Agro
Cooperativa do Cerrado Mineiro realiza exportação inédita de café especial naturalmente descafeinado para o Japão
A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), referência na produção de cafés especiais do Cerrado Mineiro, realizou uma exportação inédita de café especial naturalmente descafeinado para o Japão, consolidando um novo posicionamento estratégico do Brasil no mercado global de cafés premium.
O embarque envolveu 8,4 toneladas do produto em grãos — equivalentes a 140 sacas de 60 kg — e representa um marco histórico para o setor cafeeiro nacional. O processo de estufagem ocorreu em 27 de abril, na sede da cooperativa, e a carga foi embarcada pelo Porto de Santos (SP) no último dia 6 de maio.
Volume exportado supera embarques anuais do Brasil em café descafeinado
O volume enviado pela Expocacer supera, sozinho, todas as exportações brasileiras de café não torrado descafeinado registradas nos últimos anos.
Dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apontam que o Brasil exportou:
- 832 kg de café descafeinado não torrado em 2025;
- 698 kg do mesmo produto em 2024.
Na prática, a operação realizada pela cooperativa mineira supera em:
- 910% o total exportado pelo país em 2025;
- 1.100% o volume registrado em 2024.
Estratégia de rebranding mira mercados premium e consumidores exigentes
Segundo a Expocacer, a iniciativa faz parte de um trabalho estratégico de reposicionamento internacional desenvolvido ao longo dos últimos três anos.
O projeto buscou identificar novas oportunidades e tendências globais de consumo, incluindo o crescimento da demanda por cafés especiais descafeinados de alta qualidade.
De acordo com o diretor comercial da cooperativa, Italo Henrique, a operação inicial tem foco na construção de mercado e consolidação comercial.
“A exportação das 140 sacas de café especial ‘decaf’, produzido e naturalmente descafeinado no Brasil, para o Japão, neste primeiro momento, é mais voltada à construção de mercado do que focada em escala imediata”, explica.
Mercado de café descafeinado cresce impulsionado por bem-estar e saúde
A demanda global por cafés descafeinados vem ganhando força, especialmente em mercados maduros e sofisticados, como o japonês.
Segundo Italo Henrique, o produto deixou de ocupar apenas um nicho de mercado e passou a integrar uma categoria estratégica, associada a bem-estar, saúde e consumo premium.
“O café descafeinado vem deixando de ser visto apenas como produto de nicho e passando a ser entendido como uma categoria estratégica, com espaço para origem, qualidade, sustentabilidade e relacionamento de longo prazo”, afirma.
Estudos recentes apontam crescimento médio anual de cerca de 7% no mercado mundial de café descafeinado, impulsionado principalmente por consumidores que desejam reduzir a ingestão de cafeína sem abrir mão da qualidade sensorial da bebida.
Japão amplia demanda por cafés especiais descafeinados
O primeiro lote exportado pela Expocacer foi adquirido pela Cerrad Coffee & Company, empresa sediada em Tóquio especializada em cafés especiais brasileiros.
Segundo Carlos Akio Yamaguchi, responsável pelo Controle de Qualidade de Importações da companhia, o mercado japonês tem ampliado a procura por cafés descafeinados de alta qualidade.
“Descafeinado de café especial é muito raro. Essa inédita demanda junto à Expocacer é por um bourbon produzido no Cerrado Mineiro. São cafés de alta qualidade e isso é uma novidade no mercado japonês”, destaca.
O executivo afirma que o consumo vem crescendo principalmente entre jovens e mulheres grávidas, acompanhando tendências globais ligadas à saúde e bem-estar.
Processo natural preserva qualidade do café especial
A descafeinação do produto foi realizada em Sooretama (ES), pela DM Descafeinadores do Brasil, empresa formada pela parceria entre a Eisa Interagrícola — braço da multinacional suíça ECOM Agroindustrial — e a mexicana Descamex.
O método utilizado foi o “Mountain Water”, considerado um processo premium de descafeinação natural.
A tecnologia utiliza apenas água e sólidos solúveis extraídos do próprio café para remover a cafeína, preservando as características sensoriais do grão sem utilização de solventes químicos.
O processo inclui:
- Pré-limpeza e hidratação dos grãos;
- Extração da cafeína sob controle de temperatura, pressão e vácuo;
- Tripla secagem;
- Polimento e embalagem final.
