Agro
Preço do feijão dispara no Brasil com geadas, escassez e retenção de oferta no campo
O mercado brasileiro de feijão atravessa um dos momentos mais tensionados dos últimos anos, impulsionado pela combinação entre escassez de produto de qualidade, retenção de oferta pelos produtores e preocupações climáticas sobre a segunda safra 2025/26.
As cotações do feijão carioca avançaram fortemente ao longo da semana e atingiram níveis históricos em importantes regiões produtoras do país. Ao mesmo tempo, o feijão preto passou a acompanhar o movimento de valorização, sustentado pela migração parcial da demanda e pelo aumento das incertezas climáticas no Sul do Brasil.
Segundo análise de Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, o cenário atual é de forte aperto estrutural no abastecimento, especialmente para lotes nobres de feijão carioca.
Escassez de feijão de qualidade pressiona mercado físico
De acordo com o analista, a comercialização ao longo da semana foi marcada por baixa liquidez e extrema seletividade nas negociações.
A chamada “Bolsinha” operou diversos pregões praticamente vazios, com volumes frequentemente inferiores a 2 mil sacas e negócios concentrados em operações pontuais realizadas por amostras.
A dificuldade para formação de lotes homogêneos elevou ainda mais a disputa pelos grãos de maior qualidade.
“A ausência de feijões nota 9 ou superiores aumentou a seletividade do mercado, enquanto os padrões intermediários passaram a substituir parcialmente os lotes extras”, explica Evandro Oliveira.
Feijão carioca rompe novos recordes de preços
O ambiente de oferta restrita fez as cotações dispararem nas principais regiões produtoras.
No mercado FOB, o interior de São Paulo e o Noroeste de Minas Gerais romperam a marca de R$ 430 por saca no feijão carioca extra.
Em operações CIF São Paulo, negócios pontuais chegaram a validar preços próximos de R$ 470 por saca, consolidando novos recordes históricos para a cultura.
O movimento de valorização também atingiu os padrões intermediários.
No interior paulista, as negociações romperam a faixa de R$ 400 por saca, enquanto diversas praças registraram forte alta nas pedidas.
Segundo o analista, os produtores seguem retraídos nas vendas, liberando apenas pequenos volumes ao mercado e sustentando um ambiente de forte disputa por qualidade.
Problemas climáticos ampliam preocupação com a segunda safra
Além da oferta limitada, o mercado monitora com atenção os impactos climáticos sobre a segunda safra de feijão.
Paraná e Minas Gerais enfrentaram atrasos no plantio, excesso de chuvas, redução de área cultivada e avanço lento da colheita, fatores que já comprometem a disponibilidade de produto nobre no mercado.
Agora, as geadas no Sul do país passaram a ser um novo fator de risco para a cultura.
“As geadas começaram a ser monitoradas como ameaça para peneira, enchimento dos grãos e qualidade final da produção”, alerta Oliveira.
Com estoques historicamente apertados e empacotadoras operando no limite da reposição, o mercado segue sem capacidade rápida de recomposição da oferta.
O resultado é um cenário estruturalmente positivo para os preços no curto prazo.
Feijão preto acelera valorização com migração do consumo
O mercado do feijão preto também mudou de direção ao longo da semana e passou a registrar altas expressivas.
Segundo Safras & Mercado, a disparada do feijão carioca ampliou significativamente a competitividade do feijão preto no abastecimento doméstico.
Inicialmente, o segmento operava com baixa liquidez e demanda enfraquecida. Porém, a diferença extrema entre os preços das duas variedades passou a estimular substituição parcial do consumo, principalmente entre compradores mais sensíveis ao custo final.
As cotações avançaram rapidamente nas principais regiões produtoras.
No interior de São Paulo, os negócios saíram da faixa de R$ 186 por saca para níveis acima de R$ 220 por saca no Tipo 1 extra.
No Paraná, o mercado saltou de R$ 160–165 por saca para valores próximos de R$ 200 por saca, enquanto Santa Catarina também registrou forte reação nas pedidas.
Geadas no Sul sustentam viés positivo para o feijão preto
O clima voltou a influenciar diretamente o sentimento do mercado do feijão preto, principalmente porque grande parte da segunda safra paranaense é composta pela variedade preta.
O risco de geadas, excesso de umidade e perdas de qualidade elevou significativamente a preocupação dos agentes do setor.
“Os compradores passaram gradualmente a aceitar reajustes maiores diante do avanço da demanda e da necessidade de reposição”, afirma Oliveira.
O mercado segue atento à evolução da colheita, ao comportamento do consumo interno e à continuidade da migração parcial da demanda do carioca para o preto.
Com o feijão carioca permanecendo em patamares extremamente elevados, o feijão preto ainda apresenta espaço para novas valorizações nas próximas semanas, consolidando um cenário mais firme para o mercado nacional de feijão.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil habilita 21 novos estabelecimentos para exportar carne e miúdos bovinos à Indonésia
Novos estabelecimentos brasileiros foram habilitados para exportar carne e miúdos bovinos para a Indonésia. Ao todo, 21 unidades foram aprovadas após auditoria presencial realizada pela autoridade sanitária indonésia, entre 27 de junho e 5 de julho de 2026, articulada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As novas unidades habilitadas estão localizadas nos estados do Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins. Com este resultado, o total de frigoríficos brasileiros autorizados a atender o mercado indonésio saltou de 52 para 73.
A aprovação dos estabelecimentos auditados reflete o rigor do sistema de defesa agropecuária do Brasil, além de consolidar uma relação de alta confiança com as autoridades sanitárias da Indonésia. É uma conquista estratégica que gera emprego e renda em dez estados brasileiros.
MERCADO
Com mais de 280 milhões de habitantes, a Indonésia tem se destacado como um mercado de relevância para a pecuária brasileira. Em 2025, o Brasil exportou 31.511 toneladas de carne bovina para o país asiático. O ritmo se mantém em 2026: apenas no primeiro semestre, o volume exportado já atinge 17.461 toneladas.
O segmento de miúdos bovinos, cuja abertura de mercado é recente, também demonstra rápida ascensão. Apenas nos primeiros seis meses de 2026, os embarques brasileiros de miúdos para a Indonésia somaram 21.191 toneladas. Hoje, a Indonésia já o segundo maior mercado para os miúdos bovinos do Brasil.
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