Agro
Safra recorde no Brasil amplia oferta global e pressiona preços do café
A perspectiva de uma safra recorde no Brasil e o avanço da colheita nas principais regiões produtoras começam a redesenhar o cenário do mercado internacional de café, reduzindo a sustentação observada nos preços nos últimos anos.
No Cerrado Mineiro, uma das principais regiões produtoras de café arábica do País, os trabalhos de campo ganharam ritmo e já atingem entre 10% e 15% da área prevista para a nova safra. O avanço ocorre em meio à maturação mais uniforme dos frutos, favorecida pelas condições climáticas registradas durante o ciclo produtivo.
Levantamento da Expocacer mostra que a colheita se intensificou até a segunda semana de junho e reforça as expectativas positivas para a região, responsável por parte relevante da produção brasileira de cafés especiais. A cooperativa projeta uma colheita de 2,859 milhões de sacas de 60 quilos em sua área de atuação, que reúne 82 mil hectares cultivados, dos quais pouco mais de 72 mil hectares estão em produção nesta temporada.
Caso as estimativas sejam confirmadas, a produtividade média deverá alcançar 39,5 sacas por hectare, com crescimento de quase 40% no volume produzido e avanço de 43% na produtividade em comparação com o ciclo anterior.
Segundo o monitoramento da cooperativa, 57% dos frutos avaliados encontram-se no estágio cereja, considerado ideal para a colheita e determinante para a obtenção de cafés de maior qualidade. A combinação entre clima favorável, manejo técnico e maturação equilibrada sustenta a expectativa de uma safra volumosa e com elevado padrão de qualidade.
As projeções otimistas para o Brasil também começam a influenciar os preços internacionais. Após sucessivas valorizações nos últimos anos, o café arábica passou por uma correção expressiva entre maio e a primeira quinzena de junho. Na Bolsa de Nova York, os contratos acumularam queda de 18% no período, encerrando em US$ 2,48 por libra-peso. No mercado doméstico, a retração foi ainda mais acentuada, com o arábica recuando 21%, para cerca de R$ 1.383 por saca.
A melhora das condições climáticas no fim de maio e no início de junho permitiu acelerar os trabalhos de colheita e ampliar a oferta disponível, contribuindo para a perda de força das cotações. Apesar disso, relatos iniciais indicam a presença de grãos com peneira menor em algumas áreas, reflexo das condições observadas durante a fase de enchimento. Analistas, contudo, avaliam que ainda é cedo para medir eventuais impactos sobre a produtividade final.
O comportamento do robusta foi mais resiliente. Os contratos negociados em Londres registraram retração de aproximadamente 6% no mesmo intervalo, enquanto o conilon no mercado interno chegou a apresentar valorização pontual, apoiado pela demanda e pelo diferencial de preços em relação ao arábica.
As projeções indicam um superávit próximo de 13 milhões de sacas no mercado mundial, impulsionado sobretudo pelo Brasil, responsável por cerca de 80% do crescimento esperado da produção.
A safra brasileira é estimada em aproximadamente 72 milhões de sacas, um dos maiores volumes da história. O aumento da disponibilidade deverá reforçar as exportações e reduzir a percepção de escassez que sustentou as cotações nos últimos ciclos.
Nesse contexto, a expectativa é de que os preços permaneçam sob pressão nos próximos meses, especialmente no segmento de arábica, que ainda opera com prêmio em relação ao conilon. A redução das posições compradas por fundos de investimento também contribui para a trajetória de acomodação observada no mercado futuro.
Embora o quadro atual seja de maior oferta e menor sustentação para os preços, o clima continua sendo a principal variável monitorada pelo setor. A confirmação do fenômeno El Niño pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acendeu um sinal de alerta para a formação da próxima safra brasileira.
Especialistas avaliam que a irregularidade das chuvas, associada a períodos de calor e estiagem, pode comprometer o desenvolvimento das lavouras. O risco climático também se estende a importantes produtores de robusta na Ásia, como Vietnã e Indonésia.
Apesar dessas incertezas, a leitura predominante entre os agentes do mercado é de que a combinação entre safra recorde, estoques mais confortáveis e maior disponibilidade global tende a limitar movimentos consistentes de alta no curto prazo, em um ambiente marcado por maior seletividade e volatilidade nas negociações.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Trigo: El Niño aumenta risco climático e produção brasileira pode cair 20% na safra 2026/27
O mercado brasileiro de trigo entra na safra 2026/27 cercado por desafios. A combinação de redução da área cultivada, custos elevados de produção e a confirmação do fenômeno El Niño deve impactar significativamente a produção nacional, que pode registrar queda próxima de 20% em relação ao ciclo anterior.
