Paraná
De testes de rotina às novas drogas: como a Polícia Científica identifica as substâncias apreendidas
A apreensão de uma droga é apenas o início do trabalho de uma investigação. Nos laboratórios da Polícia Científica do Paraná (PCIPR), as substâncias recolhidas passam por análises que identificam sua composição, revelam adulterações e permitem detectar o surgimento de novas drogas sintéticas. O resultado desse trabalho fornece a comprovação científica necessária para as investigações e processos criminais.
“O laudo pericial é a prova material do crime. No ordenamento jurídico brasileiro, a materialidade do crime de tráfico só é consolidada após a comprovação científica de que a substância apreendida é ilegal. Além disso, o laudo pode vincular diferentes apreensões, por meio do perfil químico, identificar a sofisticação do grupo criminoso e fornecer inteligência de segurança pública sobre a pureza e circulação de substâncias”, afirma a chefe do laboratório de química da PCIPR Gabriela de Moraes Pinto.
Após chegar ao laboratório, a amostra passa por uma série de procedimentos padronizados. Inicialmente, são realizados exames preliminares que auxiliam na triagem do material. Na sequência, entram em ação equipamentos de alta precisão, capazes de identificar a composição química da substância por meio da comparação com padrões analíticos e bancos de dados especializados.
Nos casos mais comuns, o trabalho consiste em confirmar a presença de substâncias já conhecidas pelas autoridades, como cocaína, maconha e anfetaminas. Para isso, os resultados obtidos nos exames são comparados com padrões analíticos e bibliotecas especializadas, permitindo a identificação precisa da composição química da amostra e a emissão do laudo pericial.
“A confirmação da composição de uma substância apreendida envolve diversas etapas, como o recebimento e registro do material, a descrição e documentação da amostra, o preparo analítico, a realização dos ensaios instrumentais, a interpretação dos resultados e a elaboração do laudo pericial”, afirma a chefe do laboratório de química da PCIPR.
Além da identificação da substância, os exames podem fornecer informações mais detalhadas sobre a composição do material apreendido. As análises qualitativas permitem determinar a natureza da droga, identificando, por exemplo, a presença de cocaína, THC, MDMA ou outras substâncias de interesse forense.
Já as análises quantitativas possibilitam medir a concentração da substância de interesse e identificar a presença de adulterantes ou diluentes adicionados à amostra. Essas informações ajudam a compreender características do material apreendido, como seu grau de pureza e possíveis alterações realizadas ao longo da cadeia de produção e distribuição.
Entre os compostos encontrados com frequência em amostras adulteradas estão cafeína, lidocaína e outros produtos utilizados para modificar as características da droga original. Os resultados contribuem para a produção de informações estratégicas que auxiliam investigações e permitem acompanhar tendências observadas no mercado ilegal de entorpecentes.
NOVAS SUBSTÂNCIAS — Além das drogas tradicionais, os laboratórios têm enfrentado um desafio cada vez mais frequente: a identificação das chamadas Novas Substâncias Psicoativas (NSPs). Produzidas a partir de pequenas alterações químicas em compostos já conhecidos, essas drogas sintéticas são desenvolvidas constantemente e podem não estar presentes nas bases de dados utilizadas rotineiramente pelos peritos.
“Quando uma amostra apresenta um perfil químico incompatível com as substâncias já conhecidas ou não pode ser identificada pelos métodos rotineiramente empregados, ela é submetida a uma investigação mais aprofundada”, explica Gabriela.
Quando uma amostra apresenta um perfil químico incompatível com substâncias já catalogadas, por exemplo, o trabalho pericial avança para uma etapa ainda mais detalhada. Técnicas complementares de cromatografia, espectroscopia e espectrometria de massas são utilizadas para determinar sua composição química e, quando possível, elucidar sua estrutura molecular.
O trabalho conta com o apoio de bancos de dados nacionais e internacionais e com a troca de informações entre laboratórios forenses e órgãos de segurança pública. Em situações mais complexas, a Polícia Científica pode estabelecer parcerias com instituições de pesquisa para acessar tecnologias complementares e auxiliar na identificação de compostos inéditos.
Dentro do universo das Novas Substâncias Psicoativas (NSPs), os canabinoides sintéticos, popularmente conhecidos como drogas “K”, estão entre os compostos que mais têm chamado a atenção dos peritos. Essas substâncias vêm sendo encontradas em diferentes formas de apresentação, como papéis impregnados, ervas e comprimidos, acompanhando a constante evolução do mercado ilegal de drogas.
Outra tendência identificada pelos laboratórios é o aumento da circulação de drogas sintéticas comercializadas com forte apelo visual e mercadológico. Entre elas está a chamada “cocaína rosa” ou “tusi”, que, apesar do nome, geralmente não contém cocaína em sua composição e costuma ser formada por misturas de substâncias como cetamina e cafeína.
Os exames também têm apontado para uma maior diversificação das substâncias encontradas nas apreensões, exigindo atualização constante das metodologias analíticas e o acompanhamento permanente das transformações do mercado ilícito.
“O laboratório funciona como um termômetro do mercado ilegal. Ao tabular os dados de pureza, tipos de adulterantes e o surgimento de novas moléculas ao longo dos meses, a Polícia Científica consegue gerar relatórios estatísticos valiosos. Esses dados apontam, por exemplo, se uma rota de tráfico mudou, se há desabastecimento de um insumo ou se uma nova droga sintética está ganhando espaço em determinada região geográfica”, explica a perita.
