Agro
FONTES RENOVÁVEIS: Estado vai ampliar estudos sobre uso do biogás como combustível
A planta, inaugurada em junho de 2017, é uma parceria entre a hidrelétrica e o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás), associação que reúne 27 instituições que desenvolvem e apoiam projetos relacionados às energias renováveis.
Proposta – O governador avalia que a proposta do uso de biogás como combustível pode ser incorporada pelos órgãos do Estado e pediu estudos da Sanepar e Compagas para oferecer aos paranaenses modelos mais sustentáveis de consumo, principalmente em cidades menores.
Transporte público – Ratinho Junior disse que a transformação pode atender o transporte público de algumas cidades. O intuito, a médio e longo prazos, é baratear a passagem e os sistemas municipais. De acordo com a CIBiogás, enquanto a equação do combustível etanol sai R$ 0,40 por quilômetro rodado, com biometano esse valor cai para R$ 0,24.
Itaipu – A produção do biogás na Itaipu Binacional é originada do tratamento do resíduo orgânico gerado nos restaurantes internos, de esgoto, de parte da poda da grama e de outros materiais enviados por entidades parceiras. Como subproduto, são produzidos, ainda, 300 mil litros de biofertilizante por mês, que são utilizados como adubo para canteiros e gramados.
Mistura homogênea – O processo exige uma mistura homogênea de todos esses componentes, com consistência adequada. Então o material é levado aos biodigestores, onde, a uma temperatura controlada em 37º C, ocorre a degradação da matéria-prima por microorganismos de forma anaeróbica (sem oxigênio). Depois de 60 dias dentro do biodigestor, o material gera gás e um substrato seco.
Processo – O substrato é tratado e usado como biofertilizante e o biogás é levado para dois gasômetros flexíveis que têm a capacidade de armazenar até 500 m³ por dia. Dali o gás passa pelo processo de refino. O produto final, com até 96% de pureza, tem as características exatas do gás natural.
Estimativa – Entre 2017 e 2018, a CIBiogás estima que esse processo evitou a propagação de mais de 1,2 toneladas de gases do efeito estufa. Com um tanque de 12 metros cúbicos de combustível, cada carro da hidrelétrica tem autonomia de rodar até 120 km com um custo baixíssimo.
Energias renováveis – Além da usina em Itaipu, a CIBiogás e órgãos do Estado lideram outras iniciativas de energias renováveis que farão parte do cenário do Paraná do futuro. Entre elas estão a geração distribuída de energia elétrica a partir de biomassa residual da suinocultura e pequenas redes que garantem reserva de energia em propriedades rurais.
Problemas históricos – Segundo Rodrigo Regis de Almeida Galvão, diretor-presidente do CIBiogás, essas possibilidades atacam problemas históricos relacionados a transporte público, combustíveis fósseis e depósito de resíduos. “O Brasil assinou o Acordo de Paris, se comprometeu a reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Desse ponto de vista, nada melhor do que transformar um passivo ambiental (resíduos) em ativo econômico, nestes casos energéticos”, afirmou.
Biomassa – Em Entre Rios do Oeste, onde a produção de carne suína é mais de 30 vezes maior do que o número de habitantes, um projeto da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Copel, Fundação Parque Tecnológico de Itaipu, CIBiogás e prefeitura municipal vai gerar e distribuir energia elétrica a partir do biogás de biomassa residual da suinocultura em propriedades rurais. Ele começa a operar na prática em julho.
Adubo – Antes do projeto, os dejetos eram aplicados na lavoura como adubo. No entanto, esse material tem alto potencial de poluição dos recursos hídricos, além de produzir gases de efeito estufa. Por meio de biodigestores instalados nas propriedades participantes do projeto, o biogás será produzido e canalizado para conversão em energia elétrica.
Grupo de produtores – O arranjo compreende um grupo de 18 produtores, que produzirão biogás a partir do tratamento dos dejetos de aproximadamente 40.000 suínos. O biogás será conduzido por meio de uma rede coletora de 20,6 quilômetros já construída, interligando as propriedades rurais e uma minicentral termelétrica.
Compensação – A energia gerada será utilizada para compensar o consumo energético nos prédios públicos do município, num total de 72 unidades consumidoras, na modalidade de autoconsumo remoto. Por outro lado, os produtores envolvidos receberão um repasse monetário mensal pelo volume de biogás injetado na rede.
