Agro
Recuperação judicial no agronegócio dispara e acende alerta sobre endividamento dos produtores no Brasil
O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro registrou forte crescimento e atingiu, em 2025, o maior patamar da série histórica. Segundo dados da Serasa Experian, o setor contabilizou quase 2 mil solicitações no período, evidenciando o aumento da pressão financeira sobre produtores rurais em diversas regiões do país.
Cenário econômico pressiona sustentabilidade da produção
O avanço dos pedidos está diretamente ligado a um ambiente mais desafiador para o agro, marcado por:
- Elevação dos custos de produção (insumos, fertilizantes e logística)
- Maior rigor na concessão de crédito rural
- Oscilações nos preços das commodities
- Impactos climáticos sobre a produtividade
Esse conjunto de fatores tem comprimido margens e dificultado o equilíbrio financeiro das operações agrícolas, especialmente entre produtores mais alavancados.
Recuperação judicial ganha espaço como ferramenta de gestão
Diante desse cenário, a recuperação judicial passa a ser considerada uma alternativa legal para reorganização de dívidas e continuidade das atividades no campo.
O instrumento permite ao produtor renegociar compromissos financeiros com credores, preservar ativos e manter a produção, desde que cumpridos os requisitos previstos na legislação.
Segundo o especialista em reestruturação financeira no agronegócio, Dione Rodovalho, ainda há desconhecimento sobre o tema dentro do setor.
“É um mecanismo previsto em lei que possibilita reorganizar a atividade e buscar condições para seguir produzindo. Muitas vezes, o produtor não avalia essa alternativa de forma estratégica”, afirma.
Legislação amplia acesso ao produtor rural
A possibilidade de produtores rurais acessarem a recuperação judicial foi fortalecida com a atualização da legislação brasileira, especialmente após a Lei nº 14.112/2020, que modernizou a Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei nº 11.101/2005).
A mudança trouxe maior segurança jurídica e ampliou o uso do instrumento no agronegócio, acompanhando a crescente complexidade financeira da atividade.
Quando a recuperação judicial é indicada
Especialistas apontam que a recuperação judicial deve ser analisada dentro de um planejamento financeiro mais amplo, sendo indicada principalmente em situações como:
- Alto nível de endividamento
- Fluxo de caixa comprometido
- Risco de perda de patrimônio
- Dificuldade de negociação com credores
A decisão, no entanto, exige avaliação técnica detalhada, considerando a viabilidade econômica da operação.
Entidades do setor reforçam necessidade de gestão e planejamento
A Aprosoja Tocantins acompanha o aumento dos pedidos com atenção e destaca a importância de planejamento e gestão eficiente no campo.
A entidade ressalta que cada caso deve ser analisado individualmente, levando em conta fatores como estrutura produtiva, nível de endividamento e condições de mercado.
Ambiente de crédito e políticas públicas entram no radar
O avanço das recuperações judiciais também levanta discussões sobre a necessidade de um ambiente mais equilibrado de crédito rural, com maior previsibilidade, acesso a financiamento e segurança jurídica.
Além disso, especialistas apontam a importância de políticas públicas que contribuam para a sustentabilidade econômica do setor, especialmente em momentos de maior volatilidade.
Cenário: agro enfrenta nova fase de gestão financeira mais rigorosa
O crescimento dos pedidos de recuperação judicial sinaliza uma mudança no perfil do agronegócio brasileiro, que passa a demandar maior profissionalização da gestão financeira.
Em um ambiente de custos elevados e maior risco, decisões estratégicas e planejamento estruturado serão cada vez mais determinantes para garantir a continuidade e a competitividade da produção agrícola no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Copom reduz Selic para 14,50% ao ano e sinaliza continuidade do ajuste com cautela diante de incertezas globais
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,50% ao ano. A medida foi unânime e já amplamente esperada pelo mercado financeiro, marcando a continuidade do processo de ajuste da política monetária no Brasil.
De acordo com o comunicado oficial, o Comitê considera apropriado dar sequência ao ciclo de calibração, após um período prolongado de juros em nível contracionista. Esse ambiente contribuiu para a desaceleração da atividade econômica, abrindo espaço para ajustes graduais na taxa, conforme a evolução dos dados econômicos.
Estratégia de política monetária segue focada na inflação
O Copom reforçou que a decisão está alinhada com o objetivo central de assegurar a convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária busca suavizar oscilações na atividade econômica e contribuir para condições mais favoráveis ao emprego.
Apesar do corte, o cenário inflacionário segue desafiador. As projeções indicam que a inflação permanece acima da meta, com expectativas de 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027, segundo a pesquisa Focus. Para o quarto trimestre de 2027 — atual horizonte relevante —, a estimativa do Copom é de 3,5%.
Incerteza global e conflitos elevam riscos
O ambiente externo continua sendo um fator de atenção. A incerteza em torno dos conflitos no Oriente Médio e seus desdobramentos tem impacto direto sobre cadeias globais de suprimento e preços de commodities, especialmente energia, influenciando a dinâmica inflacionária.
Nesse contexto, o Copom destacou a necessidade de cautela por parte de economias emergentes, diante da maior volatilidade nos mercados financeiros e nos preços de ativos.
Cenário doméstico mostra moderação com mercado de trabalho resiliente
No Brasil, os indicadores econômicos apontam para uma desaceleração gradual da atividade, conforme esperado. Por outro lado, o mercado de trabalho segue demonstrando resiliência, sustentando parte da demanda interna.
Entretanto, dados recentes mostram aceleração da inflação cheia e de seus núcleos, afastando-se ainda mais da meta estabelecida.
Balanço de riscos segue elevado
O Copom avalia que os riscos para a inflação permanecem elevados e assimétricos, influenciados principalmente pelo cenário internacional. Entre os principais fatores de alta, destacam-se:
- Possível desancoragem das expectativas de inflação no médio e longo prazo
- Pressões vindas do setor de serviços, com demanda ainda aquecida
- Impactos inflacionários decorrentes de câmbio depreciado e choques externos
Por outro lado, existem fatores que podem contribuir para uma inflação mais baixa:
- Desaceleração mais intensa da economia brasileira
- Redução do crescimento global diante de choques comerciais e energéticos
- Queda nos preços das commodities, com efeito desinflacionário
Próximos passos dependerão de novos dados
Diante do cenário atual, o Copom reiterou que manterá uma postura de serenidade e cautela. As próximas decisões sobre a Selic dependerão da evolução dos dados econômicos, especialmente no que diz respeito à inflação, atividade e impactos dos conflitos geopolíticos.
A autoridade monetária sinaliza que o processo de ajuste continuará sendo conduzido de forma gradual e dependente de evidências, buscando equilíbrio entre controle inflacionário e estabilidade econômica.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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