IDENTIFICAÇÃO INÉDITA — O avanço das análises laboratoriais também tem permitido a identificação de substâncias nunca antes registradas na PCIPR. Um exemplo recente foi a identificação inédita de aproximadamente 1kg de MDMB-PINACA, uma substância pertencente ao grupo dos canabinoides sintéticos, apreendida durante uma ação realizada no município de Cascavel. O material foi encaminhado ao laboratório para análise e teve sua composição confirmada pelos peritos.
De acordo com o perito oficial da PCIPR Luiz Fernandes de Moraes Junior, embora a substância já tenha sido registrada por outros órgãos e laboratórios do país, esta foi a primeira identificação confirmada pela PCIPR. Por ser a primeira detecção, o perito submeteu o exame complementar por análise de RMN junto a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que confirmou o resultado obtido no laboratório de química forense da PCIPR. “Ela está enquadrada dentro das Novas Substâncias Psicoativas, mas foi a primeira vez que conseguimos identificá-la e confirmar sua presença”.
De acordo com o perito, a substância faz parte de um grupo desenvolvido para produzir efeitos semelhantes aos da cannabis, porém com intensidade significativamente maior. “Trata-se de um canabinoide sintético que reproduz os efeitos do THC, mas com uma potência muito superior à encontrada na maconha”, afirma.
A identificação reforça a importância do monitoramento contínuo realizado pelos laboratórios forenses e por outros agentes das forças de segurança diante da constante evolução das substâncias que circulam no mercado ilegal de drogas. Neste caso, a droga foi acondicionada em uma embalagem identificada como contendo terpenos para cosméticos, utilizada para mascarar seu transporte. A substância ainda estava misturada a uma pequena quantidade de terpenos, conferindo o odor característico desses compostos e dificultando sua identificação.
Fonte: Governo PR
Paraná
23 metros e quase 200 lugares: Paraná ganha primeiros ônibus superarticulados
O governador em exercício Darci Piana entregou nesta quarta-feira (01) os dez primeiros superarticulados que passam a integrar a frota da Rede Integrada de Transporte (RIT) da Região Metropolitana de Curitiba. Os veículos fazem parte de um pacote de renovação do sistema metropolitano que soma R$ 51,6 milhões em investimentos e inclui a entrega de 27 novos ônibus com ar-condicionado para as linhas da região.
Os novos superarticulados, com 23 metros de comprimento e capacidade para transportar até 194 passageiros, começam a operar na ligação entre Pinhais e Curitiba, um dos principais corredores do transporte coletivo metropolitano. Até o fim do ano serão incorporados 19 veículos desse modelo, enquanto outros oito ônibus convencionais reforçam o atendimento nas linhas de Pinhais e Piraquara.
Ao entregar os novos veículos, Darci Piana destacou que os superarticulados representam mais conforto, segurança e capacidade para os passageiros que utilizam diariamente o transporte metropolitano. “Estamos cumprindo a missão de atender aqueles que mais precisam, que saem de casa para trabalhar e precisam voltar com segurança. É um trabalho para atender cada vez melhor a nossa população”, afirmou Piana.
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Com as novas aquisições, o Paraná chega a marca de 525 veículos novos adquiridos desde 2019, o que representa a renovação de 65% da frota do transporte público metropolitano. A renovação é coordenada pelo Governo do Estado, por meio da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), e prevê a incorporação de 171 novos ônibus entre junho e setembro deste ano. Todos os veículos serão equipados com ar-condicionado, proporcionando mais conforto, acessibilidade e qualidade no atendimento aos usuários do transporte metropolitano.
PINHAIS-RUI BARBOSA – Os primeiros superarticulados vão atender a linha Pinhais-Rui Barbosa, que liga o Terminal de Pinhais ao Centro de Curitiba utilizando a canaleta exclusiva da Avenida Affonso Camargo. O trajeto é um dos mais movimentados da Rede Integrada Metropolitana, com cerca de 15 mil passageiros transportados diariamente.
Os novos ônibus representam uma evolução em relação aos articulados atualmente em circulação. Enquanto os modelos convencionais possuem cerca de 18,5 metros de comprimento e capacidade para aproximadamente 140 passageiros, os superarticulados têm 23 metros e comportam até 194 usuários, ampliando significativamente a oferta de lugares nos horários de maior demanda.
Os veículos são equipados com motorização Euro 6, tecnologia que reduz a emissão de poluentes e contribui para um transporte público mais sustentável.
O diretor-presidente da Amep, Gilson Santos, destacou que a renovação da frota tem ampliado a capacidade e o conforto do transporte metropolitano, com a incorporação de novos veículos e tecnologias voltadas aos passageiros. “Dos 870 veículos que compõem a frota operante do transporte metropolitano, 525 já foram substituídos por ônibus zero quilômetro. Agora estamos incorporando os superarticulados, uma inovação para atender as linhas de maior demanda”.
A partir de agora, todos os novos veículos também passam a contar com ar-condicionado, além de recursos como carregador de celular e portas dos dois lados, o que torna a operação mais eficiente e melhora o atendimento à população”, detalhou. “Os superarticulados entram em operação imediatamente na linha Pinhais–Rui Barbosa, uma das mais importantes da rede metropolitana”, reforçou Santos.
FROTA – Dos R$ 51,6 milhões investidos, aproximadamente R$ 44,5 milhões foram destinados à aquisição dos 19 superarticulados, dos quais dez entram em operação nesta primeira etapa e outros nove serão incorporados até o fim do ano. Os oito novos ônibus convencionais representam investimento de cerca de R$ 7,1 milhões e começam a circular ainda em julho nas linhas que atendem Pinhais e Piraquara.
PRESENÇAS – Também participaram da entrega o secretário de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, Marcos Stamm; a deputada estadual Márcia Huçulak; o secretário de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Curitiba, Thiago Bonagura; e o deputado federal, Sandro Alex.
Fonte: Governo PR
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