Microgrids – O CIBiogás, com apoio técnico da equipe do Laboratório de Automação e Simulação de Sistemas Elétricos (Lasse) e do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), ambos do Parque Tecnológico Itaipu, em parceria com a Copel, também desenvolve o projeto-piloto de Microgrid na região Oeste, em São Miguel do Iguaçu.
Futuro – Esse é um conceito de geração e uso da energia que promete ser o futuro do sistema elétrico. O projeto será instalado na Granja Colombari, que já dispõe de uma planta de biogás com biodigestores. As matérias-primas são os dejetos da produção de suínos.
Primeiro do país – A engenheira mecânica do CIBiogás, Larissa Schmoeller, explica que o Microgrid do Oeste é o primeiro arranjo deste tipo no país. “É um esquema de arranjo de eletricidade que beneficiará o produtor rural em situações emergenciais de queda de energia, operando de modo isolado da rede elétrica principal, tendo o biogás como matéria-prima”, conta Larissa.
Demanda – De acordo com a engenheira, nos casos de queda da energia, será possível que o próprio produtor rural atenda a demanda energética de uma pequena região com microrredes de distribuição de energia elétrica, por isso do nome Microgrid. O sistema atuará apenas em modo emergencial para evitar que as propriedades rurais fiquem sem energia enquanto a rede principal da Copel não se recompõe.
Destinação ideal – O Microgrid confere ao produtor rural, além da estabilidade energética, a destinação ideal dos efluentes e rejeitos da produção, resultando na redução de custos energéticos e aumento de renda. A previsão é que comece a operar até o final de novembro de 2019, com 75kW de potência instalada.
Agro
Um terço dos produtores rurais brasileiros já utiliza IA; veja como aplicar na sua propriedade
A inteligência artificial já está presente em 32% das empresas, cooperativas e propriedades rurais consultadas em levantamento com profissionais do agronegócio. A tecnologia começa a sair dos escritórios e chegar às decisões de plantio, irrigação, aplicação de insumos, controle de pragas, manutenção de máquinas, pecuária e comercialização.
O percentual não permite concluir que o Brasil esteja atrasado. A pesquisa ouviu 197 profissionais e não possui abrangência suficiente para representar todo o setor. Além disso, ainda não existe uma estatística internacional padronizada que permita comparar diretamente o uso de inteligência artificial nas propriedades de diferentes países.
O conceito também varia entre os levantamentos. Algumas pesquisas consideram apenas sistemas que aprendem com dados e produzem previsões. Outras incluem agricultura de precisão, sensores, drones, imagens de satélite, pilotos automáticos e plataformas digitais, mesmo quando essas ferramentas não utilizam inteligência artificial em todas as suas funções.
Uma pesquisa internacional realizada com cerca de 4,4 mil produtores de nove países ajuda a dimensionar a digitalização do campo. Nos Estados Unidos, 61% dos entrevistados utilizavam soluções de agronomia digital, 51% adotavam equipamentos de agricultura de precisão e 38% empregavam sensoriamento remoto. Na América Latina, 49% usavam ferramentas digitais para acompanhar a produtividade.
O mesmo levantamento apontou que 75% dos produtores latino-americanos consultados utilizavam controladores de seção em pulverizadores, ante 78% na América do Norte e 49% na União Europeia. Esses equipamentos evitam sobreposição durante a aplicação, mas não devem ser classificados automaticamente como inteligência artificial.
Diante dessas diferenças, os 32% registrados no levantamento brasileiro indicam uma adoção relevante, embora ainda concentrada. Outros 56% dos participantes afirmaram não utilizar IA e 12% não souberam responder. Parte desses últimos pode empregar sistemas com inteligência artificial embarcada sem identificar a tecnologia pelo nome.
Na prática, a IA funciona a partir da coleta e da comparação de informações. Sensores, máquinas, estações meteorológicas, câmeras, drones, satélites e sistemas de gestão geram dados sobre solo, clima, plantas, animais, equipamentos, custos e produtividade. Os programas procuram padrões nesse conjunto e transformam as informações em alertas, previsões ou recomendações.
Uma câmera instalada numa máquina, por exemplo, pode registrar milhares de imagens enquanto percorre a lavoura. O sistema compara as plantas fotografadas com exemplos usados em seu treinamento, diferencia a cultura das invasoras e indica onde o herbicida deve ser aplicado. Em equipamentos compatíveis, o acionamento pode ocorrer automaticamente e apenas no ponto necessário.
