Agro
Preços do café recuam no Brasil com queda do dólar e pressão das bolsas internacionais
Mercado internacional do café registra volatilidade e pressão nas cotações
O mercado internacional do café encerrou a semana até esta quinta-feira (9) sob forte pressão, marcado por volatilidade e maior aversão ao risco nas principais bolsas globais.
Na Bolsa de Nova York, referência para o café arábica, e na Bolsa de Londres, que baliza o robusta, os preços oscilaram diante das tensões geopolíticas envolvendo a guerra no Irã. Esse cenário também impactou o dólar e o petróleo, influenciando diretamente o comportamento das commodities, incluindo o café.
Safra brasileira e oferta global ampliada pesam sobre os preços
Além do ambiente externo, os fundamentos do mercado indicam maior tranquilidade em relação ao abastecimento global de café.
A colheita do conilon (robusta) no Brasil começa em abril, seguida pela do arábica. A expectativa de uma safra robusta no país contribui para o aumento da oferta e pressiona as cotações.
Outro fator de impacto é a entrada da safra da Indonésia, especialmente no segmento de robusta, reforçando o cenário de maior disponibilidade global do produto.
Queda nas exportações oferece suporte pontual ao mercado
Apesar da pressão predominante, o mercado encontrou algum suporte ao longo da semana com a divulgação de dados de exportação.
As exportações brasileiras de café em grão, em março de 2026, somaram 2,52 milhões de sacas de 60 quilos, considerando 22 dias úteis. A receita atingiu US$ 998,07 milhões, com preço médio de US$ 395,80 por saca, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
No entanto, na comparação anual, os números mostram retração:
- Receita média diária: queda de 30,5%
- Volume médio diário embarcado: recuo de 31%
- Preço médio: leve alta de 0,7%
No cenário global, dados da Organização Internacional do Café (OIC) indicam que as exportações mundiais totalizaram 11,46 milhões de sacas em fevereiro, queda de 5,7% frente ao mesmo mês de 2025.
Por outro lado, no acumulado dos cinco primeiros meses da safra 2025/26 (outubro a fevereiro), os embarques globais cresceram 4,5%, somando 57,77 milhões de sacas.
Arábica recua e robusta avança no acumulado anual
No recorte de 12 meses, as exportações de café arábica apresentaram queda de 3,22%, totalizando 83,63 milhões de sacas.
Já o café robusta registrou desempenho positivo, com alta de 14% nos embarques, que atingiram 59,15 milhões de sacas no mesmo período.
Bolsas internacionais acumulam perdas na semana
Na Bolsa de Nova York, o contrato maio do café arábica encerrou a quinta-feira (9) cotado a 293,70 centavos de dólar por libra-peso, acumulando queda de 0,6% em relação à semana anterior.
Em Londres, o contrato maio do robusta apresentou recuo mais acentuado, com perda acumulada de 4% no mesmo período.
Mercado interno sente impacto do dólar e mantém cautela nas negociações
No Brasil, o mercado físico de café também registrou queda nos preços ao longo da semana.
Além da influência das bolsas internacionais, a desvalorização do dólar frente ao real — com queda de 1,8% e atingindo os níveis mais baixos em dois anos — intensificou a pressão sobre as cotações internas.
O ambiente de negócios segue marcado por cautela. Produtores têm dosado a oferta, enquanto compradores adotam postura conservadora, adquirindo volumes pontuais e aguardando a entrada da nova safra.
Preços do arábica e do conilon recuam nas principais praças
Nas principais regiões produtoras, os preços registraram queda no comparativo semanal.
No sul de Minas Gerais, o café arábica bebida terminou a quinta-feira (9) cotado a R$ 1.860,00 por saca, frente aos R$ 1.920,00 da semana anterior, recuo de 3,1%.
Já o conilon tipo 7, em Vitória (ES), caiu de R$ 930,00 para R$ 890,00 por saca, representando baixa de 4,3% no mesmo período.
Cenário aponta pressão no curto prazo com atenção à safra
O mercado de café segue pressionado no curto prazo, influenciado pela combinação de fatores externos e internos, como o avanço da safra brasileira, a valorização do real e o aumento da oferta global.
Com a intensificação da colheita nas próximas semanas, a tendência é de continuidade da cautela nas negociações, com investidores e agentes do setor atentos à evolução dos preços e ao comportamento da demanda internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês
Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.
A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.
A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.
O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.
Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.
O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.
A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.
Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.
A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.
Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.
Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.
A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.
Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.
A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.
É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.
Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.
A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.
Fonte: Pensar Agro
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