente em atividades essenciais para a produção agropecuária”.
Segundo Rezende, a justificativa fiscal apresentada pelo Executivo desconsidera os efeitos da medida sobre a oferta de mão de obra no campo. “Criou-se uma falsa disputa entre programas sociais e trabalho. Uma política pública não deveria impedir o cidadão de trabalhar. O trabalhador precisa ter segurança para aceitar uma contratação temporária sem o receio de perder imediatamente um benefício do qual depende para sustentar a família”, disse.
Para o dirigente, a decisão reforça a percepção de distanciamento do governo em relação às demandas do setor produtivo. “O agro enfrenta aumento dos custos de produção, crédito mais restrito e redução dos recursos para o seguro rural. Em vez de criar mecanismos para estimular a formalização e aumentar a renda dos trabalhadores, o governo opta por vetar uma proposta construída e aprovada pelo Congresso. É uma decisão que prejudica produtores e trabalhadores e que precisa ser revista pelo Parlamento”, afirmou.
Em nota, a FPA contestou os argumentos do Executivo. A bancada afirmou que a proposta promovia inclusão produtiva, formalização do trabalho e geração de renda, além de oferecer segurança jurídica para empregadores e trabalhadores.
A entidade também associou a decisão a outros problemas enfrentados pelo setor, como o aumento do custo do crédito, cortes no seguro rural, insegurança regulatória e os efeitos das tensões no comércio internacional.
LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA:
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) recebe com profunda consternação e perplexidade o veto integral ao Projeto de Lei 715/2023, conhecido como Projeto dos Safristas. A decisão desconsidera a realidade do campo brasileiro, penaliza trabalhadores que buscam ingressar no mercado formal e dificulta a contratação de mão de obra em um setor estratégico para a segurança alimentar e a economia nacional.
O veto cria uma falsa oposição entre proteção social e trabalho formal. O projeto não retira direitos, não cria novos benefícios e não fragiliza a rede de proteção social. Ao contrário, permite que trabalhadores temporários possam aceitar oportunidades formais durante a safra sem o medo de perder imediatamente o acesso a programas sociais.
A justificativa de suposta afronta ao interesse público e de inconstitucionalidade não se sustenta diante da finalidade da proposta. O texto aprovado pelo Congresso Nacional promove inclusão produtiva, formalização do trabalho, geração de renda e segurança jurídica, em linha com os princípios constitucionais da valorização do trabalho, da livre iniciativa e da redução das desigualdades.
Na prática, o veto mantém uma distorção que empurra trabalhadores para a informalidade e agrava a escassez de mão de obra temporária no campo. Impedir que brasileiros complementem sua renda com trabalho formal não atende ao interesse público; reduz oportunidades, aumenta insegurança e compromete a eficiência da produção nacional.
Política social e trabalho não são caminhos opostos. O Brasil precisa estimular quem quer trabalhar, ampliar a formalização e criar condições para que o campo continue produzindo, gerando emprego e garantindo alimentos à população.
O veto se soma a um conjunto de decisões e omissões do governo federal que ampliam a pressão sobre a população rural: produtores endividados, crédito mais caro e restritivo, cortes no seguro rural, insegurança regulatória, embargos e tarifas internacionais que afetam cadeias produtivas, além dos impactos de uma crise global agravada por conflitos externos.
A FPA atua no Congresso Nacional pela derrubada do veto, em defesa dos trabalhadores, dos produtores rurais e de uma política pública moderna, responsável e alinhada ao interesse do país.
O veto ainda será analisado em sessão conjunta do Congresso Nacional. Deputados e senadores poderão manter ou rejeitar a decisão presidencial. Se for derrubado, o projeto poderá ser promulgado.
Fonte: Pensar Agro
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