Na irrigação, imagens térmicas e sensores permitem acompanhar a temperatura das folhas, a umidade do solo e as condições atmosféricas. Plantas submetidas à falta de água apresentam mudanças que podem ser reconhecidas pelo sistema antes que o estresse seja facilmente percebido a olho nu. A informação ajuda a definir quais áreas precisam ser irrigadas e em que quantidade.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) participa do desenvolvimento de uma tecnologia que analisa a temperatura das folhas para identificar a necessidade de água. A aplicação busca evitar tanto a deficiência hídrica quanto o desperdício provocado pela irrigação uniforme de talhões com condições diferentes.
No manejo de pragas, câmeras e armadilhas eletrônicas podem reconhecer insetos, contar ocorrências e transmitir alertas. Um sistema desenvolvido para o bicudo-do-algodoeiro identifica os exemplares capturados e envia os dados para um aplicativo. Dessa forma, o acompanhamento deixa de depender apenas da visita manual a cada armadilha.
A análise de imagens de satélite ou drones também permite localizar falhas de plantio, manchas com desenvolvimento irregular, erosão, deficiência nutricional e possíveis focos de doenças. O produtor recebe um mapa das áreas que precisam ser vistoriadas, reduzindo o tempo gasto para encontrar problemas em grandes extensões.
Na aplicação de sementes e fertilizantes, a inteligência artificial pode cruzar mapas de solo, relevo, produtividade e histórico de manejo. A partir desses dados, divide a propriedade em zonas e ajuda a calcular taxas diferentes dentro do mesmo talhão. O objetivo é evitar desperdício nas áreas de menor resposta e aproveitar melhor o potencial das mais produtivas.
Durante a safra, modelos computacionais podem combinar área cultivada, desenvolvimento das plantas, clima e histórico de produtividade para estimar o volume que deverá ser colhido. A previsão melhora o planejamento de máquinas, trabalhadores, fretes, armazéns e contratos de venda.
A tecnologia também pode acompanhar tratores, colheitadeiras e pulverizadores. Informações sobre consumo de combustível, temperatura, pressão, vibração e desempenho dos componentes ajudam a identificar alterações que costumam anteceder uma falha. A manutenção pode ser programada antes que a máquina pare durante uma janela curta de operação.
Na pecuária, câmeras e sensores acompanham peso, deslocamento, alimentação e comportamento dos animais. Mudanças de padrão podem sinalizar problemas sanitários, reprodutivos ou nutricionais. Sistemas de visão computacional também são testados para estimar o desenvolvimento dos bovinos e auxiliar na definição do momento de abate.
A IA pode ser utilizada mesmo sem máquinas sofisticadas. Plataformas de gestão conseguem organizar notas fiscais, custos, estoques, aplicações, contratos e resultados por talhão. Ao reunir essas informações, o sistema pode apontar quais áreas apresentam maior custo, onde a produtividade está abaixo do histórico e quais despesas aumentaram entre uma safra e outra.
Ferramentas de inteligência artificial generativa também podem ajudar a resumir contratos, comparar orçamentos, elaborar relatórios e organizar informações administrativas. Elas não devem, contudo, ser utilizadas isoladamente para definir dosagens, diagnosticar doenças ou recomendar defensivos. Esses sistemas podem produzir respostas erradas com aparência convincente.
A confiabilidade depende da qualidade dos dados. Sensores descalibrados, mapas incompletos e registros financeiros incorretos levam a análises igualmente ruins. A recomendação precisa ser conferida no campo e validada pelo produtor ou por profissional habilitado antes de se transformar em uma decisão agronômica.
O custo permanece entre as principais barreiras, mas adotar IA não exige necessariamente comprar drones, servidores ou robôs. Cooperativas, consultorias e empresas de assistência técnica podem fornecer imagens, mapas e análises como serviço. Em outros casos, a inteligência já está incorporada a máquinas, aplicativos e plataformas utilizados na propriedade.
O melhor ponto de partida é escolher um problema mensurável. O produtor pode testar a tecnologia para reduzir consumo de água, localizar plantas daninhas, prever manutenção, controlar combustível ou organizar custos. A comparação entre uma área assistida e o manejo anterior permite verificar se a economia ou o ganho de produtividade paga o investimento.