A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário de maior risco para os produtores, especialmente devido aos possíveis efeitos climáticos sobre a qualidade dos grãos.
Plantio avança, mas produtores reduzem investimentos
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura do trigo já alcançou 45,3% da área prevista para a temporada 2026/27. As condições iniciais das lavouras são consideradas favoráveis, principalmente na Região Sul, onde a umidade tem contribuído para a boa emergência das plantas e o desenvolvimento vegetativo.
Apesar disso, o ambiente econômico segue desafiador. A rentabilidade considerada insatisfatória tem levado muitos produtores a reduzirem investimentos e diminuírem a área destinada ao cereal.
A projeção da Conab aponta retração de 13,4% na área cultivada. Somada a uma expectativa de produtividade 7,6% menor, a produção brasileira deverá atingir aproximadamente 6,2 milhões de toneladas, representando uma queda de cerca de 20% frente ao ciclo anterior.
Além da redução de área, os custos mais elevados de produção têm limitado o uso de tecnologias e investimentos em manejo, fator que também contribui para o viés baixista da safra.
El Niño amplia preocupação com a qualidade do trigo
A confirmação do El Niño adiciona uma nova camada de incerteza ao mercado. Embora o fenômeno possa favorecer o fornecimento de água durante as fases iniciais de desenvolvimento das lavouras, o excesso de chuvas ao longo do ciclo preocupa produtores e analistas.
O principal risco está relacionado ao aumento da incidência de doenças e à perda de qualidade dos grãos na fase final de maturação e colheita, situação historicamente observada em anos sob influência do fenômeno climático.
A qualidade do trigo é um fator decisivo para a indústria moageira e para a formação dos preços, tornando o clima uma variável estratégica para o mercado nos próximos meses.
Mercado doméstico registra valorização durante a entressafra
Enquanto a nova safra está sendo implantada, os preços do trigo seguem firmes no mercado interno. No Paraná, principal estado produtor do país, o cereal foi negociado próximo de R$ 70 por saca na primeira quinzena de junho, acumulando valorização nos últimos 30 dias.
O movimento reflete a baixa liquidez típica do período de entressafra. Produtores permanecem retraídos nas vendas, enquanto os moinhos adotam postura cautelosa diante das dificuldades de repassar aumentos aos preços da farinha.
A valorização recente do dólar também contribuiu para sustentar as cotações domésticas, elevando a paridade de importação e fortalecendo o mercado interno.
Cenário internacional segue volátil
No mercado global, o trigo apresentou forte volatilidade entre maio e junho. As cotações em Chicago chegaram a superar US$ 6,60 por bushel durante maio, impulsionadas pela seca nas regiões produtoras dos Estados Unidos.
No entanto, o avanço da colheita no Hemisfério Norte, a melhora das condições climáticas em áreas produtoras americanas e perspectivas mais favoráveis para a safra russa provocaram correções nos preços no início de junho.
Apesar disso, persistem incertezas relevantes em importantes origens globais, como Ucrânia e Rússia, o que mantém o mercado sensível a qualquer alteração climática ou geopolítica.
Dependência de importações deve continuar elevada
Com a perspectiva de menor produção nacional, o Brasil deve manter elevada dependência das importações para abastecer o mercado interno.
Nesse contexto, a formação dos preços domésticos continuará fortemente influenciada pelo câmbio e pela competitividade do trigo argentino, principal fornecedor do cereal ao mercado brasileiro.
A expectativa é que os preços permaneçam sustentados durante a entressafra, embora o amplo abastecimento global limite movimentos mais expressivos de valorização no mercado internacional.
Perspectivas para o setor
O cenário para o trigo em 2026/27 combina fundamentos de oferta mais restrita no Brasil com riscos climáticos crescentes associados ao El Niño. Para os produtores, o momento exige atenção redobrada ao manejo das lavouras, estratégias de comercialização e gestão de riscos.
Enquanto o mercado acompanha a evolução do clima e do plantio, a qualidade da safra deverá ser um dos principais fatores para determinar o comportamento dos preços e a competitividade do cereal brasileiro nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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