Agro
Usina Santa Adélia amplia produtividade com irrigação em área de déficit hídrico
Em uma região marcada por déficits hídricos severos, a irrigação por gotejamento tornou-se um pilar estratégico na produção da Usina Santa Adélia, em Pereira Barreto (SP), no Polo Igaraí. Desenvolvido em parceria com a Netafim, líder em soluções de irrigação, o projeto trouxe previsibilidade à produção, mitigou riscos climáticos e abriu caminho para ganhos consistentes de produtividade e competitividade.
Irrigação como resposta ao clima adverso
Cássio Pagiaro, diretor agrícola da usina, explica que a decisão pelo investimento em irrigação foi motivada pelo histórico climático da região:
“Aqui enfrentamos déficits hídricos muito grandes, o que impede a previsibilidade da matéria-prima. A irrigação por gotejamento cobre essa lacuna e garante constância produtiva.”
Segundo ele, o déficit hídrico costuma variar entre 700 e 800 mm, sendo que em quatro de cada cinco safras recentes os problemas superaram a média histórica. Nesse cenário, a irrigação se tornou essencial para manter a produção estável ao longo da safra.
Caio Carvalho, diretor da Canaplan, reforça a importância da irrigação como ferramenta de gestão de risco:
“A produtividade do canavial de sequeiro tem sofrido com os déficits hídricos e mudanças climáticas. A irrigação funciona como um seguro, evitando grande volatilidade durante a safra.”
Resultados e ganhos produtivos
O projeto da Santa Adélia começou com 1.076 hectares irrigados, mesmo sem experiência prévia em sistemas dessa escala. Pagiaro destaca a parceria com a Netafim como essencial para o sucesso:
“Sem o apoio da Netafim não seria possível. Aprendemos a irrigar cana e a gerir o manejo de forma eficiente, garantindo implementação rápida e engajamento da equipe.”
Os resultados são expressivos: canaviais irrigados apresentam produtividade média entre 140 e 160 toneladas por hectare ao longo de 10 a 12 cortes, segundo Carvalho. Além disso, a irrigação reduz os custos por tonelada, tornando a produção mais competitiva que a cana de sequeiro.
Eficiência e sustentabilidade
A irrigação por gotejamento também oferece eficiência no uso de recursos, permitindo menor consumo de água e integração tecnológica que reduz o uso de diesel, aumentando a sustentabilidade do processo. Carvalho destaca:
“Em um setor sem subsídios e exposto à volatilidade, ser competitivo depende de irrigação. A redução da variabilidade produtiva gera vantagem estratégica para planejamento e comercialização.”
Perspectivas de longo prazo
Com projeção de longevidade de até 13 ou 14 cortes e retorno de investimento em poucos ciclos, o projeto consolida a irrigação como caminho estratégico frente ao clima adverso. Carvalho conclui:
“O que hoje é considerado inovação logo será rotina. A tecnologia é essencial para a competitividade futura do setor sucroenergético.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro
A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.
O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.
Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.
Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.
Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.
Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.
O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.
Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência
Fonte: Pensar Agro
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