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Milho mantém preços firmes no Brasil, mas enfrenta volatilidade em Chicago e desafios nas exportações

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Os preços do milho seguem sustentados no mercado doméstico, de acordo com levantamento do Cepea. Mesmo diante de boa oferta, vendedores adotam postura cautelosa, restringindo volumes e exigindo valores mais altos. Assim, compradores que necessitam do cereal encontram preços elevados.

Na parcial de setembro, até o dia 18, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) alcançou média de R$ 64,92 por saca de 60 kg, o maior patamar em três meses.

Exportações reagem após meses de desempenho fraco

Depois de meses abaixo do esperado, as exportações brasileiras de milho voltaram a ganhar ritmo em setembro. Nos dez primeiros dias úteis do mês, foram embarcadas 3,05 milhões de toneladas, volume que já representa cerca de metade de todo o registrado em setembro de 2024.

Cenário regional: negócios travados em vários estados

A comercialização do milho segue lenta em importantes praças produtoras. No Rio Grande do Sul, a liquidez permanece baixa, com preços variando entre R$ 67,00 e R$ 70,00/saca. Em Santa Catarina, a disparidade entre pedidos e ofertas — que chegam a R$ 80,00/saca em Campos Novos contra ofertas de R$ 70,00 — trava os negócios e preocupa produtores em relação ao próximo ciclo.

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No Paraná, os produtores pedem até R$ 75,00/saca FOB, enquanto a indústria oferece abaixo de R$ 70,00 CIF, mantendo o mercado parado. Já em Mato Grosso do Sul, as cotações ficam entre R$ 47,00 e R$ 53,00/saca, mas sem estímulo para novas negociações.

Demanda doméstica sustenta preços, mas competitividade externa é limitada

Apesar de avanços de até 1,15% no mês, o milho brasileiro ainda enfrenta desafios no mercado internacional. O produto nacional chega a ser negociado a US$ 10/t acima do milho norte-americano na Ásia, reduzindo sua competitividade.

Por outro lado, fatores de alta continuam no radar: expectativa de produtividade mais baixa nos Estados Unidos, atraso na colheita do milho e da soja devido às chuvas no Meio-Oeste e queda expressiva de 64,47% nas exportações da Ucrânia. O Conselho Internacional de Grãos (IGC) também reduziu sua estimativa global para 1,297 bilhão de toneladas.

No Brasil, a Conab projeta safra 2025/26 em 138,28 milhões de toneladas, com maior área cultivada, produtividade menor e estoques iniciais mais robustos — salto de 589,2% em relação ao ciclo anterior. Esse cenário deve permitir ao país ampliar as exportações para até 46,5 milhões de toneladas, próximo ao número estimado pelo USDA.

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Chicago e B3 iniciam semana em queda

A segunda-feira (22) começou com baixas tanto na B3 quanto na Bolsa de Chicago.

Na B3, as principais cotações variaram entre R$ 67,05 e R$ 73,04, com perdas de até 0,45%. Em Chicago, o contrato dezembro/25 recuou para US$ 4,20 por bushel, pressionado pela fraqueza do mercado de soja e pela expectativa de chuvas favoráveis no Cinturão do Milho nos EUA.

Semana termina com oscilações mistas

O fechamento da última semana refletiu um cenário de instabilidade. Na B3, os contratos recuaram em média -1,26%, enquanto em Chicago a queda foi de -1,40%. Já o milho físico, medido pelo Cepea, avançou 0,45%, sustentado pela demanda interna.

No exterior, Taiwan anunciou plano de compras de até US$ 10 bilhões em produtos agrícolas dos EUA nos próximos quatro anos, incluindo milho, o que pode elevar suas importações em até 25%. Entretanto, a falta de um acordo efetivo entre Estados Unidos e China mantém o mercado internacional em alerta.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra

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A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.

A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.

Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.

A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.

Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.

O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.

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Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.

A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.

O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.

No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.

A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.

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Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.

O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.

Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.

O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.

Fonte: Pensar Agro

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