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Braquiária e outras gramíneas tropicais elevam produtividade da soja em até 15% e fortalecem saúde do solo, aponta estudo da Embrapa

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Uso de braquiária consolida estratégia de intensificação sustentável na agricultura brasileira

O uso de gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente do gênero Urochloa (braquiária), tem se consolidado como uma das principais estratégias para aumentar a produtividade da soja e melhorar a saúde do solo no Brasil.

Um estudo de abrangência nacional, conduzido pela Embrapa Cerrados em parceria com outras instituições, confirmou que a adoção dessas espécies pode elevar a produtividade da soja em cerca de 15%, reforçando o papel das plantas de cobertura na intensificação sustentável dos sistemas agrícolas.

Os resultados foram publicados na revista científica Agronomy e representam uma das análises mais completas já realizadas no país sobre o tema.

Meta-análise reúne 55 estudos e reforça evidências científicas no campo

A pesquisa utilizou uma meta-análise, metodologia que compila e cruza dados de diferentes estudos científicos, permitindo conclusões mais robustas.

Ao todo, foram analisadas 55 publicações científicas, abrangendo ensaios de campo realizados em 33 localidades do Brasil, envolvendo diferentes sistemas de produção, cultivares de soja e condições de solo e clima.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Ieda Mendes, o objetivo foi preencher uma lacuna importante na literatura científica.

“Faltava uma avaliação em escala nacional sobre os impactos dessa prática na saúde do solo e na produtividade da soja”, explicou.

Braquiária aumenta produtividade da soja e gera ganho econômico por hectare

Os resultados mostram que o uso de gramíneas tropicais como culturas antecessoras à soja proporciona ganhos consistentes de produtividade.

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Em média, o aumento foi de:

  • +15% na produtividade da soja
  • +515 kg por hectare
  • US$ 198 de receita adicional por hectare

Mesmo com variações entre sistemas e regiões, os efeitos positivos foram observados na maioria absoluta das comparações analisadas.

Além disso, o custo de implantação das braquiárias é considerado baixo, variando entre US$ 9 e US$ 30 por hectare, dependendo da taxa de semeadura.

Indicadores biológicos do solo apresentam melhora significativa

Além do ganho produtivo, o estudo identificou melhorias expressivas nos indicadores de saúde do solo em áreas com braquiária.

Os principais avanços foram:

  • +35% na atividade da enzima arilsulfatase
  • +31% na β-glicosidase
  • +20% na fosfatase ácida
  • +24% no carbono da biomassa microbiana
  • +11% no carbono orgânico do solo

Segundo os pesquisadores, o aumento da atividade enzimática indica maior sensibilidade às mudanças no solo e reforça o papel das gramíneas na ativação biológica do sistema produtivo.

Resultados mostram alta taxa de ganhos e baixa incidência de perdas

Das 173 comparações analisadas, 154 apresentaram aumento de produtividade, com ganhos variando entre 30 e 2.200 kg por hectare.

Apenas 19 comparações (11%) indicaram reduções, geralmente associadas a falhas de manejo no estabelecimento das gramíneas, sem significância estatística na maioria dos casos.

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O aumento do número de estudos ao longo dos anos também chama atenção: a maior parte das pesquisas foi publicada entre 2021 e 2025, refletindo a expansão do interesse pelo tema no Brasil.

Braquiária é tratada como bioinsumo vivo na agricultura regenerativa

Para os pesquisadores, as gramíneas tropicais devem ser entendidas além do conceito tradicional de plantas de cobertura.

Elas atuam como bioinsumos vivos, contribuindo para:

  • aumento da atividade microbiana
  • melhoria da estrutura do solo
  • maior ciclagem de nutrientes
  • incremento do carbono orgânico
  • maior infiltração de água

Esses efeitos posicionam as gramíneas como ferramentas centrais na agricultura regenerativa e na intensificação sustentável dos sistemas produtivos.

Integração entre solo, produtividade e sustentabilidade ganha protagonismo

A pesquisa reforça que a adoção de braquiárias como culturas antecessoras na soja representa uma estratégia de alto impacto agronômico e econômico.

Ao melhorar a funcionalidade biológica do solo, essas plantas contribuem diretamente para maior estabilidade produtiva, redução de riscos e aumento da eficiência dos sistemas agrícolas tropicais.

Segundo a Embrapa, o avanço dessas práticas reforça o solo como um ativo vivo e estratégico, essencial para a sustentabilidade e competitividade da agricultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro

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O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.

Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.

Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela

O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.

Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.

Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.

Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural

Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.

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Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.

Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.

A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.

Cooperativas ampliam presença no campo

Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.

Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.

Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.

CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado

A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.

O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.

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Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.

Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.

Desafio para produtores passa a ser gestão financeira

Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.

Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.

Nova fase do crédito rural já começou

O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.

Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.

A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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