Agro
Trigo sobe no mercado brasileiro com oferta restrita, enquanto Chicago recua diante da expectativa de safra recorde na Rússia
O mercado de trigo segue dividido entre a firmeza observada no Brasil e a pressão baixista no cenário internacional. Enquanto a oferta restrita no mercado doméstico continua sustentando a recuperação dos preços, os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram esta terça-feira (30) em queda, refletindo as expectativas de uma safra maior na Rússia e o avanço da colheita no Hemisfério Norte.
No Brasil, produtores permanecem retraídos nas vendas, apostando em melhores oportunidades de comercialização, ao mesmo tempo em que os moinhos seguem obrigados a elevar suas ofertas para garantir o abastecimento. Já no exterior, a possibilidade de uma produção recorde russa amplia a perspectiva de maior disponibilidade mundial de trigo, limitando a valorização das cotações internacionais.
Oferta limitada mantém preços em alta no mercado brasileiro
Levantamento do Cepea mostra que os preços do trigo seguem em recuperação ao longo de junho, impulsionados principalmente pela baixa disponibilidade de grãos no mercado spot.
Os produtores que ainda possuem estoques continuam segurando o produto, aguardando preços mais atrativos, enquanto a necessidade de reposição dos moinhos tem sustentado negociações em níveis mais elevados.
Na parcial de junho, até o dia 26, o preço médio do trigo no Paraná alcançou R$ 1.371,12 por tonelada, alta de 1,4% em relação a maio. Apesar da recuperação mensal, o valor ainda permanece 13% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, considerando os preços corrigidos pela inflação.
No Rio Grande do Sul, a média chegou a R$ 1.324,79 por tonelada, avanço de 1,9% frente ao mês anterior, mas queda anual de 6,1%.
Em São Paulo, o trigo foi negociado, em média, a R$ 1.508,04 por tonelada, registrando alta mensal de 2,8%, enquanto em Santa Catarina a média ficou em R$ 1.313,46 por tonelada, aumento de 2,1% sobre maio. Ainda assim, ambos os estados apresentam preços inferiores aos observados em junho do ano passado.
Mercado físico opera com baixa liquidez e compradores cautelosos
O mercado físico iniciou a semana com pouca movimentação nos principais estados produtores do Sul.
Segundo análise da TF Agroeconômica, as compras seguem limitadas, com negociações pontuais e cobertura para julho praticamente encerrada. O foco dos moinhos começa a migrar para as necessidades de abastecimento de agosto.
No Rio Grande do Sul, as indicações giram em torno de R$ 1.420 por tonelada entregue nos moinhos, variando conforme prazo de entrega e distância. O preço de balcão subiu para R$ 70,02 por saca.
Além da oferta reduzida da safra atual, cresce a preocupação em relação ao próximo ciclo. Entre os principais fatores estão os elevados custos de produção, preços considerados pouco atrativos, risco climático associado ao El Niño e possíveis problemas de qualidade dos grãos, especialmente relacionados à presença de DON (Deoxinivalenol).
Há relatos de cooperativas avaliando reduzir significativamente a área cultivada, embora ainda não exista confirmação oficial. A Emater-RS projeta produção de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, volume bastante inferior ao registrado na safra anterior, que variou entre 3,8 milhões e 4 milhões de toneladas.
Em Santa Catarina, os preços elevados do trigo seguem dificultando a comercialização de farinha. As referências permanecem próximas de R$ 1.350 por tonelada FOB, podendo atingir R$ 1.500 CIF nos moinhos localizados na região leste do estado.
No Paraná, o mercado segue com baixa disponibilidade da safra velha e praticamente sem negócios envolvendo a nova produção. As indicações para compra variam entre R$ 1.450 CIF nos Campos Gerais e Curitiba e R$ 1.480 CIF no norte do estado, enquanto vendedores trabalham com preços a partir de R$ 1.400 FOB.
Chicago recua diante da expectativa de maior produção na Rússia
Enquanto o mercado brasileiro permanece sustentado pela escassez de oferta, o cenário internacional segue pressionado pela perspectiva de aumento da produção global.
Na abertura desta terça-feira, os contratos futuros do trigo negociados na Bolsa de Chicago registravam perdas. O contrato para julho era cotado a US$ 5,68 por bushel, enquanto setembro recuava para US$ 5,77 e dezembro operava próximo de US$ 5,94 por bushel.
O principal fator baixista veio da revisão das estimativas para a safra russa. A consultoria Argus elevou sua projeção de produção para 91,2 milhões de toneladas na temporada 2026/27, acima das 88,7 milhões de toneladas estimadas anteriormente e configurando o maior volume desde a safra recorde de 2022/23.
A melhora das condições das lavouras de trigo de inverno foi determinante para a revisão, especialmente nas regiões produtoras do sul da Rússia. A expectativa é de uma colheita recorde dessa modalidade, capaz de compensar parcialmente uma produção menor de trigo de primavera.
Apesar do aumento da estimativa, o mercado continua monitorando possíveis impactos de chuvas durante a colheita, que podem comprometer a qualidade dos grãos e atrasar os trabalhos de campo.
