Paraná
Emocionada, população se prepara para assistir à inauguração da Ponte de Guaratuba
O clima é de expectativa no Litoral do Paraná para a inauguração oficial da Ponte de Guaratuba, marcada para às 16 horas desta sexta-feira (1º). Desde as primeiras horas do dia, moradores e turistas começaram a se concentrar em pontos estratégicos para acompanhar o momento histórico.
Na Praia de Caieiras, um dos locais mais privilegiados para a visualização da estrutura, o movimento foi intenso ao longo do dia. Aproveitando o tempo ensolarado, o público dividiu a atenção entre o lazer à beira-mar e a busca por um bom lugar para assistir ao espetáculo preparado para marcar a entrega da ponte, que contará com shows de drones, luzes e efeitos visuais.
A expectativa tem motivo: a Ponte de Guaratuba é considerada uma das obras mais emblemáticas da história do Paraná, aguardada há pelo menos cinco décadas por moradores, comerciantes e visitantes da região. A estrutura vai substituir a travessia por ferry boat e reduzir o tempo de deslocamento entre Guaratuba e Matinhos para poucos minutos.
Uma das pessoas mais emocionadas era a moradora Maria Helena Alves de Maier, de 73 anos, que chegou ao local por volta do meio-dia para garantir um bom lugar. Nascida e criada em Guaratuba, ela acompanhou toda a espera pela obra. “A gente escuta sobre essa ponte há 40, 50 anos. E ver ela ser construída em dois anos, eu penso que é um milagre de Deus. Vim acompanhar esse milagre”, diz. Para ela, a mudança será sentida em toda a cidade. “Vai melhorar tudo, o comércio, a hotelaria, as visitas. Vai ser uma beleza essa ponte˜, espera.
Quem também fez questão de chegar cedo foram as amigas Bernadete Schermeyer e Terezinha Cristina de Oliveira. Moradoras da cidade há décadas, elas acompanharam de perto a expectativa pela construção. “Eu sonhava com essa ponte todo dia. Eu não esperava ver isso na minha vida, achava que era um sonho, uma utopia”, disse Bernadete. Terezinha destacou o impacto direto no dia a dia da população: “O transporte, a saúde, tudo dependia dessa ponte. E hoje a gente vai ficar até o final. Isso aqui já é um paraíso, e agora com essa ponte, fechou.”
Entre cadeiras de praia e guarda-sóis, o clima também era de confraternização. O aposentado José Nazaré levou a família inteira e até organizou um churrasco à beira-mar para acompanhar a inauguração. “A gente sofreu muitas vezes com o ferry boat. Então hoje é um sonho realizado, tanto para quem mora aqui quanto para quem vem de fora. Vai melhorar muito”, analisa. Segundo ele, o momento é de celebrar e fazer parte da história. “É um sonho de todo mundo. A gente quer estar aqui para acompanhar, viver esse momento”.
ESTRUTURA – Além de Caieiras, o Governo do Estado montou estrutura para o público acompanhar a inauguração também na Prainha, garantindo diferentes pontos de observação para a população.
Após o ato oficial com a presença de autoridades, na cabeceira da ponte do lado de Matinhos, a população poderá participar de um momento simbólico: a “tomada da ponte”, com liberação do acesso para pedestres, permitindo que o público caminhe pela estrutura recém-inaugurada.
Fonte: Governo PR
Paraná
Ministro André Mendonça faz palestra magna na abertura do Encontro Nacional do Cira 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi o responsável pela palestra magna na abertura do Encontro Nacional CIRA 2026 – Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, nesta sexta-feira, 14 de agosto, no Ministério Público de São Paulo. Autor do prefácio do livro “Crimes contra a ordem econômica e tributária: desafios atuais e perspectivas”, lançado durante o evento, Mendonça tratou dos critérios para quantificar o dano, o enriquecimento ilícito e o produto de atividades criminosas.
Em uma exposição de caráter técnico, o ministro discutiu os parâmetros que devem orientar a definição dos valores objeto de pedido de ressarcimento ou perdimento. Citou, entre outros exemplos, a Operação Sanguessuga e situações envolvendo gestores públicos em casos de fraude, para mostrar que a identificação do dano nem sempre pode ser reduzida a uma simples correspondência entre o valor contratado e o prejuízo causado.
A palestra dialoga diretamente com o prefácio assinado pelo ministro André Mendonça, sendo um dos temas centrais da coletânea os desafios jurídicos e práticos para investigar a criminalidade econômica, responsabilizar seus autores e recuperar valores decorrentes de atividades ilícitas.
André Mendonça discutiu os parâmetros que devem orientar a definição dos valores objeto de pedidos de ressarcimento ou perdimento. Ao citar exemplos como a Operação Sanguessuga e casos envolvendo gestores públicos, destacou que a identificação do dano não pode ser reduzida, em todos os casos, à diferença entre o valor contratado e o prejuízo causado.
O ministro chamou atenção para a necessidade de distinguir produto da atividade ilícita, dano e enriquecimento ilícito. Segundo a abordagem apresentada, essa diferenciação é necessária para definir os valores que podem ser objeto de recuperação de ativos em casos de corrupção e improbidade administrativa.
Mendonça também apresentou referências do direito comparado, citando a legislação dos Estados Unidos, como o Civil Asset Forfeiture Reform Act (CAFRA), de 2000, e o Fraud Enforcement and Recovery Act (FERA), de 2009. Na experiência italiana, abordou o Decreto Legislativo nº 231/2001 e decisões da Corte de Cassação relacionadas à definição do produto obtido com a prática ilícita.
No ordenamento brasileiro, a análise passou pelo Código Penal, pela Lei de Lavagem de Dinheiro, pela Lei de Improbidade Administrativa e pela Convenção de Mérida.
Ao final, o ministro destacou a necessidade de critérios técnicos para a definição dos valores e do apoio das áreas da administração pública responsáveis pela receita. A adoção de uma metodologia mais precisa, segundo Mendonça, pode contribuir para dar maior segurança às investigações, às apurações e às decisões judiciais.
Livro sobre crimes contra a ordem econômica e tributária é lançado durante Encontro Nacional do Cira 2026
Na sequência da programação, foi lançado o livro “Crimes contra a ordem econômica e tributária: desafios atuais e perspectivas”, coordenado pelo Procurador-Geral de Justiça, Francisco Zanicotti, e pelo promotor de Justiça Diego Gomes Castilho, ambos do Ministério Público do Paraná. Publicada em 2026 pela Editora Tirant Lo Blanch, a obra reúne estudos de especialistas sobre diferentes aspectos do direito penal econômico.
A publicação tem 340 páginas e reúne artigos sobre investigação e responsabilização por crimes econômicos e tributários. Entre os temas estão a análise probatória em delitos financeiros complexos, fraudes estruturadas, empresas de fachada, recuperação de ativos e sonegação fiscal.
A coletânea também aborda a aplicação da Lei Anticorrupção, a individualização e a dosimetria da pena em crimes tributários e os limites da responsabilização penal de empresários e administradores.
Fonte: Ministério Público PR
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