Café exportado foi produzido no Cerrado Mineiro
O café especial naturalmente descafeinado exportado ao Japão foi produzido pelo cooperado Eduardo Pinheiro Campos, na Fazenda Dona Neném, em Presidente Olegário (MG).
O lote é da variedade bourbon amarelo e apresenta perfil sensorial com notas de:
- Floral;
- Mel;
- Melaço;
- Tangerina;
- Laranja;
- Cereja.
O café também se destaca pela acidez cítrica, corpo aveludado e finalização prolongada.
Fazenda referência em inovação e cafés especiais
A Fazenda Dona Neném possui cerca de 1.400 hectares dedicados à produção de cafés especiais e preservação ambiental.
A propriedade mantém parcerias de pesquisa com instituições como Embrapa e Rehagro e acumula certificações internacionais importantes, entre elas:
- Rainforest Alliance;
- Nespresso;
- Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro.
Recentemente, a fazenda conquistou destaque nacional ao vencer a categoria Cereja Descascado no 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro, com um café avaliado em 90,59 pontos e comercializado a R$ 200 mil por saca — valor recorde da premiação.
Japão amplia importações de café brasileiro
O Japão segue entre os principais mercados compradores do café brasileiro.
Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os japoneses importaram 2,647 milhões de sacas de 60 kg em 2025, volume 19,4% superior ao registrado em 2024.
Com isso, o país asiático consolidou a quarta posição entre os maiores importadores de café do Brasil no último ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Preço do arroz recua no Sul e setor alerta para distorção no mercado após leilões
O mercado do arroz voltou a registrar queda nos preços pagos ao produtor na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, ampliando a preocupação do setor com uma possível distorção nas referências utilizadas pelo mercado físico. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, que aponta os recentes leilões como fator central para a pressão observada nas negociações.
Nos últimos dias, o arroz vinha sendo comercializado entre R$ 60 e R$ 62 por saca na região. No entanto, novos negócios já passaram a ocorrer em patamares entre R$ 57 e R$ 59, reduzindo a rentabilidade dos produtores em um momento de maior cautela no setor.
Segundo Cardoso, parte dessa movimentação ocorreu porque alguns produtores aceitaram operações com preços-base entre R$ 53 e R$ 55 por saca, impulsionados pela existência de prêmios que elevavam o valor final recebido para níveis próximos de R$ 63 e R$ 64.
Mercado físico sofre impacto de leitura considerada equivocada
De acordo com a análise do setor, o principal problema foi a forma como o mercado interpretou essas operações. Mesmo com os prêmios agregando valor ao resultado final, compradores passaram a considerar apenas o preço-base das negociações como referência para o mercado físico.
Essa leitura acabou fortalecendo a percepção de que produtores estariam dispostos a vender arroz abaixo de R$ 60 sem resistência, aumentando a pressão sobre as cotações e reforçando o sentimento de excesso de oferta no mercado.
Com isso, compradores passaram a atuar de maneira mais cautelosa, reduzindo o ritmo das negociações e pressionando ainda mais os preços praticados nas principais regiões produtoras.
Leilões ajudaram na liquidez, mas afetaram referência de preços
O setor reconhece que os leilões tiveram papel importante na geração de liquidez para parte dos produtores, especialmente em um momento de necessidade de comercialização da safra. No entanto, a ausência dos prêmios nas negociações tradicionais altera significativamente a composição da rentabilidade final das operações.
Na prática, agentes do mercado avaliam que o impacto psicológico das operações acabou tendo peso maior do que os próprios fundamentos do arroz no mercado regional.
Mercosul já indica redução de área e produção
Apesar da pressão atual sobre os preços, o setor observa sinais de mudança nos fundamentos para a próxima temporada. Dados do Mercosul já apontam redução de área plantada e perspectiva de menor produção de arroz no próximo ciclo produtivo.
Esse cenário pode limitar a oferta regional nos próximos meses e alterar o equilíbrio entre oferta e demanda, fator que poderá influenciar o comportamento das cotações futuramente.
Enquanto isso, o mercado segue monitorando a movimentação dos produtores, o comportamento dos compradores e os efeitos das referências formadas após os leilões recentes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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