Mercado brasileiro acompanha cenário internacional
Embora a firmeza do mercado interno continue sendo sustentada pela oferta restrita, o comportamento das cotações internacionais permanece no radar dos agentes brasileiros.
Uma safra robusta na Rússia tende a ampliar a competitividade do trigo importado e limitar movimentos mais expressivos de valorização em Chicago, fator que pode influenciar as estratégias de compra dos moinhos brasileiros nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, produtores acompanham o desenvolvimento da safra nacional e as condições climáticas do inverno, que serão decisivas para definir a disponibilidade de trigo no mercado interno e o comportamento dos preços ao longo do segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Hereford e Braford avançam na seleção genética para reduzir emissão de metano e aumentar eficiência produtiva
A pecuária de corte brasileira dá mais um passo rumo à sustentabilidade e à eficiência produtiva. As raças Hereford e Braford estão ampliando seus programas de melhoramento genético com foco na seleção de animais capazes de produzir mais carne utilizando menos alimento e emitindo menores quantidades de metano, um dos principais gases de efeito estufa associados à atividade pecuária.
A iniciativa é conduzida pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), e reúne nesta edição 31 animais, sendo 15 da raça Hereford e 16 da raça Braford, oriundos de diferentes criatórios gaúchos.
Eficiência alimentar e sustentabilidade caminham juntas
O trabalho integra duas importantes avaliações: a Prova de Eficiência Alimentar (PEA) e a Prova de Emissão de Gases (PEG).
A PEA identifica animais e linhagens que atingem o ganho de peso desejado consumindo menor quantidade de alimento. Já a PEG monitora a emissão de metano produzida por cada indivíduo durante o período de avaliação.
A principal novidade desta edição é que ambas as provas passaram a ser realizadas simultaneamente. Até então, a mensuração dos gases ocorria apenas após o encerramento da avaliação alimentar.
Com a incorporação de novos equipamentos pela Embrapa Pecuária Sul, o processo ganhou precisão e ampliou significativamente a quantidade de dados coletados.
Tecnologia amplia geração de dados genéticos
A estrutura utilizada nas avaliações conta com modernos comedouros e bebedouros equipados com sistemas de pesagem individual, permitindo monitorar detalhadamente o comportamento alimentar dos animais.
Segundo o presidente do Conselho Deliberativo Técnico da ABHB, Paulo Azambuja, a integração das avaliações representa um avanço importante para o melhoramento genético das duas raças.
A tecnologia permite identificar linhagens mais eficientes, capazes de atingir o peso-alvo consumindo menor volume de forragem, característica cada vez mais valorizada em sistemas produtivos que buscam maior rentabilidade e sustentabilidade.
Além disso, as novas cabines de mensuração possibilitam aumentar o número de medições de metano realizadas durante a prova, gerando informações mais robustas para futuras avaliações genéticas.
Menor consumo significa redução de custos na propriedade
A eficiência alimentar tem impacto direto sobre os resultados econômicos da pecuária. Em um cenário de crescente atenção aos custos de produção, identificar animais que necessitam de menos alimento para produzir a mesma quantidade de carne representa uma vantagem competitiva para os produtores.
De acordo com o gerente executivo da ABHB, Felipe Azambuja, a seleção de linhagens mais eficientes contribui para reduzir despesas operacionais e aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Além dos ganhos econômicos, a identificação de animais com menor emissão de metano fortalece o compromisso da cadeia pecuária com a redução dos impactos ambientais da atividade.
Dados vão fortalecer o melhoramento genético das raças
As informações geradas pelas provas estão formando uma importante base de dados para as raças Hereford e Braford.
O objetivo é construir uma população de referência que permita o desenvolvimento de Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) específicas para características como eficiência alimentar, consumo alimentar residual e emissão de gases de efeito estufa.
As DEPs são ferramentas utilizadas para estimar o potencial genético que um reprodutor pode transmitir aos seus descendentes, tornando a seleção mais precisa e eficiente.
Quando incorporadas ao programa de melhoramento genético PampaPlus, essas informações permitirão que criadores comparem reprodutores não apenas pelo desempenho produtivo, mas também pela capacidade de consumir menos alimento e emitir menos metano.
Parceria histórica impulsiona inovação na pecuária
A colaboração entre a ABHB e a Embrapa Pecuária Sul já soma quase três décadas de pesquisas e avaliações voltadas ao aprimoramento das raças Hereford e Braford.
Ao longo desse período, os programas evoluíram de avaliações tradicionais de desempenho a campo para a incorporação de características ligadas à eficiência produtiva, sustentabilidade e redução da pegada ambiental da pecuária.
A edição atual das provas encontra-se na fase final e será concluída com a realização de um dia de campo, quando serão apresentados os resultados obtidos, os animais participantes e as próximas etapas do programa.
A expectativa é ampliar a participação de criadores e acelerar a geração de informações genéticas capazes de tornar a pecuária brasileira cada vez mais eficiente, competitiva e alinhada às demandas globais por produção sustentável de alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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