A inteligência artificial não substitui a experiência do produtor nem a responsabilidade técnica. Sua vantagem é processar rapidamente milhares de informações e apontar situações que merecem atenção. Quando resolve um problema concreto e entrega retorno comprovável, deixa de ser uma promessa distante e passa a funcionar como mais uma ferramenta de gestão da propriedade.
SERVIÇO
O produtor não precisa comprar um drone, trocar o maquinário nem contratar um sistema caro para começar. O primeiro passo é escolher um problema específico da propriedade, como consumo elevado de combustível, desperdício de água, falhas na aplicação, dificuldade para localizar pragas ou falta de controle dos custos.
Verifique o que já está disponível
Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, ordenhadeiras e sistemas de irrigação mais recentes podem gerar dados e oferecer recursos de automação ou inteligência artificial que não estão sendo utilizados. O produtor deve consultar o fabricante, a concessionária ou a assistência técnica para saber quais funções estão incluídas no equipamento.
Organize os dados da propriedade
A inteligência artificial depende de informações confiáveis. Mapas de produtividade, análises de solo, registros de aplicação, consumo de combustível, chuvas, custos, manutenção, mortalidade e desempenho dos animais podem alimentar os sistemas. Quanto melhor o histórico, mais úteis tendem a ser as análises.
Procure assistência técnica
Cooperativas, sindicatos rurais, empresas estaduais de extensão, unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), consultores e profissionais das ciências agrárias podem ajudar a identificar aplicações adequadas. Muitas soluções são oferecidas como serviço, sem a necessidade de o produtor comprar sensores, drones ou programas.
Comece por uma área pequena
A recomendação é testar a ferramenta em um talhão, pivô, lote de animais ou conjunto de máquinas. O resultado deve ser comparado com o manejo anterior, considerando economia de insumos, ganho de produtividade, redução de perdas, horas de trabalho e custo da tecnologia.
Calcule o retorno
Antes de contratar, o produtor deve somar mensalidades, instalação, equipamentos, treinamento, manutenção e conectividade. A economia ou receita adicional precisa superar esses gastos em prazo compatível com a propriedade. Promessas de resultado sem demonstração em condições semelhantes merecem cautela.
Confira o contrato e a proteção dos dados
É importante saber quem poderá acessar as informações da propriedade, onde elas serão armazenadas e se poderão ser compartilhadas com terceiros. O contrato também deve informar como o produtor recupera seus dados caso decida trocar de fornecedor.
Valide as recomendações
Alertas produzidos por inteligência artificial devem ser conferidos no campo. Diagnósticos de doenças, doses de produtos, aplicações de defensivos e decisões sanitárias precisam respeitar a legislação, as bulas e a orientação de profissionais habilitados.
Onde aprender
O Senar Play oferece gratuitamente a trilha “Inteligência Artificial aplicada ao agro”, além do curso “Inteligência Artificial no Campo”, com 20 horas, aulas on-line e início imediato. A plataforma também mantém cursos de agropecuária digital, agricultura de precisão, sensores e mapeamento.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibiliza capacitações pela plataforma E-Campo e conteúdos de assistência técnica no Ater+ Digital. Cooperativas, sindicatos e administrações regionais do Senar também podem informar sobre treinamentos presenciais e assistência disponível em cada Estado.
Ferramentas de IA generativa podem ser usadas para organizar planilhas, comparar orçamentos, resumir documentos e preparar relatórios. Informações financeiras, contratos, documentos pessoais e dados estratégicos da propriedade, entretanto, não devem ser inseridos em plataformas públicas sem a verificação das regras de privacidade.
Fonte: Pensar Agro
-
Educação5 dias agoPND 2026: entenda como funciona a prova
-
Esportes5 dias agoCorinthians perde para o Estudiantes e é eliminado da Libertadores
-
Paraná6 dias agoSérie especial sobre eleições prossegue com programa que trata das principais novidades para o pleito deste ano, como o uso da IA
-
Paraná6 dias agoMinistério Público do Paraná deflagra Operação Aurora para apurar possíveis crimes de tortura e cárcere privado em clínica terapêutica de Terra Roxa
-
Esportes5 dias agoAtlético-MG elimina Santos nos pênaltis e avança à semifinal da Sul-Americana
-
Educação7 dias agoEducação de jovens e adultos é tema de episódio do PodMEC
-
Esportes5 dias agoPalmeiras supera a LDU nos pênaltis e avança à semifinal da Libertadores
-
Política Nacional4 dias agoSancionada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
